05 de fevereiro, de 2023 | 06:00
Em baixa
Fernando Rocha
Os tempos obscurantistas, truculentos e sombrios que permearam o comportamento de autoridades políticas, militares, civis e de famosos nos últimos anos terminaram, mas a ficha de alguns deles parece que ainda não caiu.No âmbito do futebol, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, criou um debate público após suas reações intempestivas e coléricas à beira do gramado, ofuscando a conquista da Supercopa pelo Palmeiras sobre o Flamengo, em Brasília.
De nacionalidade portuguesa, o técnico Abel Ferreira tem acumulado sucesso e conquistas desde que aportou aqui, há pouco mais de dois anos, para ganhar, praticamente, tudo o que disputou e tornar-se ídolo no Palmeiras.
Por outro lado, tem acumulado registros de indisciplina e demonstra um comportamento que não condiz com a sua reconhecida competência como técnico de um dos maiores times do continente.
Cotado para substituir Tite no comando da seleção brasileira, seus chutes, gritos e críticas fortes à arbitragem na decisão da Supercopa reduziram ainda mais as suas chances de ser o escolhido pela CBF, que teme o que poderia acontecer em um jogo de Copa do Mundo se fosse ele o técnico da seleção.
Bola fora
Outro profissional vitorioso no esporte, porém um autêntico miolo cozido”, o campeão olímpico de vôlei Wallace, atualmente defendendo o Sada/Cruzeiro, foi outro protagonista do atraso ao publicar, em sua rede social, enquete onde pergunta se você daria um tiro na cara do presidente da República”.
Wallace é um eleitor declarado de Bolsonaro, o que é legítimo e normal, mas aos 35 anos de idade ainda não entendeu que em um país democrático existem regras que criminalizam discursos de ódio.
Trata-se de uma figura pública, que possui milhares de seguidores e fãs, portanto, sua atitude é muito grave na mesma proporção que a sua enquete malévola produziu.
Como tem acontecido nestes casos, logo depois do fato, Wallace apagou a publicação, pediu desculpas públicas, mas não conseguiu diminuir a indignação coletiva provocada pelo seu gesto irresponsável.
Agora, de contrato suspenso por tempo indeterminado, vai responder na Justiça pelo crime cometido, em ação movida pela Advocacia Geral da União.
FIM DE PAPO
Se condenado, Wallace pode ser multado em até R$ 100 mil e sofrer punições do conselho de ética do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Confederação Brasileira de Voleibol. Na representação contra o atleta endereçada ao COB, a AGU aponta violações ao artigo 243-D (incitação pública ao ódio ou à violência) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva e aos artigos 8 e 34 do Código de Conduta Ética do COB, respectivamente, sobre uso indevido de expressões discriminatórias e incitação a práticas de ato de violência por meio de redes sociais. Vale lembrar que, no governo passado, a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, por um simples Fora, Bolsonaro!”, foi denunciada e julgada na justiça esportiva, e só não recebeu uma punição pesada porque a sociedade brasileira impediu.
Talvez por receio de perder o técnico para a CBF na seleção brasileira, logo após a conquista da Supercopa, a direção do Palmeiras tratou de colocar mais lenha na fogueira, ao divulgar uma nota de repúdio a "ataques irresponsáveis direcionados ao técnico Abel Ferreira por alguns jornalistas". Ou seja, aumentou o nível de beligerância e de confronto, sobretudo, com a TV Globo, que teve o microfone destruído e cujos comentaristas foram os que mais criticaram a atitude irresponsável do treinador.
A CBF não quer o retorno da era Dunga”, quando eram frequentes os embates do então técnico com a imprensa nacional. Entende, com razão, que o técnico da seleção, além de possuir qualidades na definição de táticas e também de liderança, precisa ser uma espécie de relações públicas ou ter a cara da seleção, o que, com certeza, não cairia bem na atual imagem de Abel Ferreira.
A CBF anunciou os valores de premiação da Copa do Brasil deste ano, cujo campeão, além de uma vaga na Libertadores, receberá R$ 70 milhões - R$ 10 milhões a mais do que foi pago em 2022. Caso dispute todas as fases do torneio, a equipe que erguer a taça pode receber até R$ 91,8 milhões. Este ano, além de Galo, Raposa e Coelho, o futebol mineiro terá na disputa o Athletic, o Tombense e o Democrata/GV, definidos por critérios de classificação no Estadual de 2022. Caso um deles não passe da primeira fase, mesmo assim receberá R$ 750 mil, valor que é superior ao que é pago hoje aos clubes do interior que disputam o Campeonato Mineiro. (Fecha o pano!)
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