Com uma trajetória repleta de conquistas, Domingos Quaresma relembra sua passagem pela Usiminas

31/10/2024 às 14:56
Anderson Figueiredo
Em entrevista ao jornal, ele contou a sua trajetória na siderurgia

No dia 26 de outubro a Usiminas completou 62 anos de operações no Brasil. A data marca o dia em que o ex-presidente do país, João Goulart, acendeu o primeiro alto-forno da siderurgia, em Minas Gerais. Em entrevista ao Diário do Aço, um dos personagens que presenciou esse momento histórico, Domingos Quaresma, conta como foi fazer parte da história de um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina.

Natural de Rio Piracicaba, Domingos Quaresma trabalhou na Usiminas por 21 anos, entre os anos 1961 e 1982. Hoje ele tem 94 anos de idade. Além de ter sido um dos construtores da Usiminas, exerceu o cargo de diretor do Sindipa por diversos mandatos, foi um dos fundadores da Consul e da Coopeco, bem como atuou como dinamismo na implantação da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga (AAPI).

Também foi presidente da Associação dos Moradores dos bairros Cariru e Castelo, sempre envolvido nas atividades da Igreja Católica do Cariru. Exerceu o cargo de vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep 4). Integrou o corpo de jurados da Comarca de Ipatinga. Na Secretaria Municipal de Obras, o pioneiro prestou serviços à população ipatinguense. Já até mesmo recebeu o título de cidadão honorário da cidade.

Confiança
Anderson Figueiredo
Domingos Quaresma trabalhou na Usiminas por 21 anos, entre os anos 1961 e 1982

Ele conta que entrou para a Usiminas acreditando que a empresa seria capaz de oferecer diversas oportunidades àqueles que acreditaram nela, assim como trazer inovações e soluções para a região, pensando, sobretudo, no futuro. “Quando ingressei na empresa, eu tinha 31 anos. Trabalhei na antiga Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, onde me estabilizei. Como a Usiminas estava muito famosa, confiante, e havia muitas pessoas acreditando nela, inclusive eu, tomei a minha decisão”, detalha.

“Quando ocorreu a inauguração da Usiminas, eu morava em Coronel Fabriciano, e fiz questão de ir até lá para assistir. Eu sou curioso, gosto de participar e de aprender. Nós estamos sempre aprendendo alguma coisa, especialmente em ambientes de grande importância. Foi uma festança quando chegou o então presidente da República, João Goulart. O ex-governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, também esteve presente. Eu estava bem perto deles. Foi quando João Goulart pegou a tocha de fogo e levou para acender o primeiro alto-forno da siderurgia”, pontua o pioneiro.

Etapas
Ele também recorda de cada etapa que teve que passar na usina. “Eu comecei como encarregado de serviços de construções, serralheria e tubulações. As tubulações eram o meu forte. Já havia começado nessa área em João Monlevade, onde aprendi a profissão. Mexi com tubos a frio, fazia curvas e diversos raios, dentre outras. Passei pelos primeiros serviços que foram executados na coqueria, junto a uma turminha de ajudantes na oficina mecânica antiga”, acrescenta ao jornal.

Momentos
Domingos Quaresma lembra com muito apreço dos japoneses que pôde trabalhar em conjunto na época em que atuou na siderurgia. Segundo ele, os momentos de companhia, amizade e aprendizado são a sua melhor lembrança.

“O que mais me marcou, que até hoje eu lembro com saudade, foi a convivência com os japoneses que vieram do Japão para instalar a usina. Eu estou muito feliz por ter sido beneficiado com essa experiência. Eles deixaram muita saudade por suas cortesias, técnicas e capacidade. Uma coisa muito importante neles é a simplicidade, além da inteligência. Era uma gentileza. Sempre nos recomendaram e ensinavam a coisa certa”, alega.
Anderson Figueiredo
O pioneiro se orgulha de ter participado da história da Usiminas e, de forma conseguinte, da de Ipatinga

Conforme suas afirmações, a Usiminas seguia bastante os valores dos japoneses, que estavam na direção no início. “Por esse motivo, sempre houve a preocupação com o trabalhador. Não era só querer ir na usina para trabalhar, não. Havia prioridades com alimentação, assistência social e saúde. A empresa se preocupou com isso, com o bem-estar de quem trabalhava para ela”, destaca.

Coopeco
Além dos momentos com aqueles que vieram do Japão para atuar no desenvolvimento da siderurgia no município ipatinguense, Domingos Quaresma ainda se emociona ao falar da Coopeco.

“A Usiminas sentiu que os trabalhadores também precisavam de fazer uma economia, de terem a oportunidade de conquistar os seus carrinhos. Antes, nós só andávamos de bicicleta. A empresa pediu para uma assistente social ir até São Paulo tratar de documentações a fim de fundar uma cooperativa de crédito para os empregados em Ipatinga. Tenho um imenso orgulho de ter participado desse projeto que foi de grande importância para a sociedade, assim como de vários outros”, finalizou.
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