Divulgação CNM
''Nosso calendário de vacinação virou um queijo suíço (cheio de furos); É mais fácil perguntar quais vacinas estão disponíveis nos postos'', afirmou Marcos Vinicius
A Associação Mineira de Municípios (AMM) denunciou esta semana que o Ministério da Saúde tem atrasado a entrega de vacinas em Minas Gerais e prefeitos têm que lidar com a cobrança dos pais. Em resposta à imprensa, o Ministério da Saúde admitiu escassez de sete vacinas em Minas Gerais. O problema é atribuído pela pasta aos atrasos na distribuição.
Conforme a AMM, tem faltado as vacinas tríplice viral, hepatite A, febre amarela, varicela (catapora), raiva em cultura celular/vero, meningocócica conjugada grupo C e meningocócica conjugada ACWY.
Com relação à vacina que previne a catapora, o restabelecimento está previsto apenas para o primeiro semestre de 2025.
Em outros casos, como as vacinas tríplice viral (que previne sarampo, caxumba e rubéola) e a contra febre amarela, a normalização deve ocorrer até dezembro deste ano, conforme o MS.
A denúncia da AMM, assinada pelo presidente da entidade e prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinicius, aponta o risco de surtos de doenças graves, dentre elas, o sarampo, devido à falta de imunizantes.
“Nosso calendário de vacinação virou um queijo suíço; é mais fácil perguntar quais vacinas estão disponíveis nos postos”, afirmou Marcos Vinicius, destacando que a ausência prolongada de vacinas ameaça destruir o trabalho de três décadas de imunização.
"Morreu já um bebê no Sul de Minas e há risco de um surto de sarampo. Há casos em que falta vacina há 90 dias. Não tem vacina. O desabastecimento é geral", dispara o prefeito em mensagem enviada ao Diário do Aço.
Arquivo DA
Desabastecimento atinge sete tipos de vacinas e algumas delas só devem ter fornecimento normalizado ano que vem
O que diz o Ministério da Saúde
A vacina meningocócica conjugada grupo C (Meningo C) está em situação de desabastecimento devido a problemas com o fornecedor, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que não teria cumprido o cronograma de entregas de 2024.
Além disso, a vacina meningocócica conjugada ACWY, que tem sido utilizada para substituir a Meningo C, também teve sua demanda aumentada, o que complicou ainda mais a situação.
O Ministério também informou que houve atraso na distribuição das vacinas contra hepatite A e febre amarela devido a problemas de controle de qualidade. Para a febre amarela, uma aquisição emergencial internacional está em andamento, com previsão de normalização dos estoques até dezembro de 2024.
A vacina contra a raiva, segundo o Ministério da Saúde, já está sendo distribuída após a assinatura do contrato com o fornecedor, aguardando apenas a liberação pelo Instituto de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz).
No caso da vacina contra varicela, a escassez foi atribuída a obstáculos regulatórios e de fabricação. Uma compra emergencial foi realizada no fim de 2023 por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com entregas previstas para os próximos meses.
No entanto, o reabastecimento completo só está previsto para o primeiro semestre de 2025, devido à produção limitada tanto no mercado nacional quanto internacional.
Quanto à vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, o Ministério da Saúde informou que a distribuição está sendo contingenciada devido a problemas na entrega e liberação pelo laboratório produtor.
Uma compra emergencial foi feita via OPAS, com previsão de normalização até dezembro de 2024. Diante da situação, o Ministério da Saúde recomenda que, “assim que os estoques forem restabelecidos, seja realizado um resgate dos não vacinados e daqueles com esquema vacinal incompleto, para garantir a continuidade da imunização”.
“Ressalta-se que as vacinas são algumas das moléculas mais complexas já inventadas, e os sistemas que as implantam, monitoram e financiam são igualmente complexos. Os aspectos produtivos e logísticos de vacinas são compostos por diversos desafios que se tornam ainda maiores em um Programa de Imunização tão grande quanto o do Brasil”, completa a nota enviada à imprensa.