08 de dezembro, de 2024 | 06:00
Dias de terror
Fernando Rocha
O ex-governador Magalhães Pinto, cujo nome foi dado ao Mineirão, deixou imortalizada a frase: Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.Pura verdade que se aplica muito bem ao futebol, ao Atlético, após cinco anos sob o comando dos 4 erres”, que assumiram o clube antes mesmo de virar uma SAF, falando de planejamento”, compliance”, colegiado”, gestão” e por aí afora.
Ganharam Brasileiro, Supercopa, Copa do Brasil e vários estaduais, mas agora o quadro mudou completamente e o time se vê sem treinador, fora da Libertadores de 2025, sob o risco de rebaixamento e, caso permaneça na Série A, sem a certeza de disputar ao menos a Copa Sul-Americana no próximo ano.
Diretoria fraca, onde o investidor principal já disse que não vai melhorar o time, não vai fazer contratações de peso para o ano que vem, muito antes pelo contrário, precisa reduzir despesas. Enfim, um quadro preocupante que nem mesmo o mais pessimista dos atleticanos poderia prever para este fim de ano.
Jogou a toalha
Ao deixar vazar à imprensa azul da capital a informação de que o técnico Fernando Diniz será demitido hoje, mesmo que o time celeste vença o Juventude, a meu juízo, significa que a SAF do Cruzeiro jogou a toalha para o objetivo de disputar a Libertadores no próximo ano.
Além de vencer o time gaúcho, em Caxias do Sul-RS, terá de torcer por um tropeço do Bahia, em casa, contra o rebaixado Atlético-GO.
Foi um erro grave da nova SAF celeste contratar Fernando Diniz, campeão da Libertadores/2023 com o Fluminense, com a temporada já caminhando para o final.
De fato, os resultados dele são pífios: em 14 jogos à frente da equipe celeste foram apenas duas vitórias, seis empates e seis derrotas, um aproveitamento de time rebaixado, pouco mais que 28%.
Diniz mesmo disse, após a derrota de virada para o Palmeiras, por 2 a 1, na última quarta-feira, no Mineirão, que este é "o pior trabalho" de sua carreira.
O treinador, campeão ano passado da Libertadores com o Fluminense, depende de tempo e de qualidade no elenco para implantar o seu sistema de jogo predileto, diferente de tudo que a gente vê por aí.
Não teve tempo suficiente e a qualidade do elenco também não o ajuda, pois o grupo atual foi montado, majoritariamente, ainda na gestão de Ronaldo Fenômeno, com potencial apenas para se manter na Série A.
FIM DE PAPO
A disputa para não preencher a última vaga do rebaixamento promete hoje as mais fortes emoções. Bragantino, Athletico-PR, Fluminense e Atlético-MG, que começaram a competição como candidatos a Libertadores da América, quem sabe até a brigar pelo título, serão os protagonistas. No ano passado, os quatro times citados acabaram entre os oito primeiros do campeonato. No ano retrasado, três deles acabaram entre os sete primeiros, só o Bragantino ficou mais abaixo. Estamos falando do campeão da Libertadores do ano passado, o Fluminense; do atual vice da Libertadores e da Copa do Brasil, o Galo; do outro vice da Libertadores no ano retrasado, o Athletico-PR.
A chamada Lei do Muricy Ramalho - a bola pune” - está sendo vista na prática. Quem se prepara mal, sai trocando de técnico de forma indiscriminada, acaba dando com os burros nágua. O caso do Galo é diferente dos demais, pois, além de possuir um elenco desequilibrado, seu erro foi abrir mão completamente do Brasileirão e priorizar as Copas, sem considerar em momento algum a possibilidade de rebaixamento. Vale mais um passarinho na mão do que dois voando”, velho ditado, aqui dos nossos grotões, foi ignorado pelo Galo, que hoje corre o risco de pagar um mico do tamanho de sua história centenária.
Todos eles dependem só de si. O Bragantino ressuscitou depois da vitória inacreditável, na Arena da Baixada, sobre o Athletico-PR. Se vencer em casa o rebaixado Criciúma estará salvo, contando com outras combinações de resultados. É o único que somente se salva em caso de vitória, já que empate ou derrota iriam rebaixá-lo. O Fluminense é o que tem o jogo mais duro, enfrenta um Palmeiras ainda com chances de título. O empate basta ao Flu. Mas uma derrota acabaria em rebaixamento em casos de vitória do time da Red Bull e empate ou vitória do Athletico contra o Galo.
E o Galo? Como fica a sua situação? Os dois Atléticos mineiro e paranaense - vão se enfrentar, na Arena MRV, e o resultado pode significar nada ou tudo. Um empate serve para o Galo e pode servir para o Furacão. Quem perder vai cair, caso o Bragantino não tropece ou, no caso do Galo, se o Fluminense não perder. Em 2005, após inúmeros erros da diretoria e tropeços do time, o Galo caiu. Vai ser rebaixado novamente? "Só sei que nada sei". Sócrates, filósofo grego, 399 a.C.(Fecha o pano!)
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