18 de abril, de 2023 | 18:00

Mais uma etapa da operação que investiga manipulação de resultados no futebol brasileiro

Julia Galvão-ACF
 Um dos alvos de busca e apreensão é o jogador Victor Ramos, da Chapecoense Um dos alvos de busca e apreensão é o jogador Victor Ramos, da Chapecoense

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Penalidade Máxima II para cumprir três mandados de prisão preventiva contra envolvidos na manipulação de resultados de jogos de futebol. A suspeita é de que o grupo criminoso tenha atuado em partidas da Série A do Brasileiro e em cinco campeonatos estaduais. De acordo com a investigação, atletas cooptados recebiam de R$ 50 mil a R$ 100 mil para cumprirem determinadas ações durante o jogo, como tomar um cartão ou cometer um pênalti.

Um dos alvos de busca e apreensão é o jogador Victor Ramos, da Chapecoense. Em nota, o clube afirmou que "reforça o seu apoio e, principalmente, a confiança na integridade profissional do atleta" e ressaltou que colabora com as investigações.

Os outros investigados do momento são o lateral-esquerdo Igor Cariús, do Sport, o meia Gabriel Tota, ex-Juventude e atualmente no Ypiranga-RS, e o zagueiro Kevin Lomónaco, do Bragantino. Há outros nomes, mas que ainda não foram revelados pelo MP.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que prestou apoio ao MP de Goiás, no cumprimento de três mandados de busca e apreensão nas cidades de Santa Maria, Erechim e Pelotas, informou que outros dois alvos são jogadores de futebol do Rio Grande Sul, não identificados.

Desdobramento
A ação é um desdobramento da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em fevereiro e que resultou na denúncia de 14 pessoas, entre elas oito jogadores de futebol, na Série B. Os alvos da ação desta terça-feira tinham a forma de agir semelhante ao aplicado em partidas da segunda divisão.

A investigação identificou que a organização criminosa teria atuado "concretamente" em pelo menos cinco jogos da Série A do Brasileirão do ano passado. De acordo com o MPGO, os suspeitos ainda teriam tentado manipular cinco partidas de campeonatos estaduais, entre eles Goianão, o Gaúchão, o Mato-Grossense e Paulistão.

Muitos envolvidos
Também são cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em 16 municípios de seis estados. Os agentes apreenderam celulares, armas de fogo, munições e granadas nos endereços ligados aos envolvidos. As ordens judiciais da Operação Penalidade Máxima II foram expedidas pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores.

Os mandados estão sendo cumpridos em Goianira (GO), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Pelotas (RS), Santa Maria (RS), Erechim (RS), Chapecó (SC), Tubarão (SC), Bragança Paulista (SP), Guarulhos (SP), Santo André (SP), Santana do Parnaíba (SP), Santos (SP), Taubaté (SP) e Presidente Venceslau (SP).

“Prêmios” por infrações
"A investigação indica que as manipulações eram diversas e visavam, por exemplo, assegurar a punição a determinado jogador por cartão amarelo, cartão vermelho, cometimento de penalidade máxima, além de assegurar número de escanteios durante a partida e, até mesmo, o placar de derrota de determinado time no intervalo do jogo", informou o MPGO em nota.

A fonte de todo dinheiro seriam pessoas que apostam alto nos inúmeros sites de apostas atualmente no mercado, em todos os esportes. Por cada R$ 100 mil de propina para manipular lances e resultados, cada “apostador” conseguiria até R$ 1 milhão.
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