Cemig identifica quase 3.000 furtos de energia no Vale do Aço

15/03/2025 às 08:30
Divulgação
Somente nos dois primeiros meses de 2025 já foram detectadas 683 irregularidades
Por Matheus Valadares - Repórter Vale do Aço
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) encontrou 2.859 irregularidades na medição de energia elétrica, no ano de 2024. Trata-se do conhecido “gato de energia”, detectado na Região metropolitana do Vale do Aço (RMVA), formada pelos municípios de Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo. Os dados foram obtidos pelo Diário do Aço, com exclusividade, junto à empresa.

Ainda de acordo com a Cemig, no ano passado foram promovidas 11.284 inspeções em unidades consumidoras da região. De janeiro a fevereiro de 2025, foram concluídas 2.002 inspeções em unidades consumidoras na região e constatadas 683 irregularidades na medição de energia elétrica.

Conforme Demétrio Aguiar, engenheiro de Sustentabilidade da Cemig, essa situação “tem se tornado frequente e tem causado sérios problemas para o sistema elétrico”.

“Esse tipo de ligação provoca o comprometimento da qualidade do fornecimento de energia para as pessoas que têm as ligações regulares, provocando inclusive danos a aparelhos eletrônicos, aparelhos mais sensíveis. Esse tipo de ligação tem sido observado em casas, em comércios e na indústria”, complementa Demétrio.

Isso porque com conexões inadequadas, condutores inapropriados e falta de dispositivos de proteção, as ligações clandestinas também contribuem no rompimento de cabos e na ocorrência de sobrecargas e curtos-circuitos.

Segundo a concessionária, as ligações clandestinas geram prejuízo financeiro para todos os clientes. “Parte desse valor furtado é repassado para a conta de energia dos consumidores regulares (que pagam em dia), de acordo com os limites estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e para as distribuidoras”, orienta a nota da empresa no site oficial.

Crime previsto em lei
Conforme previsto no artigo 155 do Código Penal Brasileiro (CPB), a ligação clandestina pode provocar pena de até quatro anos de reclusão, bem como o pagamento do valor que não foi faturado de forma retroativa em até 36 meses.
Além de crime, o furto de energia causa prejuízos para toda a sociedade e, principalmente, representa um risco ainda maior que o processo criminal.

“Elas [ligações irregulares] representam risco às pessoas, principalmente aquelas que executam tais ligações e também as pessoas que precisam passar por aqueles locais onde estão dispostos aqueles fios irregulares”, afirma o engenheiro da companhia energética.

Orientação
A Cemig orienta que os clientes podem fazer denúncias anônimas por meio do telefone 116 ou pelo link Manifestação do Cliente - Cemig Atende.

A empresa argumenta que “trabalhos na rede elétrica exigem treinamento especializado, aplicação de procedimentos normatizados e emprego de equipamentos de proteção individual (EPIs) corretos para superar os riscos proporcionados pela eletricidade e trabalho em altura”.
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