Reprodução de vídeo
Animal tem rondado regiões próximas ao Parque Estadual do Rio Doce
Silvia Miranda - Repórter Diário do Aço Moradores e chacreantes de comunidades rurais de Marliéria têm observado a presença de onças-pintadas em sítios, estradas e localidades do entorno da mata do Parque Estadual do Rio Doce (Perd). As onças têm atacado animais domésticos e gerado apreensão entre os moradores das áreas rurais. O parque é um habitat natural da onça-pintada (Panthera onca), que é estudada e monitorada constantemente. Desde 2012, a região da Unidade de Conservação possui um projeto de pesquisa e conservação de animais silvestres de médio e grande porte, chamado de "Carnívoros do Rio Doce". Os estudos incluem o monitoramento do tamanho da população de felinos e da detecção de possíveis ameaças, além de fatores que possam influenciar o uso do ambiente por esses animais.
Na semana que passou, um vídeo divulgado nas mídias sociais mostra uma onça-pintada, com porte semelhante ao de um filhote, andando à margem da MG-760. As cenas chamam atenção e até assustam alguns moradores e usuários da estrada.
Estudos sobre a onça-pintadaVitor Baptista, biólogo sênior do Termo de Parceira IEF - Instituto Ekos Brasil e que atua no Perd, explica ao Diário do Aço sobre o comportamento da onça. Segundo ele, a ecologia dos felinos de grande porte é estudada sistematicamente por especialistas na área.
“Os resultados apontam que há preferência desses animais por áreas florestais bem preservadas, como é o caso do Parque Estadual do Rio Doce. Algumas questões podem interferir nesse comportamento, tal como a caça de suas presas naturais por humanos”, afirmou.
Ataque a cães e outros animaisUm morador da comunidade do Antunes, em Marliéria, conta que há algumas semanas o felino teria matado vários cachorros em propriedades e dias diferentes. Em um dos ataques, foram três cães mortos na mesma situação.
Ivo José também mora perto da região do Perd e conta que desde outubro passado ocorreram várias aparições e ataques a animais de sua propriedade. “No primeiro ataque, foram abatidas mais de 40 cabeças de aves, entre galinhas, galos e galinhas de Angola. Uma semana depois a onça atacou o canil, onde estava um casal de cachorros pastor alemão e matou a fêmea”, relata.
O proprietário sabe que a proximidade com o parque facilita o acesso do felino, e explica que tem recebido orientações dos técnicos do Perd para proteger as criações da propriedade rural e dar condições de convívio. “O animal não conhece limites geográficos. É natural que eles circulem em busca de alimentos. Como nós estamos morando numa zona de amortecimento de uma Unidade de Conservação, nós, racionais, é quem estamos ‘invadindo’ o reduto dos animais silvestres. Então, na minha opinião, nós é que temos que nos adaptarmos e aprendermos a conviver com os ‘moradores’ nativos do Parque”.
Conforme explicado pelo biólogo, os estudos indicam que a onça não tem preferência de caça a animais domésticos. “A onça-pintada é um animal que prefere as florestas preservadas para se abrigar. Portanto, quando há alguma ocorrência, ela é pontual”, argumenta.
Como agir nestas situaçõesVitor Baptista reforça que as onças evitam contato com humanos. Sendo animais furtivos possuindo hábito noturno em ambientes florestais bem preservados. Quando há algum avistamento do felino, é por questões pontuais, relacionadas à mudança de alguma variável em seu ambiente natural (como a caça de suas presas naturais), podendo levar ao deslocamento desses animais entre fragmentos florestais no período diurno.
“No caso de avistar alguma onça, o mais correto é não coagir o felino, se afastar com cautela e ligar para Polícia Ambiental. Lembrando que a onça-pintada é um animal protegido por leis ambientais específicas e qualquer atentado contra sua vida é passível de multa e até mesmo prisão”, alerta o biólogo.
Passagens na rodovia ainda precisam de avaliação
Grande extensão do trecho da pista da MG-760 está na zona de amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce, área em que as atividades humanas são restritas, com o objetivo de minimizar os impactos na Unidade de Conservação. Por isso o projeto para a sua pavimentação, concluído em 2023, contemplou a construção de passagens para a preservação da fauna.
Porém o biólogo Vitor Baptista explica que estudos de levantamento da eficácia dessas passagens são necessários para afirmar, ou não, a eficácia destes acessos.
“Tais estruturas, de uma maneira geral, facilitam a transição de animais de um lado para o outro da rodovia, sem que haja grande perda da biodiversidade por atropelamentos da fauna. No entanto, não são de fato utilizadas por todos e em todos os momentos de travessia pela fauna silvestre e doméstica”.