20 de abril, de 2024 | 08:30

Neste dia 20 de abril celebra-se o Dia do Disco de Vinil

Matheus Valadares
Nildo tem uma coleção de quase 20 mil discos de vinilNildo tem uma coleção de quase 20 mil discos de vinil
por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
Para alguns, em plena era digital, as mídias físicas como CDs, DVDs e discos de vinis já estão obsoletos, para outros, estão “voltando à moda”. Mas há ainda alguns que acreditam que o vinil, especificamente, “sempre esteve aqui”. Essa é a opinião de Nildo Lagares, 58 anos, morador de Timóteo, comerciante e apaixonado por LPs, tanto que tem um acervo com cerca de 20 mil mídias.

Em alusão ao Dia do Disco, celebrado neste 20 de abril, a reportagem do jornal Diário do Aço foi até à casa do Nildo, onde funciona também o sebo de vinil.

A entrevista foi acompanhada de uma trilha sonora brasileira, de um dos diversos materiais de Nildo, e tocados, obviamente, em sua fiel vitrola. Ele contou que sua história com a música e com os discos começou cedo, e foi uma paixão passada de pais para filhos.

“Na minha família, falamos que nós nascemos no meio da música. Meu pai era músico, meus avós, na casa da minha avó, em João Monlevade, respirávamos música. Meu pai era funcionário da Usiminas, além de gostar da boa música, de cantar, de tocar. Ele tinha até uma banda que tocava em todo carnaval, e fazia os próprios instrumentos, inclusive. E ele sempre comprava discos, embora sempre fosse muito caro. Meu pai faleceu muito novo, com 56 anos, e a gente já ouvia, gostava de ouvir os discos dele, e herdei os discos, que estão comigo até hoje”, revelou.

Além de retratar momentos felizes e saudosistas, a música e o vinil estiveram com Nildo em um dos momentos mais difíceis de sua vida, e representou uma forma de recomeçar. Em meados de 2020, em plena pandemia, Nildo foi atropelado por uma motocicleta e ficou gravemente ferido. Formado em Administração, o agora comerciante trabalhava em uma loja de óculos da região.

“Eu estava no auge, trabalhando, quando aconteceu esse acidente. Você recorre à música, isso eu falo muito por mim, quando você quer ficar bem, você quer fazer o que gosta, ouvir o que gosta. Então eu tive uma luz que acendeu, e pensei porque não fazer do meu hobby um negócio. E eu tinha condições para isso, porque eu tenho quase 20 mil discos de vinil, e é uma quantidade que ela não baixa, porque ocasionalmente eu compro discos, como sempre fiz, e assim, já tenho quase quatro anos comercializando”, afirmou ao Diário do Aço.
Arquivo pessoal
Fred ao lado de sua fiel vitrola e de seus discosFred ao lado de sua fiel vitrola e de seus discos


Apesar de “negócios serem negócios”, há apegos, e Nildo tem dificuldade em deixar alguns de seus “filhos” saírem da loja.

“Muitos dos que frequentam aqui, clientes e amigos, rezam a lenda de que o que é bom está guardado, que eu não vendo. É difícil realmente porque antes de vendedor, muito antes, e antes de qualquer coisa relacionada a vinil, sou colecionador, tenho os meus discos, tenho meu acervo, e vender para mim sempre foi complicado”, disse em meio a risadas com um samba de fundo.

O diferencial do vinil
Muitos músicos e pessoas ligadas à música, com sensibilidade para o som aguçado, relatam que é possível perceber todas as nuances da música no vinil, diferente do digital, que é compactado.

Nildo também compartilha dessa visão. “Eu te digo que eu vou numa linha que eles vão também, que quando você ouve o vinil, o som é mais amplo”.

Para Carlos Frederico Campos de Assis, conhecido como Fred, professor do Cefet-MG Timóteo e também é um admirador do vinil, o LP é mais atraente para além da música.

“Ali tem várias informações, fácil de ler, tem a capa bonita, você tem aquela coisa de ouvir o disco por inteiro, a obra da pessoa. O vinil traz essa nostalgia, mas também essa forma de ouvir diferente que um CD, que um MP3 pode ter”, explicou.

Vinil supera CD
Um estudo realizado e divulgado pela Pró-Música, entidade que reúne as maiores gravadoras do Brasil, revela que no ano passado as receitas com vendas de discos de vinil cresceram 136% no país e superaram o faturamento de CDs e DVDs musicais pela primeira vez.

A comercialização de música em formatos físicos cresceu ao seu maior patamar desde 2018, mas mesmo assim, representa só 0,6% do faturamento da indústria fonográfica no Brasil, enquanto 87% vêm de plataformas de streaming.
Em 2023, o faturamento com venda de discos de vinil foi de R$ 11 milhões, enquanto CDs faturaram R$ 5 milhões e DVDs musicais cerca de R$ 400 mil.

Dia do disco
Conforme a Fundação Cultural de Casimiro de Abreu, o Dia do Disco, também conhecido como Dia do Disco de Vinil, surgiu em homenagem ao músico Ataulfo Alves, mineiro de Miraí, na Zona da Mata, que morreu em 20 de abril de 1968.

Assista a entrevista com Nildo Lagares



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Comentários

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Luiz Guilherme Amaral Junior

21 de abril, 2024 | 12:53

“Grande Nildo um amigo especial e que conheco sua História de Vida e sua trajetória!
Um grande abraço meu amigo e que Deus o abençoe, a Arinda e toda família!
Abraços”

Feliz

20 de abril, 2024 | 12:29

“O saudade da jumper. Se vc tambem frequentou deixa o comentario”

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