23 de janeiro, de 2024 | 06:00
Vai começar
Fernando Rocha
Vem aí o Campeonato Mineiro/2024 que, por força do Estatuto do Torcedor, manteve a mesma fórmula ruim e complicada do ano passado.De cara teremos jogos remanejados devido à suspensão do Cruzeiro, que vai jogar na 2ª rodada contra o Athletic em Sete Lagoas; o sem casa” Itabirito, estreante na elite estadual, vendeu a empresários o seu jogo contra o Galo, que será em Brasília, pela 6ª rodada.
O aguardado clássico entre Atlético x Cruzeiro, na Arena MRV, pela 3ª rodada, será disputado no próximo dia 3 de fevereiro, sem dúvida, vai mexer com as duas maiores torcidas aqui dos nossos grotões.
Nada de novo ou que mereça algum destaque positivo, a mesmice de sempre. Teremos muitos jogos ruins, pois os times do interior são fracos, não possuem capacidade financeira para investir e competir de igual para igual com os três grandes”.
Frente a frente
Depois de três anos, teremos um embate direto pelo título entre os dois grandes rivais, Galo e Raposa, com favoritismo para o alvinegro, que busca o pentacampeonato.
O Atlético manteve a maioria de seus jogadores, o técnico Felipão e ainda uma contratação de peso, o meia Gustavo Scarpa, que chega como a cereja do bolo de um time muito forte, competitivo, que vai brigar na cabeça por todos os principais títulos nacionais e continentais.
O Cruzeiro é uma grande incógnita, não só pelo novo treinador, o desconhecido argentino Nicolas Larcamón, outra aposta da diretoria, mas também pelo elenco mediano que possui.
Perdeu seu melhor zagueiro, Luciano Castán, além do melhor atacante, Bruno Rodrigues, trouxe peças de reposição como Zé Ivaldo, Rafa Silva e Gabriel Verón, além do atacante argentino Dinenno, que precisam confirmar em campo as poucas expectativas positivas depositadas neles pela China Azul.
Para a disputa do Mineiro, agrada a volta do volante Lucas Romero, que tem muita identificação com o clube e a torcida, mas ainda faltam jogadores de melhor nível para brigar novamente na prateleira de cima do futebol brasileiro.
FIM DE PAPO
O Ipatinga, que estreia nesta próxima quarta-feira, às 20h, contra o Athletic, em São João del-Rei, é outra incógnita. Foi bem nos dois amistosos contra Tombense e Atlético, mas temos de aguardar os jogos que valem três pontos para uma melhor avaliação. Este ano vai disputar a Série D do Brasileiro, o que pode ajudar na formação de um elenco mais qualificado, pois o calendário cheio durante todo o ano atrai melhores jogadores. A sua principal arma pode estar fora de campo, o técnico Carlos Pimentel, 50 anos, que vai atuar pela primeira vez no futebol mineiro e fez sucesso recente dirigindo o Ituano-SP na Série B do Brasileiro.
Formado em Educação física, Pimentel teve passagens como auxiliar técnico pelo japonês Kashiwa Reysol, além de Corinthians, Santos, Ponte Preta e Sport Recife. Licenciado em Periodização Tática, em Portugal, possui duas pós-graduações e dois mestrados. O estudioso treinador do Tigre possui, ainda, a chancela da licença A da CBF. No futebol, para ter sucesso o profissional precisa da teoria, mas, sobretudo, da prática, com uma boa pitada de sorte.
Enquanto a bola não rolava nos estaduais, acompanhamos de perto os jogos da Copinha/SP, a maior competição de base no país. O Galo decepcionou, mas o Coelho e s Raposa foram mais longe e apresentaram algumas boas promessas. O América tem tradição em revelar, mas não sabe aproveitar como deveria na equipe principal. O Cruzeiro tem a chance de fazer isso com uma boa safra, onde se destacam o zagueiro Pedrão, o volante Josefer e o atacante Fernando. O Galo precisa continuar o trabalho de reformulação da sua base para revelar atletas que sejam extraclasses”, pois os medalhões do time principal não abrem espaço para o aproveitamento de jovens medianos.
Durante este período de férias da coluna, tivemos várias perdas importantes para o futebol brasileiro e mundial. Primeiro partiu Mário Jorge Lobo Zagallo, aos 92 anos, o maior papa-títulos da história de nossa seleção, que deixou sua marca para sempre na história do futebol brasileiro. Outra perda lamentável foi a de Franz Beckenbauer, que nos deixou aos 78 anos, verdadeira lenda do futebol alemão e mundial. Ambos foram campeões mundiais como jogador e treinador.
No seu livro Viver em paz para morrer em paz”, o filósofo Mário Sérgio Cortela diz: No dia que eu me for, eu me vou, e você também. Mas eu não quero ir, eu quero ficar. Lamentavelmente, só há um jeito de ficar: fazendo falta”. Zagallo e Beckenbauer jamais serão esquecidos, pois sempre farão falta ao futebol. (Fecha o pano!)
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