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A nova tributação, que inclui um imposto de importação de 25% sobre produtos que ultrapassam cotas estabelecidas pelo governo, incentivou algumas usinas a anunciarem aumento de preços para agosto
As vendas diárias de aços planos por distribuidores no Brasil atingiram um recorde em junho, registrando o melhor desempenho em um mês desde pelo menos 2015. Esse resultado positivo levou o setor a prever um crescimento de 3% em 2024. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), os distribuidores venderam 16,9 mil toneladas de aço plano por dia em junho, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. Em 2015, o volume de vendas foi de 12,3 mil toneladas.
O presidente do Inda, Carlos Loureiro, destacou que junho foi um mês de recuperação tanto para as usinas siderúrgicas quanto para os distribuidores. Esse cenário se deve ao aumento de preços e à expectativa de outros reajustes. Além disso, a nova tributação, que inclui um imposto de importação de 25% sobre produtos que ultrapassam cotas estabelecidas pelo governo, incentivou as usinas a anunciarem aumentos de preços para agosto. As empresas Gerdau e CSN elevaram os preços de produtos planos em 7% a 8%. Ainda não há informações sobre se as rivais ArcelorMittal e Usiminas seguirão o mesmo caminho.
Com os reajustes, o “prêmio” do aço produzido no Brasil em relação ao importado está em 12% a 13% para bobinas a quente. No entanto, com o imposto de importação incluído, esse prêmio cai para zero, o que pode abrir espaço para novos reajustes pelas usinas. Analistas do Bradesco BBI preveem que as importações continuarão em tendência decrescente daqui para frente. “Especialmente porque a quota (de importação) para o período atual – junho a setembro – foi quase totalmente concluída para a maioria dos produtos”, disseram os analistas.
Segundo os números do Inda, em chapas zincadas e galvalume as cotas de importação entre junho e setembro foram preenchidas entre 80% e 100% até o início da semana que passou. Isso ocorre também com alguns tipos de bobinas a quente e frias.
Já publicado:Estabelecidas cotas de importação de aço e imposto de 25% sobre o excedenteImportações Em junho, as importações de aços planos pelo Brasil caíram 13,3% ante maio, mas ainda mostraram crescimento de cerca de 5% sobre junho do ano passado, a 211,17 mil toneladas, afirmou o Inda. No acumulado do primeiro semestre, houve expansão de 22% nas importações, a 1,28 milhão de toneladas.
“Mas o pico de variação percentual (do acumulado) já começou a cair”, disse Loureiro, citando a expansão de 26% de janeiro a maio. Nesse volume, há importações feitas pelas próprias usinas siderúrgicas nacionais, como a CSN, que segundo Loureiro importou cerca de 300 mil toneladas de aço no primeiro semestre.
O presidente do Inda afirmou que a venda de aço plano pelos distribuidores em julho “vai ser bem acima de julho do ano passado” e com isso a “perspectiva de crescimento de 3% (em 2024) nos parece muito factível”.
Segundo a entidade, a previsão para as vendas de julho é de 333,6 mil toneladas, 7,5% acima do registrado um ano antes, mas 1,5% abaixo das 338,7 mil de junho.
O setor, responsável por cerca de um terço do consumo de aço produzido pelas usinas brasileiras, terminou o semestre passado com estoques de 929,5 mil toneladas, uma expansão de 9,4% sobre o volume de um ano antes e equivalente a 2,7 meses de vendas. A maior expansão nos estoques ocorreu em materiais zincados, cujo volume subiu 30,2%, a 133,1 mil toneladas.
(Com agências)