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17 de fevereiro, de 2024 | 11:30

O Brasil pós-Carnaval, pós-pandemia e a iminente epidemia de dengue: um olhar sobre o passado e o futuro

Marcelo Augusto dos Anjos Lima Martins *


A frase "Tenho muito mais passado do que futuro", de Ricardo Gondim ou Mário de Andrade, se não me engano, e a recente interação entre Ivete Sangalo e Baby do Brasil em um trio elétrico, trazem à tona reflexões profundas sobre a atual situação socioeconômica e cultural vivenciada no Brasil pós-pandemia de covid-19, pós-Carnaval e à beira de uma epidemia de dengue. Neste contexto, é essencial analisar como o passado moldou o presente e como nossas ações podem influenciar o futuro. Para isso, devemos pensar as interconexões entre esses desafios e a necessidade de uma abordagem holística para enfrentá-los.

Reflexões sobre o passado - Ao olharmos para a pandemia de covid-19, somos lembrados de como a falta de investimentos em saúde pública e a desigualdade social impactaram a resposta do Brasil à crise. A ausência de um sistema de saúde robusto, aliada à falta de políticas efetivas de combate à pobreza, expôs as camadas mais vulneráveis da população a maiores riscos de contaminação e morte. Nesse sentido, é crucial aprender com os erros do passado e buscar soluções mais eficientes para enfrentar as consequências da pandemia.

A atual situação socioeconômica e cultural - A covid-19 abalou profundamente a economia brasileira, resultando em altas taxas de desemprego, fechamento de empresas e aumento da desigualdade. Além disso, as restrições de isolamento social afetaram diretamente os setores econômico, cultural e educacional, com o fechamento de empresas, demissões em massa, cancelamento de eventos, shows e exposições e abruptas adaptações didáticas, como aulas remotas, programas de aprendizagem utilizando metodologias de Ensino à Distância (EAD), ou apostilas com blocos de exercícios, para alunos da Educação Básica, do Ensino Infantil ao Médio. O Ensino Superior também foi afetado, mas enseja outras reflexões.

De repente, crianças e adolescentes que estavam ávidos por convívio social se viram presos à aparelhos celulares e tablets. Ou menos que isso. E pais, antes empregados, agora se veem empreendedores por aplicativos, sem direitos trabalhistas e sujeitos às intempéries de quem não pode viver o isolamento social, na fase mais crítica da pandemia. Essa conjuntura deixou claro como a falta de preparo para enfrentar crises pode ter consequências imprevisíveis em diversos aspectos da sociedade. Sem citar os danos psicológicos, que reverberam em todas as áreas na sociedade.

Alguns dirão, superamos a covid. Ledo engano! Suas consequências ainda estão sendo sentidas pela população, principalmente a parcela mais vulnerável.
“É crucial aprender com os erros do passado e buscar soluções mais eficientes para enfrentar as consequências da pandemia”

A iminente epidemia de dengue - Enquanto o país ainda lida com as consequências da pandemia de Covid-19, uma nova ameaça surge: a epidemia de dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O Carnaval, apesar do bem-estar emocional, descontração e socialização proporcionados, também aumentou a aglomeração de pessoas, que uma vez picadas pelo mosquito infectado, se tornaram vetores de transmissão, propiciando que outros Aedes se alimentem de seu sangue e repliquem o vírus.

Segundo dados Ministério da Saúde, publicados pela Agência Brasil, dia 13 de fevereiro, o Brasil registrou 512.353 mil casos entre suspeitos e confirmados da doença em todo o país. O aumento das chuvas e a falta de ações efetivas de combate ao vetor podem levar a um cenário alarmante nos próximos meses. A frase "Tenho muito mais passado do que futuro" ganha ainda mais relevância, pois nos alerta para a necessidade de aprender com as lições do passado para evitar a repetição de erros.

“A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. (Beto Guedes)
Diante da atual situação socioeconômica e cultural vivenciada no Brasil pós-pandemia de Covid-19 e à beira de uma epidemia de dengue, é fundamental que a sociedade e as autoridades adotem uma abordagem holística para enfrentar esses desafios.
Aprender com os erros do passado, investir em saúde pública, em programas de conscientização, promover a equidade social e fortalecer as políticas de combate às doenças, em especial, as epidemiológicas, são medidas essenciais para garantir um futuro mais promissor. Como afirmou o filósofo George Santayana, "Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo". Portanto, cabe a nós, como sociedade, agir de forma consciente e responsável, construindo um futuro melhor para todos.

* Mestre em Gestão e Avaliação da Educação Pública - UFJF
Especialista em Psicopedagogia - UCAM
Pedagogo do IFMG Campus Governador Valadares
[email protected]

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