ONGs pedem cancelamento da reforma da Ponte Queimada

02/08/2024 às 08:00
Divulgação
Governo de Marliéria executou uma recente manutenção na estrada para organizar a licitação
Por Silvia Miranda - Repórter Diário do Aço
Um ofício encaminhado ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) pede o cancelamento da autorização para a reforma da Ponte Queimada, assim como a liberação da estrada do Salão Dourado, que passa dentro do Parque Estadual do Rio Doce (Perd). Entre as entidades que assinam o documento, estão organizações não governamentais ambientais, algumas localizadas nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Piauí. Onze das organizações não governamentais (ONGs) são de Minas Gerais.

Historicamente conhecida, a passagem é uma das entradas para o Parque Estadual do Rio Doce, com 200 metros de extensão, interligando os municípios de Marliéria e Pingo-d’Água sobre o rio Doce. O local teria recebido o nome de Ponte Queimada em razão de um incêndio em meados do século XVIII, que destruiu a primeira ponte de madeira construída sobre o rio Doce, mas a autoria deste incêndio possui várias versões, todas sem confirmação oficial. Em agosto de 2023, com o tablado de pranchões de madeira corroído pelo tempo de uso, a lendária Ponte Queimada voltou a ser alvo de um incêndio criminoso e desde então está interditada.

Entretanto, em junho deste ano, a administração municipal de Marliéria anunciou a realização de uma licitação para a contratação do serviço de engenharia para a reforma da Ponte Queimada. Um recurso do governo federal destinará R$ 1,160 milhão para o financiamento da obra. Atualmente, o Executivo vem montando o pregão e fazendo a limpeza da estrada para a visita técnica de empresas interessadas em participar da disputa.

Contestação
Alex Ferreira/Arquivo DA
Entidades solicitam controle de acesso a ser feito pelo IEF, nos dois lados da ponte

Porém, se depender de alguns ambientalistas, não será reformada para uso público. Um grupo de pessoas integrantes de entidades ambientais alega que a liberação do acesso facilitará a expansão urbana e de chácaras na zona de amortecimento do Perd e que há outra estrada, asfaltada (MG-759), que faz a ligação entre o Vale do Aço e Pingo-d’Água menos tempo. “Assim como o Conselho da Unidade de Conservação (UC), não somos contra a recuperação [da ponte], mas entendemos que isso só pode ser feito após projeto técnico, devidamente discutido pelo mesmo e com instituições da sociedade civil que defendem o parque, que preveja a construção de guarita, com vigilância armada durante 24 horas, e garantia de que o tráfego na estrada será permitido somente para veículos oficiais do órgão em serviço, brigadistas, pesquisadores, educação ambiental e turismo controlado”, diz uma parte do ofício enviado ao IEF.

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Argumentos
As ONGs também alegam que a reforma da ponte centenária poderá provocar aumento da vulnerabilidade a incêndios florestais, facilitar o acesso de caçadores, pescadores, extratores ilegais e garimpeiros, além do aumento do atropelamento de fauna e ruídos que podem assustar os animais. “Ameaça de toda ordem antrópica na porção de Mata Atlântica primária existente no parque, conhecida como Fazenda Campolina, de cerca de 6.000 hectares, perfazendo toda a região da estrada entre o Salão Dourado e a Ponte Queimada”, diz outra parte do texto.

Controle
A Fundação Relictos, com sede em Ipatinga, está entre as entidades que assinam o documento e declara preocupação com a reforma da Ponte Queimada. O representante, José Ângelo Paganini, que também integra o Conselho Consultivo do Perd, reforça que a estrada da Ponte Queimada, por estar localizada dentro da mata do Perd, deve continuar com o controle nos dois sentidos. E que o uso dela deve ser apenas para trânsito de veículos a serviço do parque, pesquisa científica, educação ambiental e turismo sustentável.

“O uso da estrada sempre foi um problema sério a ser resolvido. Recentemente, o Plano de Manejo do Perd foi atualizado com a participação de todos os interessados. Áreas ocupadas irregularmente na zona de amortecimento foram excluídas. A estrada, com anuência de todos, foi reafirmada como interna ao parque com estas condicionantes citadas. Já existe um controle do lado de Cava Grande, é necessário e urgente a colocação de outro na Ponte Queimada”, defende José Ângelo.

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