03 de abril, de 2023 | 17:30

Programação do “Minas Santa” une arte, tradição e religiosidade

Secult/Divulgação
Iniciativa reforça cultura da paz entre religiões e dá protagonismo à fé e à uniãoIniciativa reforça cultura da paz entre religiões e dá protagonismo à fé e à união
A arte barroca e os objetos sacros, além das procissões, compõem de maneira singular os ritos da Semana Santa, especialmente em cidades como Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes, Sabará, São João del-Rei e Diamantina, onde a arquitetura do período colonial oferece cenário que ressalta toda essa tradição.

Em Belo Horizonte, no último sábado (1/4), foi instalado um tapete devocional de 240 metros de extensão, na alameda Travessia da Praça da Liberdade, em BH, com os símbolos do programa Afro-mineiridades. A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que visa à identificação, à proteção e à salvaguarda das práticas culturais afro no estado de Minas Gerais.

“No Brasil, fundante nessa manifestação da fé, a matriz africana ofereceu, sobretudo ao barroco inicial, a forma híbrida na única escola barroca e negra do Brasil, patrimônio do mundo da Unesco, nas mãos de Aleijadinho”, contextualizou o secretário estadual de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. “A afro-mineiridade será representada nos tapetes que faremos. Embora sejam matrizes que possuem outras celebrações, teremos essa representação na festividade do Minas Santa”, adiantou.

Reunir culturas da fé, centrais na vida da mineiridade, e que se refletem no turismo religioso, é um dos objetivos centrais do programa “Minas Santa”, segundo o secretário Leônidas Oliveira. Para o período, estão previstas diversas ações em cidades e equipamentos culturais distribuídos pelo estado.

“A fé também é cultura. Então, esse legado das tradições sejam elas materiais ou imateriais são atrativos importantes para consolidarmos Minas Gerais como destino cultural e turístico. O Minas Santa foi concebido especialmente para valorizar a Semana Santa de Minas Gerais, sobretudo, em cidades do interior, em igrejas barrocas e em praças, onde são encenados verdadeiros espetáculos da fé. Neles, nós encontramos o canto, o teatro e as artes visuais, de maneira análoga como observamos nas óperas”, descreveu.
Thais Andrade/Divulgação
Em Tiradentes, os rituais da Semana Santa mantêm tradições culturais e religiosasEm Tiradentes, os rituais da Semana Santa mantêm tradições culturais e religiosas

Tiradentes
As igrejas centenárias contam um capítulo importante da história de Tiradentes, e ainda hoje mantêm uma tradição inabalável, que leva milhares de fiéis à região todos os anos. Uma das épocas de maior procura é durante a Semana Santa. A expectativa é que as programações das igrejas católicas de Tiradentes atraiam não apenas os fiéis tiradentinos como, também, milhares de turistas que visitam a cidade nessa época do ano. Afinal, há inúmeras razões que fazem o lugar ser tão especial do ponto de vista religioso.

Uma das atrações é a Igreja Matriz de Santo Antônio, padroeiro do município, que teve seu projeto iniciado em 1710 e a conclusão aconteceu por volta de 1732. Mas o que deveria ser a entrega da obra finalizada, na verdade, foi apenas o primeiro passo de uma sequência de melhorias e adequações que se estenderam até o decorrer do século 19. Ou seja, foram mais de 100 anos de transformações até chegarem à arquitetura encantadora que hoje coloca Tiradentes como um dos berços das obras barrocas.

E no caso da Igreja Matriz, o barroco é reluzente em parte graças aos 482 quilos de ouro delicadamente espalhados pelas obras que cercam o altar no interior da paróquia. Para a sociedade tiradentina, essa história confunde-se com a identidade dos habitantes do lugar. “O ouro é um capítulo importante da nossa história, mas prefiro acreditar que não seja o mais significativo deles. O grande valor das igrejas barrocas de Tiradentes são os traços marcantes de Aleijadinho”, sugere Wellerson Cabral, presidente da Associação Empresarial de Tiradentes (ASSET).
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