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10 de abril, de 2024 | 11:00

Aperam e Usiminas na transição energética: oportunidades e desafios

Antonio Nahas *


A Aperam, antiga Acesita, está conseguindo aumentar suas receitas de uma forma que não era sequer concebida algumas décadas atrás. Seus cem mil hectares plantados com eucalipto no Vale do Jequitinhonha, os quais foram reflorestados para abastecer de carvão vegetal os altos fornos das suas empresas, estão começando a produzir algo muito mais valioso: BIOCHAR.

Segundo informa empresa, Biochar é uma biomassa semelhante ao carvão, produzida a partir de resíduos agrícolas ou florestais orgânicos sem oxigênio, com capacidade de armazenar carbono da atmosfera por centenas de anos. Por isto gera Créditos de Carbono, que podem ser comercializados com quem deles precisa.

Quem compra os créditos de carbono vive situação oposta: para atingir metas de descarbonização das suas atividades, que incluem redução das emissões ou sua mitigação, os interessados vão ao mercado em busca desta nova mercadoria.
Para vendê-los, a Aperam concluiu acordo com a plataforma de carbono Patch, que compra e revende créditos de carbono mundo afora. Por enquanto a meta é comercializar 35 mil toneladas em 2024. As empresas que produzem o material passam por uma auditoria e, caso sejam aprovadas, podem vender créditos de carbono referentes a essa produção.

Preço por tonelada: 170 dólares, ou 860 reais, fazendo o total da venda alcançar 30,1 milhões de reais. O preço da tonelada de crédito de carbono é superior ao da tonelada do minério de ferro, que hoje está em média em 130 dólares ou 660 reais. E o minério de ferro precisa ser extraído das jazidas, beneficiado e ainda percorrer um longo caminho por ferrovias e navios até chegar ao seu destino.

A comercialização de créditos de carbono é praticamente virtual. Não há movimentação de mercadorias. Vende-se carbono retirado da atmosfera, seja em que lugar do mundo isto tiver acontecido. Um grande e promissor negócio. Uma oportunidade surgida com a transição energética, que visa impedir que o Planeta se aqueça mais de 1,5% graus até o final deste século.
“A implantação das políticas de transição energética deve se preocupar com a Justiça Climática, preservando as populações vulneráveis das tragédias ambientais”


Enquanto a Aperam vive este paraíso, a Usiminas atravessa um desafio oposto: os altos fornos movidos a carvão mineral geram grandes emissões de carbono, o que não era considerado nenhum problema há décadas atrás. A empresa enviou seus dados de emissões de carbono ao GHG Protocol, plataforma de acesso público sobre emissões de carbono, gerenciadas pela Fundação Getúlio Vargas. Enviou também para o Índice de Carbono Eficiente (IC02 B3), da Bolsa de Valores.

Ao ICO2 B3 foi informada a emissão de 5.899.956,49 toneladas de carbono, em 2021. Trata-se de uma quantidade considerável, com a qual a empresa deverá ter que lidar nos próximos anos. E não só a Usiminas: a Gerdau, com emissões de 11,7 milhões de toneladas e a CSN 12,8 milhões de toneladas também deverão investir em tecnologias que permitam a descarbonização do aço. Para não falar da Petrobras, com a emissão de mais de 50 milhões de toneladas/ano.

Estas emissões são elevadas e deverão ser equacionadas, para que as empresas - e a indústria de transformação - se adeque às exigências ambientais deste século. Nunca é demais lembrar que o Brasil firmou o Acordo de Paris, comprometendo-se a reduzir ou mitigar em 48% suas emissões até 2025; 53% até 2030 e atingir a neutralidade das emissões em 2050.

É importante ressaltar que a Transição energética deve ser JUSTA. Sua implantação e evolução gerará tanto oportunidades, como vimos na Aperam, como custos não previstos, como é o caso da Usiminas. A implantação das políticas de transição energética deve se preocupar com a Justiça Climática, preservando as populações vulneráveis das tragédias ambientais que vão continuar a acontecer. Mas também deve estar atenta para a distribuição dos custos da descarbonização da economia para toda a sociedade.

O seu objetivo não é penalizar empresas ou procurar culpados. Mas gerar soluções. E financiamentos/incentivos para os setores onde seu custo seja muito alto.

O mais importante é que haja transparência dos dados, como fez a Usiminas, para gerar soluções e parcerias com toda a sociedade. E, sobretudo, participação, protagonismo e interesse de todas as partes - setor produtivo; setor público; sociedade civil - na busca de alternativas. Nosso planeta precisa.

* Economista. Sócio diretor da NMC Integrativa. Contato: [email protected]

Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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Comentários

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Silvania Silva de Oliveira Queiroz

12 de abril, 2024 | 14:32

“com estas emissões o aquecimento global vai ficar cada vez pior e o planeta vai sofrer.”

Janice de o Silva Peres

12 de abril, 2024 | 14:31

“Quase 6 milhões de toneladas de gás carbônico... que absurdo. A Usiminas não está enganada com este números??!!”

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