28 de maio, de 2024 | 06:00

Pouco provável

Fernando Rocha

A semana do Atlético pode ser uma das mais importantes para a sequência da temporada, sonhando com a possibilidade de conquistar ainda o primeiro lugar geral da fase de grupos da Copa Libertadores, que lhe daria o direito de jogar em casa a segunda partida de mata-mata, caso avance, até a semifinal.

O tropeço diante do Peñarol, na última rodada, que não estava nos planos do alvinegro, pois agora não depende apenas de si para conseguir a primeira posição, tornou bastante improvável alcançar o objetivo.

Líder do grupo G, com 12 pontos, o Galo garante a primeira colocação da chave com um simples empate hoje diante do fraco time do Caracas, mas vai precisar secar e contar com tropeços do Talleres, que enfrenta o São Paulo, no Morumbi; do Palmeiras, que recebe o San Lorenzo, no Allianz Parque; além do River Plate, que joga em casa contra o Deportivo Táchira. Muuuuito difícil!

Nos olhos
O gol do jovem atacante do América, Renato Marques, na vitória contra o Santos, em meio à contusão do goleiro João Paulo, trouxe de volta a discussão sobre o “far play” ou jogo limpo no futebol, com várias e diferentes opiniões a respeito.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que vivemos em um país com maioria de iletrados, culpa de uma educação ineficiente e bancada por políticos incapazes, muitas vezes corruptos, que na vida real tornam a gentileza, a solidariedade e as parcerias produtos bastante raros de se encontrar.

Não culpo o atacante do América que, dentro de uma visão normal e tacanha do futebol, fez o que deveria fazer, que é empurrar a bola para dentro do gol adversário, mesmo tendo visto o goleiro santista caído no gramado indicando uma contusão.

O que se sucedeu após comprovada a grave lesão do goleiro, isto sim comprova o quão pobre em educação e de espírito são os dirigentes, a comissão técnica e os jogadores do América, exceção feita ao capitão Juninho que se desculpou publicamente pelo fato ocorrido.

Ao não repor o prejuízo gerado ao adversário, fazendo um gol contra ou minimamente deixado que o fizessem, a equipe do América avalizou a cruel constatação da inexistência não só do far play no futebol, mas a dura realidade de um país dividido politicamente ao meio, onde o que prevalece na sociedade – e não é de hoje -, é o velho ditado popular “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Vida que segue!

FIM DE PAPO

Dentro de poucos dias, a seleção brasileira voltará a ser o foco principal das atenções, se preparando para disputar a Copa América. O técnico Dorival Junior, certamente, está diante de um grande dilema sobre o que fazer em relação a Lucas Paquetá, acusado formalmente pela associação de futebol inglesa de envolvimento ilegal com apostas. Tirá-lo ou não do grupo que disputará a Copa América, eis a questão complexa, embora seja o debate menos importante entre todos os itens que precisam ser colocados nessa discussão, que envolve jogadores, clubes, mas também muitos colegas de profissão que, em troca de bons cachês, emprestam suas imagens em “merchans”, que induzem principalmente os mais pobres ao vício de investir e gastar tudo o que ganham, até o que não têm, como se o jogo só possa existir com aposta.

Na Roma antiga, a mulher do maluco e sanguinário imperador Nero tinha, além de ser honesta, também parecer honesta. Seguindo essa premissa, faz-se urgente e necessário que o futebol sinalize muito claramente como agirá nesse tema que é sensível e mexe com a alma do esporte mais popular do planeta. O caso de Paquetá não pode ser tratado apenas como possível desvio de conduta. Impossível imaginar um jogador de futebol apostando em partidas, mas é óbvio que isto acontece, como se viu nos casos do italiano Tonali e do inglês Ivan Toney, ambos punidos com oito e dez meses de suspensões. Aqui, no Brasil, o Ministério Público de Goiás também andou punindo vários atletas.

Difícil encontrar um clube, nas principais divisões do futebol brasileiro, que não tenha recebido ou não receba dinheiro das casas de apostas, uma indústria bilionária e responsável por injetar um volume de dinheiro jamais visto na história desse esporte, em toda a sua existência. No entanto, fica cada vez mais claro que o futebol precisa discutir esta relação ética com o seu grande investidor. É preciso que deixe de ser apenas o recebedor dos milhões que caem fartamente em sua conta, para estabelecer também regras claras de comportamento dos atletas, que hoje se deixam seduzir pelas armadilhas de quadrilhas organizadas ou são movidos pela falta de escrúpulo e pela ganância.

Pelo menos, o Ministério da Fazenda publicou a portaria de regulamentação das empresas de apostas no Brasil. Agora ficou claro o que cada operadora precisa fazer, até 31 de dezembro deste ano, para conseguir autorização visando atuar no país. Caso isso não aconteça, a empresa passa a ficar irregular e isso pode gerar consequências, inclusive, para quem estiver sendo patrocinado por ela. Não dá mais para dizer que não há procedimento para operar o Brasil. Então, hoje, temos o marco de transição da indústria das apostas, e cabe agora ao futebol traçar as suas regras próprias de convivência com este gigante, para não perder a presunção de integridade do jogo. (Fecha o pano!)

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