21 de fevereiro, de 2024 | 07:30

Apreensivos, moradores registram presença de onça-pintada em sítios e estradas de Marliéria

Reprodução de vídeo
Animal tem rondado regiões próximas ao Parque Estadual do Rio DoceAnimal tem rondado regiões próximas ao Parque Estadual do Rio Doce
Silvia Miranda - Repórter Diário do Aço
Moradores e chacreantes de comunidades rurais de Marliéria têm observado a presença de onças-pintadas em sítios, estradas e localidades do entorno da mata do Parque Estadual do Rio Doce (Perd). As onças têm atacado animais domésticos e gerado apreensão entre os moradores das áreas rurais. O parque é um habitat natural da onça-pintada (Panthera onca), que é estudada e monitorada constantemente. Desde 2012, a região da Unidade de Conservação possui um projeto de pesquisa e conservação de animais silvestres de médio e grande porte, chamado de "Carnívoros do Rio Doce". Os estudos incluem o monitoramento do tamanho da população de felinos e da detecção de possíveis ameaças, além de fatores que possam influenciar o uso do ambiente por esses animais.

Na semana que passou, um vídeo divulgado nas mídias sociais mostra uma onça-pintada, com porte semelhante ao de um filhote, andando à margem da MG-760. As cenas chamam atenção e até assustam alguns moradores e usuários da estrada.

Estudos sobre a onça-pintada
Vitor Baptista, biólogo sênior do Termo de Parceira IEF - Instituto Ekos Brasil e que atua no Perd, explica ao Diário do Aço sobre o comportamento da onça. Segundo ele, a ecologia dos felinos de grande porte é estudada sistematicamente por especialistas na área.

“Os resultados apontam que há preferência desses animais por áreas florestais bem preservadas, como é o caso do Parque Estadual do Rio Doce. Algumas questões podem interferir nesse comportamento, tal como a caça de suas presas naturais por humanos”, afirmou.

Ataque a cães e outros animais
Um morador da comunidade do Antunes, em Marliéria, conta que há algumas semanas o felino teria matado vários cachorros em propriedades e dias diferentes. Em um dos ataques, foram três cães mortos na mesma situação.
Ivo José também mora perto da região do Perd e conta que desde outubro passado ocorreram várias aparições e ataques a animais de sua propriedade. “No primeiro ataque, foram abatidas mais de 40 cabeças de aves, entre galinhas, galos e galinhas de Angola. Uma semana depois a onça atacou o canil, onde estava um casal de cachorros pastor alemão e matou a fêmea”, relata.

O proprietário sabe que a proximidade com o parque facilita o acesso do felino, e explica que tem recebido orientações dos técnicos do Perd para proteger as criações da propriedade rural e dar condições de convívio. “O animal não conhece limites geográficos. É natural que eles circulem em busca de alimentos. Como nós estamos morando numa zona de amortecimento de uma Unidade de Conservação, nós, racionais, é quem estamos ‘invadindo’ o reduto dos animais silvestres. Então, na minha opinião, nós é que temos que nos adaptarmos e aprendermos a conviver com os ‘moradores’ nativos do Parque”.

Conforme explicado pelo biólogo, os estudos indicam que a onça não tem preferência de caça a animais domésticos. “A onça-pintada é um animal que prefere as florestas preservadas para se abrigar. Portanto, quando há alguma ocorrência, ela é pontual”, argumenta.

Como agir nestas situações
Vitor Baptista reforça que as onças evitam contato com humanos. Sendo animais furtivos possuindo hábito noturno em ambientes florestais bem preservados. Quando há algum avistamento do felino, é por questões pontuais, relacionadas à mudança de alguma variável em seu ambiente natural (como a caça de suas presas naturais), podendo levar ao deslocamento desses animais entre fragmentos florestais no período diurno.

“No caso de avistar alguma onça, o mais correto é não coagir o felino, se afastar com cautela e ligar para Polícia Ambiental. Lembrando que a onça-pintada é um animal protegido por leis ambientais específicas e qualquer atentado contra sua vida é passível de multa e até mesmo prisão”, alerta o biólogo.

Passagens na rodovia ainda precisam de avaliação


Grande extensão do trecho da pista da MG-760 está na zona de amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce, área em que as atividades humanas são restritas, com o objetivo de minimizar os impactos na Unidade de Conservação. Por isso o projeto para a sua pavimentação, concluído em 2023, contemplou a construção de passagens para a preservação da fauna.

Porém o biólogo Vitor Baptista explica que estudos de levantamento da eficácia dessas passagens são necessários para afirmar, ou não, a eficácia destes acessos.

“Tais estruturas, de uma maneira geral, facilitam a transição de animais de um lado para o outro da rodovia, sem que haja grande perda da biodiversidade por atropelamentos da fauna. No entanto, não são de fato utilizadas por todos e em todos os momentos de travessia pela fauna silvestre e doméstica”.


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Comentários

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Auxiliar de Campo

22 de fevereiro, 2024 | 11:50

“A temerosa onça afronta o imaginário daqueles que desconhecem a ciência.
Causar pânico vem sendo o papel do homem covarde, que nada mais é do que um ser vivo que não consegue conviver consigo mesmo. Que dirá com seus semelhantes e outros seres vivos.
Portanto, atentai-vos as maravilhas naturais que temos o privilégio de conviver.
Dai graça a Bondade Divina por nos conceder apreciar uma de suas mais belas obras...”

Serjão Berranterro

22 de fevereiro, 2024 | 10:52

“Matar o leão de hoje foi fácil. Difícil mesmo é sobreviver com os amigos da onça.”

Fernando

21 de fevereiro, 2024 | 22:38

“Vale ressaltar que o habitat natural da onça-pintada é a Mata Atlântica e não o PERD. O animal e todo o bioma já existia muito antes da criação da unidade de conservação. O parque é sim um dos últimos refúgios para esses animais e tantos outros ameaçados de extinção em Minas Gerais e no sudeste. Ressaltamos ainda que não há registros de ataques felinos a seres humanos na região e que, em relação aos animais domésticos, existem métodos de prevenção desses ataques.”

Ambientalista

21 de fevereiro, 2024 | 22:15

“Sobraram apenas 7% de mata atlântica em minas gerais, o parque do rio doce é um dos maiores remanescentes do estado. Se esses animais IMPORTANTÍSSIMOS não forem viver ali, vão viver onde?
Conviver com animais silvestres é essencial pra vida no campo. Não quer? Muda aqui pra cidade! Nunca topei com onça na 28 de abril!”

Solange Vidálgo

21 de fevereiro, 2024 | 21:57

“O diário do aço poderia bem mediar alguns comentários que claramente estão fazendo apologia a crime ambientais aqui, isso é muito sério!!!!
São animais em perigo de extinção, que claramente não comeriam gados se isso não fosse reflexo de um desequilíbrio causado justamente pelo ser humano...
Me entristece enormemente ver que essas mentalidades atrasadas estão cada vez mais comuns, reflexos de uma sociedade doente, mal informada, egoísta.
Primeiramente que a porcentagem de animais de criação que morrem em decorrência de ataques de felinos é ínfima, em vista de mortalidade por outros motivos (doenças, picada de cobras, quedas).
Quem tem o privilegio de morar perto de uma área tão conservada sabe o que é respirar um ar puríssimo e tomar uma água limpa, e pode crer que isso é raro no MUNDO nos tempos de hoje, e vai se tornar ainda mais raro daqui pra frente.
Uma mata sem a onça pintada, que é a predadora de topo da floresta, vive em desequilíbrio e tem sua conservação ameaçada. A onça anda mais ou menos 50 km por dia, infelizmente capturá-la e soltá-la em outro lugar não vai resolver. Existem técnicas COMPROVADAMENTE eficazes, para mantê-las afastadas, porque não se adequar? Vamos ser RACIONAIS e acima de tudo CONSCIENTES, estamos em 2024 e temos tecnologias e conhecimento para nos ajudar a resolver conflitos.”

Falo Mesmo

21 de fevereiro, 2024 | 18:46

“A onça tem que ser removida de lá. Os pesquisadores sabem como fazer o manejo. Se não tirarem o felino dessas propriedades ele será abatido. E tem mais. Se eu morasse lá com a minha família ela já teria rodado. Que comecem o mimimi. Ela saiu da sua área de matas e acostumou-se a comer cachorro, presa fácil e fresca por todos os lados. Se não tomarem cuidado, passa atacar pessoas também. Anotem.”

Branca

21 de fevereiro, 2024 | 17:50

“Os animais estão em seu habitat quem está invadindo é o homem que com sua ganância não respeita a natureza, não respeita nem o próprio homem! Então é bem complicado, a cada dia é menos floresta! E pra onde vão os animais? Conviver no meio onde o homem vive, pois é o que lhe resta!”

Tonico

21 de fevereiro, 2024 | 17:16

“Patativa do Sudeste, apresente a fonte científica de seus dados, por gentileza, já que está tão convicto.
Onças no município são sim um privilégio, já quem escreve em caps lock...”

Patativa do Sudeste

21 de fevereiro, 2024 | 13:53

“AÍ RODRIGO, SUA INFORMAÇÃO DE QUE RESTAM SOMENTE 300 ONÇAS EM TODA MATA ATLÂNTICA NÃO É VERDADEIRA. VC PRECISA ATUALIZAR-SE SOBRE ISSO. ESSE NÚMERO REPRESENTA APENAS 1/5 DO VERDADEIRO . E DEPOIS, NÃO CONSIDERAMOS PRIVILÉGIO ALGUM TER ONÇA PINTADA NO MUNICÍPIO. ELA TEM MAIS DIREITOS QUE OS HUMANOS QUE LUTAM PARA SOBREVIVER NA CONDIÇÃO DE PRODUTOR RURAL, DADA AS POUCAS OPORTUNIDADES QUE APARECEM PARA OBTEREM SUA RENDA. AÍ VEM UM BICHO DESTES E DEVASTA SUAS CRIAÇÕES E SE BOBEAR AINDA TE DEVORA. O IEF E ESSE BIÓLOGO NÃO TOMAM NENHUMA PROVIDÊNCIA, SÓ PRESTAM PARA INFORMAR QUE O ANIMAL É QUEM ESTÁ CERTO, E QUE OS HUMANOS ESTÃO INVADINDO A ÁREA DELES...ISSO É DEMAIS...ABSURDO...ISSO NÃO EXISTE.”

Carlos Belizário

21 de fevereiro, 2024 | 13:41

“Tenho um sentimento de orgulho de saber da existência de onças pintadas aqui por perto. Animal de topo é sinal que a cadeia alimentar ecológica está ativa e funcionando bem. A onça apenas quer ser onça! Pra quem for vizinho do PERD e necessitar, procure auxílio com os profissionais do Parque para o melhor manejo e conduta.”

Jns

21 de fevereiro, 2024 | 12:10

“Funcionária do restaurante chegou na portaria do PERD no início da manhã.

Ganhou carona numa caminhonete e, durante o deslocamento, ouviu uma pancada forte na lataria do veículo sem identificação da causa.

Após chegar ao destino e investigar a ocorrência com vestígios de arranhões na lataria do carro, o motorista concluiu que tinha sido alvo de ataque de onça.”

Rosania Aparecida de Morais

21 de fevereiro, 2024 | 09:18

“A coisa é seria da mesma forma a onça tem direto de viver . O meu cachorro tb tem tomara que ela não vem aqui não. A coisa vai pegar porque obrigado é captura lá e levar pro outro lugar”

Rodrigo

21 de fevereiro, 2024 | 08:03

“Foi muito importante a reportagem entrevistar um especialista (biólogo) da área.Quase sempre o animal é tratado como um grande vilão.Que privilégio ter uma onça-pintada de vida livre em um município na região Sudeste! Restam somente 300 onças em toda a mata atlântica.”

Joao Pereira

21 de fevereiro, 2024 | 08:03

“Eu tenho uma onça pintada na minha casa, ela fica na sala pendurada na parede .”

Gildázio Garcia Vitor

21 de fevereiro, 2024 | 08:03

“Ainda se fosse uma Paolla Oliveira! Também, não ia adiantar nada, do Diogo Nogueira, só tenho a cor dos olhos, mas com o dobro da idade. Como dizia minha Vó: "Ver com os olhos e lamber com a testa".”

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