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21 de agosto, de 2025 | 10:13

Precarização do atendimento no Banco Santander é denunciada na ALMG

Bancários reclamam de fechamento de agências e de terceirização de mão de obra, apesar de lucros crescentes do grupo espanhol

A Comissão do Trabalho discutiu denúncias de terceirização irregular e desrespeito aos direitos dos trabalhadores do Banco Santander / Fotos Willian Dias - ALMGA Comissão do Trabalho discutiu denúncias de terceirização irregular e desrespeito aos direitos dos trabalhadores do Banco Santander / Fotos Willian Dias - ALMG

Com informações da Assessoria da ALMG
A precarização do atendimento prestado nas agências do Banco Santander foi denunciada pelo Sindicato dos Bancários nesta quarta-feira (20/8/25), em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT), a comissão discutiu denúncias de terceirização irregular e desrespeito aos direitos dos trabalhadores do banco.

Segundo o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, a política do Santander de fechamento de agências vem causando demissões de funcionários do banco e prejudicando o atendimento aos clientes.

O presidente do sindicato, Ramon Silva Rocha Peres, disse que os correntistas são transferidos para unidades de negócio virtuais, nas quais o atendimento é feito por inteligência artificial ou por uma pessoa que não entende do funcionamento bancário.

“Não é possível um banco ter um lucro bilionário ano após ano e querer dar um atendimento ruim à população e tirar direitos dos trabalhadores, simplesmente para ter mais lucro”, afirmou o dirigente sindical.

Segundo a Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, o lucro do Santander no 1º semestre deste ano foi de R$ 7,5 bilhões, resultado 20% superior ao do mesmo período do ano passado.

Mesmo com esse resultado, o banco continua fechando agências, tanto em Belo Horizonte como no interior do Estado. Segundo o Sindicato dos Bancários, mais de 60 unidades foram fechadas em Minas Gerais desde 2019. Muitas cidades do interior teriam ficado sem nenhum tipo de atendimento presencial.

Em Belo Horizonte, restaram 22 agências em funcionamento. Porém, segundo o Sindicato dos Bancários, constam 54 agências sob supervisão do Banco Central. De acordo com a sindicalista Paula Moreira, isso acontece porque muitas unidades de atendimento foram fundidas. Na unidade da Savassi, por exemplo, seriam 13 agências com códigos diferentes. “As agências estão sobrecarregadas, atendendo um número maior de clientes”, afirmou a sindicalista.

Agências chamadas de lojas

O Sindicato dos Bancários também denunciou que o projeto Multicanalidade, implementado a partir de 2022, levou à precarização do trabalho bancário. As agências passaram ser chamadas de lojas, com horário de atendimento estendido e redução do número de funcionários. A agência do bairro Mangabeiras, por exemplo, teria apenas três trabalhadores, segundo o sindicato.

Outro problema apontado pelas entidades sindicais é a terceirização, por meio da qual o Santander transfere funcionários para empresas coligadas. Com essa mudança, os bancários deixam de ter benefícios como jornada de trabalho de seis horas, auxílio para qualificação profissional e participação nos lucros e resultados.

Os sindicalistas também reclamaram do crescimento do número de correspondentes bancários, que são postos de atendimento em supermercados, farmácias e padarias. Para Paula Moreira, o banco transfere riscos e responsabilidades para essas unidades de atendimento, que têm um custo operacional menor. Segundo o Sindicato dos Bancários, o Santander conta com mais de 44 mil correspondentes bancários em todo o País.

“A gente entende que o banco tem que dar lucro. Mas esse lucro não pode estar acima da responsabilidade social e das leis do País”, finalizou a representante do Sindicato dos Bancários.
William Dias/ALMG
Segundo bancários, agências passaram ser chamadas de lojas, com horário de atendimento estendido e redução do número de funcionáriosSegundo bancários, agências passaram ser chamadas de lojas, com horário de atendimento estendido e redução do número de funcionários

Quais providências foram apontadas na audiência

O superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, considerou graves os problemas relatados na reunião. Ele se colocou à disposição para intermediar uma interlocução entre o Sindicato dos Bancários e órgãos como o Banco Central e a Receita Federal, que podem investigar as denúncias apresentadas pelos sindicalistas.

A deputada Beatriz Cerqueira lamentou a terceirização no Santander e a precarização do atendimento bancário nas agências. “A gente vai normalizado a precarização do trabalho. Não deveria ser assim”, comentou.

A parlamentar criticou a decisão do Santander de não enviar representantes ao debate, apesar de ter sido convidado com antecedência. Ela disse que as notas taquigráficas da audiência serão encaminhadas à Superintendência Regional do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho, para que sejam tomadas providências.
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Comentários

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Fátima Moreira

25 de agosto, 2025 | 17:24

“Sou correntista deste banco e de fato não estamos o atendimento que merecemos. Poucas agências, poucos funcionários e muita demanda. A central de atendimento uma porcaria com atendentes despreparados e muita demora no atendimento. Desde a ligação com um Menu stressante, demora no atendimento e muitas vezes sem solução. Funcionários despreparados. Está uma calamidade absurda. Fazem seus clientes de bobos e não respeitando nossos direitos. ABSURDO.”

Anonimo

21 de agosto, 2025 | 17:01

“Já pensaram em unir forças com os empregados das coligadas? Ali tem muita gente com o emocional prejudicado por causa das cobranças e atendimentos em excesso feitos, mas eles dependem do salário mínimo para viver”

Nelore

21 de agosto, 2025 | 16:41

“Caríssimo Fernando Rt, o que a ALMG, a casa do Poder Legislativo do estado de MG, tem a ver com a Caixa Econômica FEDERAL, comparável a uma autarquia, pertencente ao Estado brasileiro, e seu péssimo e indecente atendimento?”

Gildázio Garcia Vitor

21 de agosto, 2025 | 12:58

“A Administração Municipal de Ipatinga nos "vendeu" para este banco. Na abertura das contas, conseguiram fazer um serviço de boa impressão, baseado, provavelmente, na ideia de que é a primeira que fica guardada, alugando um dos grandes salões do belíssimo Ipaminas, um ambiente das nossas elites empresariais, pouco conhecido pela maioria de nós, simples mortais servidores públicos. Uns cinco meses depois, fecharam as agências do Cariru, do Cidade Nobre e do Iguaçu. Hoje, nem sei em qual das duas que sobraram está a minha conta. O Itaú, para quem também fui "vendido" pelo estado de Minas, tinha me aprontado antes, fechou a agência do Canaã na surdina e transferiu a minha conta para o Horto. O problema é que resido na zona rural do município, aqui no final do Bethânia.
E viva o "Neocapitalismo Selvagem"!”

Alexandre Ferreira

21 de agosto, 2025 | 11:06

“A revolução digital transformou o setor bancário. A redução do número de agências físicas e a ascensão dos bancos digitais não são apenas uma tendência, mas uma nova realidade impulsionada pela busca por eficiência e redução de custos.
Essa mudança tem um impacto direto no mercado de trabalho. Cargos tradicionais estão desaparecendo, forçando os profissionais a se requalificarem em áreas como tecnologia e análise de dados.

Essa transição, no entanto, levanta questões importantes, como a exclusão digital de parte da população e a necessidade de repensar o papel das agências físicas, que podem se tornar espaços de consultoria e relacionamento, integrando o mundo digital ao físico. Em suma, o setor financeiro se adapta para ser mais tecnológico e ágil, mas precisa garantir uma transição que seja justa para a sociedade e seus profissionais.”

Fernando Rt

21 de agosto, 2025 | 10:35

“? uma ironia o Estado julgar "precarização do atendimento" kkkkkkkkkkkkk
Só ir em uma caixa economica federal pra ver o ápice da precarização do atendimento. Não conseguem prestar um serviço MINIMAMENTE decente, mas são leões pra julgar prestação de serviço alheia...”

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