Para Ipatinga e para todo o Vale do Aço, o anúncio do Campus Avançado da UFOP na nossa região é uma grande alegria. Uma instituição renomada como ela fortalece, imensamente, o polo metal mecânico aqui instalado.
As origens da UFOP são centenárias. Remontam a 1839, com a instalação da Escola de Farmácia em Ouro Preto, a qual foi a primeira faculdade do estado e a mais antiga da América Latina nesta área.
Em 1874, quando D. Pedro II trouxe para Minas Gerais o cientista francês Henri Gorceix, outro passo foi dado. Gorceix conhecia a mineralogia profundamente. Fora preparador de mineralogia, geologia e botânica na Escola Normal Superior de Paris. Antes de vir ao Brasil, era assistente de geologia na Escola Normal Superior na França. D. Pedro II chamou-o para dar uma resposta a um antigo sonho dos mineiros: conhecer o potencial mineral do estado e criar condições para sua exploração pelos próprios mineiros. Como o imperador bem sabia, Minas carregava o travo amargo de ter tido seu ouro explorado por Portugal, tendo sobrado apenas migalhas para o estado.
Gorceix encontrou em Minas uma riqueza incalculável de recursos minerais, mas que era explorada de forma artesanal. Seu projeto apresentado a D. Pedro previa a Fundação da Escola de Minas, para formação de geólogos, engenheiros, diretores, para o fortalecimento da indústria mineira.
“Ao invés de criticá-la, temos que procurar torná-la uma realidade, criando as condições para que esta se torne irreversível”
A Escola de Minas foi inaugurada solenemente de 12 de outubro de 1876 e cumpriu plenamente os seus objetivos. Dali saíram ideias, iniciativas, projetos que amadureceram por todo o estado, lançando as bases da nossa siderurgia. Por lá passaram Carlos Chagas, Pandiá Calógeras, Amaro Lanari, um dos fundadores da Usiminas, e Getúlio Vargas (que não concluiu o curso).
Em 1969, com a junção da Escola de Farmácia e da Escola de Minas, forma-se a UFOP, que agora vem para o Vale do Aço dar continuidade à epopeia de Gorceix.
Trata-se ainda de uma ideia inicial. Porém, ao invés de criticá-la, temos que procurar torná-la uma realidade, criando as condições para que esta se torne irreversível.
Como instituição federal, pode dedicar recursos a pesquisas nas áreas de interesse do empresariado local, criando produtos, barateando custos e aumentando a competitividade da indústria do aço.
É muito importante o envolvimento do setor público e das indústrias locais, para a atração deste importante vetor de desenvolvimento.
“É muito importante o envolvimento do setor público e das indústrias locais, para a atração deste importante vetor de desenvolvimento”
Ipatinga poderia fazer tratativas com a reitoria da UFOP, ofertando vantagens logísticas para tornar a instalação do campus irreversível.
As indústrias também podem fazer a sua parte, propondo parcerias e até mesmo atração de recursos para pesquisa e inovação. Basta lembrar que apenas na FINEP há 11 editais de subvenção econômica, totalizando 218 bilhões de reais, aguardando a proposição de empresas acompanhadas por instituição de ensino e pesquisa.
Em especial, a Usiminas, com a sua expertise tecnológica, que a destaca no grupo Ternium-Techint, poderia colher frutos importantes com esta integração, a exemplo da sua vitoriosa parceria com o SENAI.
Techint e o governo da ItáliaParabéns ao grupo Techint que soube valer a sua força e a sua influência política, levando as suas reivindicações diretamente a Lula, por intermédio da primeira-ministra Giorgia Meloni. Reivindicação muito justa. Gol de placa.
* Economista, empresário e morador de Ipatinga. Diretor da NMC Integrativa.
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