04 de dezembro, de 2024 | 14:37
Mais da metade dos estudantes não tem noções básicas de matemática
A maior parte dos estudantes do 4º ano do ensino fundamental não foi capaz de resolver questões de soma de números em matemática ou mesmo, em ciências, identificar que plantas precisam de luz para sobreviver.
Mariana Tokarnia Repórter da Agência BrasilAlexandre Campbell/IMPA
Índice alcançado por estudantes brasileiros ficou atrás de países como o Chile, Espanha, Portugal, Canadá, Coreia e Finlândia. Ficou à frente do Marrocos, em todos os rankings.
Índice alcançado por estudantes brasileiros ficou atrás de países como o Chile, Espanha, Portugal, Canadá, Coreia e Finlândia. Ficou à frente do Marrocos, em todos os rankings.
Mais da metade dos estudantes brasileiros do ensino fundamental não domina conhecimentos básicos de matemática. De acordo com os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss), divulgado nesta quarta-feira (4), esses estudantes estão abaixo do nível considerado baixo. Em ciências, mais de um a cada três estudantes não obtiveram pontuação suficiente para chegar ao nível mais baixo de proficiência. Na outra ponta, apenas 1% dos estudantes alcançaram o nível máximo de conhecimento nessas áreas.
Isso significa, por exemplo, que a maior parte dos estudantes do Brasil do 4º ano do ensino fundamental não foi capaz de resolver questões de soma de números em matemática ou mesmo, em ciências, identificar que plantas precisam de luz para sobreviver.
Esta é a primeira vez que o Brasil participa do estudo. O país aderiu ao Timss em 2022, e a primeira aplicação foi realizada em agosto e setembro de 2023. Participaram ao todo 72 países.
O estudo avalia o desempenho de estudantes em ciências e matemática no 4º e no 8º ano do ensino fundamental e é aplicado mundialmente a cada quatro anos. Os dados permitem comparações entre países e ao longo do tempo. As provas são eletrônicas, e os participantes do 4º ano tiveram duas sessões de 36 minutos para resolver as questões, e os do 8º ano, duas sessões de 45 minutos.
Pontuações
As pontuações são divididas em quatro níveis: baixo (a partir de 400 pontos), intermediário (475), alto (550) e avançado (625). No 4º ano, o Brasil obteve uma média de 400 pontos em matemática e 425 pontos em ciências. A média internacional foi, respetivamente, 503 e 494 pontos.
Já no 8º ano, o Brasil obteve 378 em matemática e 420 pontos em ciências. A média internacional foi 478 pontos em ambas as avaliações.
Questão aplicada a alunos no Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências - Inep/Divulgação
As pontuações colocam o Brasil no nível baixo ou mesmo abaixo do baixo. Para se ter ideia, no 4º ano, pelos critérios do exame, os alunos demonstram, por exemplo, uma compreensão básica de matemática. Conseguem adicionar e subtrair números inteiros com até três dígitos, multiplicar e dividir números inteiros de um dígito e resolver problemas com palavras simples.
Em ciências, no mesmo nível, os estudantes mostram, por exemplo, ter conhecimento sobre alguns fatos científicos. Eles demonstram um conhecimento básico sobre plantas, animais e o meio ambiente. Mostram ainda algum conhecimento sobre as caraterísticas da Terra, suas mudanças ao longo do tempo e seu clima.
Abaixo do baixo
No Brasil, grande parte dos alunos não chegou sequer ao nível baixo. Os resultados mostram que 51% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível baixo em matemática no 4º ano. No 8º ano, essa porcentagem é ainda maior, 62% abaixo do baixo em matemática. Na média internacional, 9% dos estudantes ficaram nesse nível no 4º ano e 19% no 8º ano.
Em ciências, 39% dos estudantes brasileiros não alcançaram o nível baixo no 4º ano e 42% ficaram abaixo do baixo no 8º ano. Na média internacional, essa porcentagem foi de 10% no 4º ano e 20%, no 8º.
Na outra ponta, tanto em matemática quanto em ciências e tanto no 4º quanto no 8º ano, apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiram o nível máximo de proficiência.
Comparações
Em relação aos demais países participantes, o Brasil ficou mais próximo à base dos rankings. Entre os estudantes do 4º ano, com 58 países participantes, o Brasil ficou em 51º em ciências e em 55º em matemática. No 8º ano, com 42 países participantes, o Brasil ficou em 33º em ciências e em 41º em matemática.
O país ficou atrás de países como o Chile, Espanha, Portugal, Canadá, Coreia e Finlândia. Ficou à frente do Marrocos, em todos os rankings.
O Timss é organizado pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA) e avalia o desempenho de estudantes em ciências e matemática no 4º e no 8º ano desde 1995.
No Brasil participaram 44.900 mil estudantes, sendo 22.130 matriculados no 4º do ensino fundamental de 796 escolas públicas e privadas e 22.770 do 8º ano de 849 instituições de ensino. Responderam também aos questionários 904 professores de matemática e 916 de ciências.
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Dura Realidade
05 de dezembro, 2024 | 21:07Na prática o conhecimento, o acesso à informação sempre foi um recurso acessível a poucos. Muito do que o José do Carmo e o Gildázio Garcia citaram fazem muito sentido quando pensamos que já vivemos uma espécie de novo feudalismo. A distribuição da riqueza gerada no mundo permaneceu apenas como utopia. E esse novo feudalismo tem muito a ver com essa nova geração que não sabe ler, mal sabe escrever, não sabe fazer contas, vive de migalhas, sem acesso ao desenvolvimento e assiste a tudo por uma tela diminuta.”
Gildázio Garcia Vitor
05 de dezembro, 2024 | 17:01O Sr. José do Carmo bateu em uma tecla muito mais importante que saber Matemática básica, coisa que qualquer calculadora comprada na Feira do Bethânia resolve. Agora, ler e saber o significado do que está lendo, são outros 500 elevados a n.
O analfabetismo funcional já chegou inclusive aos Professores, e nem é culpa deles apenas, é também nossa, Professores da rede pública*, que, já faz tempos, concordamos em aprovar alunos que ainda não têm capacidade de ler e interpretar um pequeno texto.
Continuo acreditando na minha amiga e Mestra, Margarete Abreu: "Quem lê muito, sabe muito; quem lê pouco, sabe pouco; e quem não lê nada, não sabe nada".”
José do Carmo
05 de dezembro, 2024 | 06:30Lido com o público diariamente e atendo principalmente jovens em meu comércio. Tenho certeza que se o estudo fosse em relação a interpretação de texto, a vergonha seria maior. A maioria dos jovens não tem a menor noção do que seja conjugação verbal, concordânia nominal. Eles confundem interrogação com exclamação. Ao enviar mensagem são incapazes de estabelecer se é uma afirmação ou indagação. Igualmente, quando recebem uma mensagem pelas redes sociais não sabem diferenciar quando é uma afirmação ou interrogação. Caminhamos para um caos absurdo, em que a comunicação compreensível pela massa deixa de ser a escrita para ser a falada, seja em áudio ou em vídeo curto.”