04 de abril, de 2023 | 06:00

Clássico bom

Fernando Rocha

O primeiro jogo da decisão entre Atlético e América, no Independência, vencido pelo Galo por 3 x 2, teve muitas surpresas positivas e negativas.

O técnico do Galo, Eduardo Coudet, surpreendeu na escalação ao começar com Mariano, Pavón e Hyoran, deixando Sarávia, Edenilson, Pedrinho e Patric na reserva.

Deu certo, pois, logo no primeiro minuto, Pavón acertou um chute no ângulo e abriu o marcador. Hyoran, também, fazia uma grande partida e aos 33 minutos fez um belo gol, em chute de fora da área, quando o América estava melhor em campo. Pena que tenha sentido uma contusão e deixado o campo em seguida, para a entrada de Patric.

Os jogadores do Galo deram uma relaxada, achando que o Coelho estava morto. Ledo engano. Nos acréscimos, aos 47 minutos, Benitez, o melhor em campo, chutou de longe e o goleiro Everson aceitou.

Tal do Hulk
No segundo tempo, os treinadores mexeram bastante. Coudet tentou reorganizar o Atlético, por conta do gol inesperado americano; a meu juízo, errou ao tirar Pavón, que estava muito bem, para a entrada de Edenilson, que ainda não disse a que veio.

No Coelho, Mancini quis dar mais velocidade ao ataque e tirou Matheusinho para a entrada do veloz Everaldo; Nikolas saiu para Marlon entrar; Danilo Avelar substituiu Aloisio; no Galo, Mariano foi trocado por Zaracho e Edenilson foi para a lateral.

Logo no começo, empate do América, outra vez o argentino Benitez apareceu no meio da zaga alvinegra, fez um golaço chutado a bola debaixo das pernas do Everson.

O clássico ficou equilibrado, mas num bom ataque do Galo houve o cabeceio de Paulinho, que Marlon tirou com a mão de dentro do gol. Foi expulso, porém o pênalti bem marcado foi desperdiçado por Hulk, que já havia perdido um na semifinal contra o Athletic, em São João del-Rei.

A partida caminhava para dar empate, mas eis que na “última volta do ponteiro”, como diziam os locutores de antanho, eis que aparece o “tal” do Hulk, que até então era um dos piores em campo.

Hulk gigante, super-herói da massa alvinegra, em combinação com Paulinho pela esquerda, mandou para o fundo das redes, resolveu a parada a favor do Galo em jogada iniciada e concluída por ele: 3 a 2.

Vitória impressionante do Galo, que pode perder até por um gol de diferença na decisão do próximo domingo, no Mineirão, que, mesmo assim, levanta a taça de tetracampeão estadual.

FIM DE PAPO

Muita desacreditada, dessa vez a arbitragem mineira não decepcionou, com boa atuação do árbitro Paulo César Zanovelli e do VAR. O América, que exigiu e conseguiu arbitragem de fora na segunda decisiva partida, com ou sem razão, sempre um reclamão neste quesito, dessa vez não teve do que se queixar. A Federação Mineira marcou pontos positivos ao implantar o VAR em todos os jogos da competição este ano. Só precisa, agora, melhorar o trabalho com esta ferramenta, que é fundamental para dar mais credibilidade e tranquilidade à arbitragem. A velocidade nas tomadas de decisões ainda é excessivamente longa.

Apenas 7.440 torcedores pagaram ingressos para ver o primeiro jogo da decisão do nosso Estadual, com renda de R$ 425 mil (brutos) toda do mandante Coelho. A torcida do Galo, que teve à sua disposição 7 mil bilhetes, foi ligeiramente superior à do América, mas não compareceu como se esperava. Preferiu guardar a grana para o jogo desta quinta-feira contra o Libertad, do Paraguai, pela Libertadores, no Mineirão.

Houve mistura de torcedores no setor “Minas” (atrás de um dos gols do Independência) e, para variar, brigas e confusão que fizeram o jogo ficar paralisado durante dois minutos no primeiro tempo. O troféu do “mais ridículo” neste clássico ficou com a diretoria do América, que colocou uma placa exaltando o “deca-campeonato” do Coelho, em frente à janela de dona Myrza, atleticana, moradora de um imóvel que dá vista ampla ao campo e que está localizado logo acima do estacionamento, atrás dos vestiários. A patetada da diretoria americana virou meme e recebeu ironias e gozações nas mídias sociais.

Marcado para 3 de junho, sábado, às 18h30, o clássico Raposa x Galo, com o mando azul, consta na tabela divulgada pela CBF como "local indefinido". No mesmo dia e horário jogam América x Corinthians, no Independência. Além disso, a diretoria da SAF/Cruzeiro continua sem acordo para jogar no Mineirão. Se não houver até lá uma solução para esse imbróglio, o clássico pode ser disputado em Sete Lagoas. Ou no Ipatingão. Por que não se candidatar? Já tivemos dois clássicos entre os dois maiores rivais do estado no “Gigante do Parque Ipanema” com enorme sucesso de público. Em 7/1/1996, o Galo ganhou de 2 x 1, pelo Campeonato Mineiro; em 28/2/2001 houve empate, em 1 x 1, pela Copa Sul-Minas. (Fecha o pano!)
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