Irmãs executadas em Ipatinga são sepultadas em Ubaporanga

Antes de serem executadas a tiros, as duas mulheres foram torturadas, revela exame de necropsia

07/01/2024 às 16:32
Wellington Fred
Em cerimônia discreta, em um das capelas do cemitério Parque Senhora da Paz, corpos de irmãs foram velados na manhã deste domingo. Familiares procuram respostas
Com atualização às 12h30
Dezenas pessoas compareceram na manhã deste domingo (7) ao velório das irmãs Elisângela Ribeiro da Cruz, de 50 anos, que residia na rua Hortênsia, e Camila Keila Ribeiro da Cruz, de 34 anos, que residia na rua Quetúnia, ambas no bairro Esperança, em Ipatinga. As irmãs foram vítimas de uma dupla execução a tiros e o caso está em apuração. As mortes das irmãs se somaram a uma tripla execução e o fato teve repercussão nacional no fim de semana, projetando o nome de Ipatinga.

A reportagem do jornal Diário do Aço esteve no local e confirmou que em torno de 100 pessoas participaram do velório coletivo. Neste domingo, depois de uma manhã e começo de tarde de velório em uma das capelas do cemitério parque Senhora da Paz, os corpos foram levados para a cidade de Ubaporanga, terra natal das mulheres.

Inicialmente o sepultamento estava previsto para este domingo, no cemitério local. Entretanto, familiares decidiram fazer o enterro nesta segunda-feira (8), pois familiares que moram fora eram aguardados para a despedida. "Os corpos estão foram velados na igreja do distrito de São José do Batatal, em Ubaporanga e o sepultamento realizado pela manhã", informou um familiar ao Diário do Aço.

Camila deixou marido e um filho de 12 anos, que tem Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Elisangela, de 50 anos, também deixa marido e uma filha, de 31 anos que, muito abalada, não quis conceder entrevista.

Já o marido de Camila, informou ao Diário do Aço que desconhecia qualquer ameaça à mulher. Ele reafirmou que a esposa deixou a casa da família na noite de sexta-feira, em um Hyundai HB20, alegando que iria à casa da irmã, que tinha pedido ajuda.
Reprodução
Elisângela Ribeiro da Cruz completou 50 anos no dia em que foi morta e sua irmã, Camila Keila Ribeiro da Cruz, tinha 34 anos

Camila trabalhava como professora em uma creche. A irmã, Elisângela, foi comerciante e teve uma loja de bazar, no bairro Bom Jardim, entretanto, ela tinha fechado a loja.

Irmãs foram torturadas antes de serem mortas



Entre os fatos apurados pela reportagem no local do velório, familiares acreditam que Camila estivesse grávida de três meses, embora o exame de necropsia não relate o fato. Outra informação apurada é que, antes de serem executadas com tiros de pistola, tanto Elisângela quanto Camila foram brutalmente agredidas. As torturas provocaram em camila fraturas na mandíbula e clavícula. Elisângela também tinha marcas de agressões brutais, antes de ter tirada a sua vida.

Médico tinha alugado HB20 e emprestado à amiga



A reportagem também apurou que o HB20, usado por Camila, diferentemente do que fora divulgado anteriormente, não era de propriedade do médico, amigo dela. Ele tinha alugado o carro e o emprestado para Camila. Foi nesse carro que Camila saiu de casa no fim da noite de sexta-feira (5) e logo depois desapareceu. O veículo foi encontrado acidentado e abandonado em uma rua do bairro Esperança.

Professora em creche, Camila era muito querida

A reportagem do Diário do Aço também conversou, no velório, com Laudair Nonato, coordenador e administrador da Creche Nova Conquista, no bairro Bom Jardim. Ele que Camila começou a trabalhar na creche em 2023 e executava o trabalho com 15 crianças, de forma eficiente e que a professora era muito querida dos pequenos e dos pais e responsáveis.

Emocionado, Laudair pediu que os órgãos de segurança se empenhem para apurar o caso. "Sabemos que Minas Gerais é um dos estados onde a mulher é mais vítima de violência. Ela deixou um filho especial, de 14 anos, que agora está sob efeito de medicamentos, mas e depois? Também tem um pai, no hospital. Eu queria pedir a todos que orem por eles", concluiu.

Entenda o caso da morte das irmãs Camila e Elisângela Ribeiro



Camila e Elisângela foram encontradas executadas com tiros de pistola calibre 9mm na manhã de sábado (6), em uma rua sem saída no alto do bairro Chácaras Madalena, em Ipatinga.

Os corpos estavam com as mãos e pés amarrados com fios elétricos. As mulheres estavam amordaçadas com fitas adesivas. Em cada corpo foram encontradas cinco perfurações provocadas por todos.
Wellington Fred
Entre os participantes do velório estavam amigos, familiares e colegas de trabalho das vítimas

A polícia descartou a relação dessa dupla execução com um triplo assassinato, ocorrido no fim da noite de sexta-feira, na avenida Selim José de Sales, bairro Bethânia, quando três indivíduos assassinaram a tiros outras três pessoas e deixaram gravemente ferido um jovem. O fato foi noticiado pelo Diário do Aço, no começo da manhã de sábado. Os atiradores que agiram no Bethania estavam em um veículo de modelo diferente de um HB20.

Já publicado sobre o caso:
-👉Polícia investiga dupla execução de mulheres em Ipatinga: Vítimas estavam amarradas
-👉Três homens são mortos a tiros em chacina no bairro Bethânia, em Ipatinga
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