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29 de agosto, de 2025 | 07:33

Profissionais da educação básica em Minas Gerais cobram valorização da carreira

Professores com especialização, mestrado e doutorado deixam de receber cerca de R$ 4 mil a R$ 18 mil por ano.

Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - debate sobre a da carreira dos profissionais da educação básica. Foto: Luiz Santana ALMGComissão de Educação, Ciência e Tecnologia - debate sobre a da carreira dos profissionais da educação básica. Foto: Luiz Santana ALMG

A valorização da carreira dos profissionais da educação básica foi tema de audiência pública quinta-feira (28/8). Isso porque, mesmo com especialização, mestrado e doutorado, há casos de professores remunerados apenas pela graduação. O encontro foi promovido pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Presidente do colegiado e responsável por solicitar a reunião, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) é autora do Projeto de Lei (PL) 2.382/20. O objetivo da proposta, que aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é reconhecer o esforço docente para avançar na escolaridade, prevendo a promoção automática, a partir da apresentação da titulação.

“Não sei se a sociedade sabe o quanto é grave essa desvalorização”, destacou a parlamentar. Segundo ela, embora reagir às iniciativas do governo seja fundamental, também é importante lutar por pautas propositivas. “Essa audiência é sobre o que queremos”, ressaltou.

Conforme o economista Diego Severino de Oliveira, o problema começa com a falta de dados sobre quantos servidores têm mestrado e doutorado, por exemplo. Sem informações, reconheceu que é difícil enxergar a realidade e articular esforços.

Apesar disso, ele apresentou as estimativas de perdas de professores que, no início da carreira, já contam com a titulação, mas são remunerados apenas pela licenciatura plena (graduação). Se tiver especialização, deixa de receber cerca de R$ 4 mil por ano.

No caso de mestres e doutores, os valores podem chegar a R$ 8 mil e R$ 18 mil anuais, respectivamente. O economista destacou que esses quantitativos fazem muita diferença na renda dos professores que dedicaram de dois a quatro anos a mais para aumentar a escolaridade. “Falta incentivo”, sintetiza.

“Você não guarda na caixinha o mestrado que você cursou para usar só quando receber. A gente aplica toda a nossa formação cotidianamente”, afirmou Beatriz Cerqueira.

A deputada salientou que é injusto a titulação ser remunerada apenas no fim da carreira e sem acréscimo na aposentadoria.
Luiz Santana/ALMG
Em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, servidores cobraram urgência na tramitação de projeto de leiEm audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, servidores cobraram urgência na tramitação de projeto de lei

“Nós estamos falando dos piores salários do Estado”, desabafou diretora

Diretora estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Joeliza Vieira Gama fez uma retrospectiva do plano de carreira e enfatizou que, ao longo dos anos, todas as vantagens foram agrupadas em uma única verba, gerando perdas no total recebido. “Nós estamos falando dos piores salários do Estado”, desabafou a diretora.

De acordo com a presidenta da Associação Mineira de Inspetores Escolares (Amie), Geovanna Passos Duarte, é necessário combater mitos que desqualificam servidores públicos e minimizam sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade. “O PL 2.382/20 vem para fazer justiça”, complementou a professora Daniela Joaquim.

A professora Isaura Carvalho concluiu o mestrado em 2020, mas só tem previsão de receber por ele em 2032. “Essa é a realidade de milhares de professores. A mensagem que o Estado nos passa é que o esforço pela educação não tem valor”, apontou.

Para a coordenadora-geral do Sind-UTE, Denise Romano, se o Estado tivesse interesse em reconhecer a formação continuada dos professores, os indicadores da educação melhorariam. “A linguagem do governo para a melhoria é pressão, ameaça, chicote, não o reconhecimento do esforço e da busca por formação”, denunciou.

Resposta do governo Zema

Sem discutir o mérito da questão, a subsecretária da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG), Helga Beatriz de Almeida, admitiu que, devido a restrições fiscais e financeiras, o Executivo não tem condições de reestruturar as carreiras. Porém, assegurou: “a discussão precisa acontecer e queremos buscar alternativas”.

Já a subsecretária da Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), Gláucia Cristina Ribeiro, informou que 35 mil promoções e progressões foram publicadas desde o início deste ano. Garantiu que a equipe está em dia com os processos, mas casos específicos de atraso podem ter ocorrido devido à falta de informações no sistema.

Mesmo assim, disse que o governo está à disposição para esclarecer dúvidas. Antes de finalizar a audiência, Beatriz Cerqueira avisou que vai encaminhar requerimento com pedido de providências acerca das demandas que tem recebido.
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Comentários

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Nelore

30 de agosto, 2025 | 06:12

“Caríssimo Verdade, nunca se esqueça que você só tem condições de escrever estas suas verdades direitistas bolsomínicas aqui, porque um dia, uma professora te alfabetizou, apesar de não ter aprendido tudo o que deveria. Deve ser culpa da tal professora, que não conhecia , ; - : ? e ! Ô coitada!”

Gildázio Garcia Vitor

29 de agosto, 2025 | 23:07

“Sr. Verdade, estou Professor há mais de 43 anos, sendo 42 em Escolas Públicas, onde raramente obtive bons resultados. Mas estou, também Professor, em uma Escola Privada do Cariru há de mais 32 anos, onde tenho obtido excelentes resultados. Um único exemplo para que tenha noção do que estou falando: segundo o Diretor-Proprietário, em uma sala, com menos de 30 alunos, que era a do filho dele e de uma das minhas filhas, já temos 13 Médicos formados. A minha fez Direito pela UFJF-GV e já está aprovada em um concurso da SSP-MG.
Portanto, RESULTADOS, não dependem somente dos Professores, mas também das famílias e da sociedade.”

Verdade

29 de agosto, 2025 | 13:40

“Já ganham bem pelas horas de trabalho diz de passagem que são poucas pois tem muita coordenação, mas se fosse por resultado teriam muitos desempregados.”

Rodrigo 27

29 de agosto, 2025 | 09:19

“Lamentável, triste o que o "Sistema" brasileiro faz com todos os profissionais da Educação !
É nojento !”

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