06 de agosto, de 2024 | 15:30
Produções audiovisuais transformam processo de aprendizagem em escolas
SEE-MG/Divulgação
Curta-metragem ''Resíduo Enquadrado'', de Ipatinga, foi exibido na 19ª Mostra de Cinema de Ouro Preto
Quando o cineasta Glauber Rocha proferiu a célebre frase "uma câmera na mão, uma ideia na cabeça", nos anos 1960, ele vislumbrava o impacto revolucionário do Cinema Novo no Brasil. Mal sabia ele que, décadas depois, a tecnologia dos smartphones democratizaria ainda mais a produção audiovisual, tornando-a mais acessível. Hoje, com um smartphone na mão, estudantes podem criar, editar e compartilhar conteúdos de forma inovadora e eficaz.
Curta-metragem ''Resíduo Enquadrado'', de Ipatinga, foi exibido na 19ª Mostra de Cinema de Ouro PretoNeste cenário, as produções audiovisuais têm se tornado cada vez mais comuns nas escolas da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), utilizando a arte como uma estratégia complementar no processo de ensino e aprendizagem. Estudantes de escolas estaduais em Belo Horizonte, Nova Porteirinha e Ipatinga estão transformando suas realidades e criando conteúdos audiovisuais com recursos limitados, mas de certa forma semelhante ao movimento do Cinema Novo.
Por intermédio das ações desenvolvidas no componente curricular Projeto de Vida e outras iniciativas escolares, a produção audiovisual está promovendo aprendizado, conscientização, socialização e entretenimento para esses estudantes, explica a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Kellen Senra.
"Os projetos focados no audiovisual são extremamente valiosos pois, além de estarem alinhados com o currículo referência de Minas Gerais, ajudam no desenvolvimento das capacidades de expressão dos estudantes. A pesquisa envolvida também enriquece a formação dos estudantes", afirma Kellen Senra.
Destaque no CineOP
Na 19ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto - CineOP, um curta-metragem produzido por estudantes da Escola Estadual Manoel Izídio, em Ipatinga, ganhou destaque. O filme Resíduo Enquadrado”, que explora questões ambientais com criatividade e sensibilidade, contrasta a urbanização da cidade com a natureza, e incita reflexões sobre sustentabilidade.
O curta-metragem contrasta elementos urbanos com a natureza, apresentado ameaças e conflitos de maneira dramática e lírica”, descreve a produção. Lançado no final de 2023, o filme foi criado durante a Oficina de Cinema, Meio Ambiente e Mídia Móvel, liderada pelo cineasta Gustavo Jardim e supervisionada pela professora Flávia Cândida Pinho. Resíduo Enquadrado” demonstra a capacidade dos jovens e reflete o potencial das iniciativas educacionais e comunitárias.
Reflexão sobre bullying
Na Escola Estadual João Câmara, em Belo Horizonte, os estudantes aprenderam fundamentos audiovisuais e criaram o filme Sem Brava! É o Karma”, que aborda o bullying e transmite uma mensagem de empatia e busca por ajuda. A iniciativa encerrou a Salinha de Cinema, do projeto Manutenção Noite de Cinema, e contou com um evento aberto à comunidade escolar.
O filme traz uma reflexão sobre o bullying, tema frequentemente discutido nas escolas da rede. A mensagem central é a importância de buscar apoio de responsáveis e colegas em situações de bullying, demonstrando que, com informação e empatia, é possível superar essa prática.
"O projeto me ajudou a superar minha timidez e a me soltar mais", afirma Beatriz Luiza dos Santos, de 13 anos, que interpretou a amiga da personagem principal. Durante os oito meses do projeto, os estudantes, com o suporte técnico do Cine Teatro Popular e a orientação dos servidores da escola, aprenderam desde a elaboração do roteiro até a produção completa do filme. Além das técnicas audiovisuais, tiveram uma imersão na história da região de Venda Nova, incluindo visitas ao Parque Serra Verde e ao Centro Cultural de Venda Nova.
Quadrilha virou filme
Na Escola Estadual Erezinha Antunes Martins, em Nova Porteirinha, a tradicional festividade julina inspirou o curta-metragem Sertão em Alvoroço”. A professora Aline Esteves aproveitou a festa típica para desenvolver um projeto audiovisual envolvente. A proposta foi explorar a tradição das festas caipiras com atividades de música, dança e teatro, resultando em um curta divertido e de alta qualidade”, destaca. A escola planeja exibir o filme em breve na praça principal da cidade, o mesmo local onde os estudantes se apresentaram com a quadrilha.
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