07 de setembro, de 2024 | 08:30
IA precisa ser treinada para atender às necessidades pedagógicas dos estudantes, defende professor
Arquivo pessoal
Com amplo currículo voltado para educação, o professor Eucidio Pimenta defende o uso estratégico de tecnologias na alfabetização dos alunos
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
Com amplo currículo voltado para educação, o professor Eucidio Pimenta defende o uso estratégico de tecnologias na alfabetização dos alunosOs conceitos de educação 4.0 e educação 5.0 têm cada vez mais ganhado espaço. O primeiro, tem como principal característica a integração da tecnologia em sala de aula e o uso de ferramentas digitais, como as salas de aula virtuais, algo que já vivenciamos atualmente. O segundo dá um passo a mais, e busca aproveitar todas as possibilidades da era digital para transformar a experiência educacional, mas com uma abordagem humanística.
Em alusão ao Dia Internacional da Alfabetização, celebrado neste domingo (8), o Diário do Aço entrevistou o mestre e doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor e editor-chefe da revista Educação em Revista da UFMG, Eucidio Pimenta Arruda, que explicou como o avanço da tecnologia, sobretudo a Inteligência Artificial (IA), pode auxiliar na educação de crianças e adolescentes.
Para o especialista, o primeiro passo é os gestores públicos entenderem que a tecnologia não substitui o profissional. A partir disso, a formação do professor para entender a lógica desta tecnologia, para que possa propor usos e comandos torna-se um dos principais pilares desta capacitação. Quanto mais ampla for a formação do professor, no sentido dele se apropriar da IA e criar seus próprios comandos, melhor a sua usabilidade”, afirma.
Eucidio defende que é necessário pensar em tecnologia além da compra de computadores e outros eletrônicos. Junto a este desafio, deixamos de utilizar recursos de IA como consumidores e tornarmos nossos estudantes e professores em pessoas que produzem conhecimento escolar e científico de qualidade com tecnologias. Precisamos deixar de ser um país de memes ou de dancinhas de Tik Tok para nos tornarmos produtores de tecnologia e de conteúdos que tenham valor social agregado e permita uma formação intelectual mais aprimorada”, defende o professor.
O resultado disso seria um Brasil mais competitivo, com maior produção científica e, de forma direta, com maior potencial para gerar riquezas.
Ao entender que uma boa formação tecnológica produz benefícios não só a estudantes e professores, mas a toda a sociedade, em toda a cadeia produtiva e social, poderemos construir uma ideia de futuro mais promissor, que nos tire do lugar daquele país que só consome e paga por tecnologias desenvolvidas por outros, mas que se torna um grande criador de tecnologias que possam transformar a vida dos brasileiros, tornando-os mais produtivos, melhores qualificados e, por conseguinte, menos pobres em termos financeiros e culturais”.
Treinamento
Eucidio defende o treinamento não somente dos professores, mas também da própria IA, para que os vícios, erros e devaneios” não ocorram durante o uso da ferramenta. Além disso, irá garantir um aprendizado personalizado que atenda às necessidades individuais dos alunos, adequado à realidade que ele está inserido.
É necessário um amplo treinamento da Inteligência Artificial para que ela atenda às necessidades pedagógicas dos estudantes de cada nível, a partir do que estudam, os materiais didáticos e referenciais curriculares nacionais, inclusive nos ajustes para que as IA não forneçam respostas erradas a estudantes e professores. Os sistemas de inteligência artificial existentes geralmente respondem de forma genérica, que pouco contribui para a melhoria da aprendizagem estudantil”.
Sobre o aprendizado dos profissionais da educação, Eucidio não acredita em limitações técnicas ou pedagógicas. As possibilidades da IA são completamente abertas a qualquer disciplina ou faixa etária. Precisamos de professores bem formados para obter o máximo em termos de conhecimento escolar para seus estudantes”.
Benefícios e malefícios
Entre os possíveis benefícios na utilização de IAs para alfabetização no ensino público, Eucidio elencou a individualização do ensino e da aprendizagem, porque a partir da leitura de respostas e interações de estudantes, é possível a uma inteligência artificial elaborar materiais direcionados às principais dificuldades pedagógicas ou atuar como um tutor on-line que tira dúvidas em tempo instantâneo de forma personalizada. Além disso, o profissional destacou o acesso a materiais diversificados, que potencializa não só o caráter multimídia do ensino, com diferentes tipos de materiais, como criação de áudio, imagem, filmes, mas também amplia a acessibilidade de pessoas com deficiência, por meio da criação de materiais acessíveis".
Quanto aos malefícios, o destaque fica para o uso indiscriminado da IA para produzir conteúdo - o que pode diminuir a capacidade de criação e inovação dos estudantes. Outro aspecto importante, conforme o especialista, é que a IA produz conteúdos falsos, em escala significativa. Dessa forma, é fundamental fortalecer a formação dos estudantes para que eles sejam críticos em relação ao uso desta tecnologia”, finaliza.
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Adalberto Pastana Pinheiro
09 de outubro, 2024 | 09:16Professor Eucídio pontua mto bem nessa entrevista questões que gestores e professores(as) devem estar atentos no que diz respeito a IA. Ressalto aqui apenas um momento dessa entrevista: "As possibilidades da IA são completamente abertas a qualquer disciplina ou faixa etária. Precisamos de professores bem formados para obter o máximo em termos de conhecimento escolar para seus estudantes". Essa formação de professores, que o Professor faz referência, infelizmente é sempre desprezada pelos gestores de educação públicos e da iniciativa privada, pela academia e, muitas das vezes, pelos meus colegas. E agora? O que fazer?”
Jacquelin
07 de setembro, 2024 | 20:48Um dos momentos mais deliciosos da minha infância foi o momento mágico que percebi que conseguia ler de forma fluida e entender o texto de um livro que uma tia utilizava na alfabetização de adultos, falava do pantanal e da região. Não era um texto fraco, era denso. Tive a sorte de ser criada rodeada por livros, dicionários, enciclopédias, revistas tantos em quadrinhos como Realidade, História, edições especiais sobre futurismo, e até as fúteis revistas ditas femininas... Poucos pais dão livros para os filhos manusearem. É mais fácil dar um celular ou tablet com joguinho. A criança fica ali hipnotizada, recebendo gratificação de dopamina barata enquanto os país se ocupam de outras tarefas, sérias, celular, reality show e programação ruim na TV. E assim construímos uma sociedade que será dominadas por poucos mais aptos mas nem sempre bem intencionados. Estes dominantes terão cada vez mais gente idiotizada pelo celular e redes sociais, facílimas de serem controladas, manipuladas e escravizados pelo consumo de conteúdo e produtos de baixa qualidade!”
Jane
07 de setembro, 2024 | 20:40Se professores agem como robôs, já ouvi de professor que eles não são obrigados a dar "educação" (no sentido de ensinar ao aluno a dar bom dia ou pedir por favor). dizem que isto é missão dos país. Ora se os pais não receberam esta educação, se os jovens pais parecem animalizados quem vai ensinar então. Para este tipo de professor um robô substituiria bem. Para a turma que vive de depressão e afastamento médico para não ir para aula mas está animadíssima em praias, botecos e festas robô substitui no total. Mas para aquele professor atento, que sabe ter autoridade sem ser autoritário que consegue ter diálogo principalmente com os adolescentes... este último é insubstituível. Já tive experiência com adolescentes de um projeto, todos considerados difíceis. Tive mais satisfação de trabalhar com eles do que com adultos mimados, trapaceiro e falsos de um universidade federal. Se Deus quiser e me der saúde brevemente irei trabalhar em um projeto com jovens!”
Gildázio Garcia Vitor
07 de setembro, 2024 | 09:17De sonhos utópicos, principalmente na Educação e na melhoria de sua qualidade, já desisti. Ainda mais, que qualidade, quem tem que ter, também, são as famílias e os alunos, sendo muitas carentes até de afetos. A IA pode muito, mas, semelhante aos Professores, não faz milagres.”