30 de janeiro, de 2024 | 17:00
Cineasta premiado reflete sobre o tempo e o cinema
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Há 27 edições, Tiradentes sedia o maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão e difusão
Há 27 edições, Tiradentes sedia o maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão e difusão Na mesa temática Quais as formas do tempo no cinema brasileiro contemporâneo?”, realizada na tarde Da última quinta-feira, 25/1, na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho disse que, seja trabalhando em produções caseiras, como as do começo de sua carreira, ou em orçamentos mais robustos, como suas realizações mais recentes, o cinema que ele faz é preponderantemente artesanal.
Premiado no Festival de Cannes de 2019 pelo júri oficial com Bacurau”, codirigido por Juliano Dornelles, Kleber exaltou que parte da artesania de seus trabalhos é justamente um pensamento sobre o tempo. Na recente edição da Mostra de Tiradentes, de 11 a 27 de janeiro, a temática foi As Formas do Tempo”, reafirmando papel do festival de ser plataforma de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo, apresentando ao público a diversidade da produção nacional.
O tempo, para mim, é tão importante quanto o som na hora de pensar o filme que eu vou fazer”, disse ele à plateia que lotou o Cine-Teatro Aymoré para acompanhar a discussão. O tempo é um elemento tão presente no cinema que por vezes ele se torna ainda mais intenso. Dos meus filmes, Retratos Fantasmas (2023) é o trabalho no qual mais identifico a presença do tempo como constitutivo da matéria fílmica”, descreveu.
O cineasta, que trabalha num projeto com o ator Wagner Moura, citou Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, como um dos maiores tratados sobre o tempo já realizados no cinema brasileiro. Sem que Coutinho planejasse nada, esse filme teve todo o tempo necessário para existir”, comentou. O documentário de Coutinho, originalmente uma ficção, teve suas filmagens interrompidas em 1964, por conta do golpe militar, e só foi retomado duas décadas depois, já como uma autorreflexão de sua própria feitura. O tempo de um filme precisa estar ao nosso lado dentro de um processo de maturação, tão importante quanto seus elementos estéticos e narrativos”, disse o cineasta.
Eficiência e agilidade
A mesa de debates tratou dessas questões das formas do tempo, também, a partir da experiência de produção e políticas públicas, com a pesquisadora Lia Bahia criticando o excesso de pressa e a agilidade que se exige para resultados de análise de projetos ou realizações audiovisuais em análise. Devemos imaginar um futuro sem tanto pragmatismo e sem essa aceleração que vivemos hoje”, alertou ela, que acredita que a exigência por agilidade e eficiência pode estar provocando o acúmulo de projetos e produções feitas mais para cumprir datas e metas do que como expressões de fato significativas ao processo artístico.
Para o pesquisador Luiz Carlos Oliveira Jr., o tempo afeta também a relação de consumo com plataformas de streaming, cada vez mais vorazes em ocupar a cabeça e os espaços de vida de seus usuários com catálogos e filmes muito similares e de fatura estética vazia. É a nova monocultura, é um verdadeiro plantation cultural”, afirmou.
Plataforma de lançamento do cinema brasileiro
Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país, a Mostra de Cinema de Tiradentes chegou à sua 27ª edição, de 19 a 27 de janeiro, em formato on-line e presencial. Durante os eventos, apresentou, exibiu e debateu o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais. O evento exibeu 145 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, prestou homenagem a personalidades do audiovisual, promoveu seminários e a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema e atrações artísticas. Toda a programação foi inteiramente gratuita. Mais informações: www.mostratiradentes.com.br.
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