
29 de agosto, de 2025 | 13:50
Homem investigado por abuso contra crianças no ano de 2010 é preso por coação a vítimas em Timóteo
Wellington Fred
Equipe da Delegacia de Timóteo explicou na manhã desta sexta-feira, o andamento do caso

Coação no curso do processo. Esse foi o motivo da prisão de um homem de 58 anos, ocorrida no dia 25 de agosto, no Córrego Caçador, sequência do bairro João XXIII, em Timóteo, conforme já havia antecipado a reportagem do Diário do Aço na quarta-feira (27). A prisão de P.D. ocorreu por força de mandado expedido pela Justiça da Comarca de Timóteo. P.D. é investigado no âmbito do inquérito policial que apura a morte de cinco crianças, filhas de Gisele Oliveira, de 40 anos, enquanto ela morava no bairro Ana Moura, em Timóteo. Os fatos teriam ocorrido entre os anos de 2010 e 2023. O homem preso é pai de duas das primeiras crianças que morreram envenenadas (uma de 2 anos e 8 meses e outra de 10 meses).
Responsável pela investigação, a delegada da PC em Timóteo, Valdimara Teixeira, informou em entrevista à imprensa, na manhã desta sexta-feira (29), que P.D. era marido de Gisele em 2010, ano em que morreram essas vítimas envenenadas com a substância fenobarbital, medicamento depressor que age no sistema nervoso central. Naquela época, P.D. foi chamado à Delegacia de Polícia Civil e prestou depoimento. Em 2010, o inquérito foi encerrado sem a confirmação da autoria delitiva na morte das crianças.
Com a reabertura do caso em 2023, novas descobertas foram feitas e, este ano, o homem foi chamado para prestar novo depoimento acerca do caso envolvendo seus dois filhos. Ocorre que, nos depoimentos deste ano, o pai prestou informações conflitantes com a versão de 2010.
A equipe da Polícia Civil, ao aprofundar os levantamentos sobre o caso, chegou à informação de que o homem havia cometido abusos sexuais contra três cunhadas, ainda crianças, no começo dos anos 2010. Agora jovens, as vítimas confirmaram em depoimento os abusos sofridos quando ainda eram crianças. Com isso, foi aberto um novo inquérito para apurar o caso.
O investigado respondia em liberdade. Entretanto, afirma a delegada Valdimara Teixeira, o homem passou a procurar as vítimas e testemunhas e a instruí-las sobre o que dizer na Delegacia de Polícia, o que justificou o pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Civil. P.D. já tinha trabalhado na antiga cadeia de Timóteo, como carcereiro ad doc” (nomeado, sem pertencer aos quadros da Polícia Civil), época em que a PC era responsável pela guarda de presídios. A entrevista completa pode ser assistida no vídeo abaixo.
Processo de extradição está em andamento
Em relação à investigação da morte de cinco crianças - duas que Gisele Oliveira teve com o investigado preso e outras três com outro marido -, o caso ainda está em andamento e foi aberto um processo de extradição da timoteense, de 40 anos, presa em Portugal.Além das cinco vítimas que morreram, a mulher também é investigada pela suspeita de tentar matar o seu primeiro filho, que sobreviveu e hoje tem 18 anos, e também de tentar matar o atual marido dela, no ano de 2022.
Depois que os crimes vieram à tona, a mulher fugiu para Portugal, mas foi presa pela Interpol, no começo do mês de agosto, conforme já noticiado pelo Diário do Aço. Ela residia no país lusitano com o seu atual companheiro e um filho de 12 anos, que já estavam na Europa.
O homem, que trabalha na construção civil, também consta nas investigações como vítima da mulher. Segundo consta nos levantamentos da polícia, a mulher também tentou matar o marido com envenenamento. O homem deu entrada no hospital, em Timóteo, com sintomas de envenenamento semelhantes aos das crianças que morreram, uma após a outra ao longo dos anos.
Investigação avançou em 2023
A delegada regional da PC, Talita Martins Soares, confirmou em entrevista à imprensa que as investigações sobre o caso se intensificaram somente no ano de 2023, com a morte da quinta criança.Em 2010, chegou a ser feita a investigação da morte das duas primeiras crianças (uma de 2 anos e 8 meses e outra de 10 meses). Em 2019, morreram outras duas crianças, uma de um ano e outra de 3 anos. Em 2023, morreu mais uma criança, de 3 anos. Com a morte da quinta criança e a comunicação formal à Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios de Timóteo, na pessoa da delegada Valdimara Teixeira, intensificou as investigações e a equipe conseguiu apurar toda a dinâmica desses crimes que vêm ocorrendo desde 2008”, detalhou a delegada.
Responsável pela investigação, a delegada da PC, Valdimara Teixeira, explica que a morte das crianças era lenta. Os indícios apontam que a mãe diminuía a consciência das crianças usando medicamentos. Tanto que uma das necropsias, de um caso de 2010, quando morreu a criança de 10 meses, aponta positivo para fenobarbital, que é um medicamento depressor que age no sistema nervoso central, sendo que a primeira causa da morte é asfixia por conteúdo gástrico. Então concluímos, no decorrer das investigações, depois de muitas oitivas - foram dezenas de pessoas ouvidas, muito prontuário analisado, um trabalho de campo realizado pela equipe de forma minuciosa - que a redução de consciência era feita com sedativos. Temos o fenobarbital comprovado e os demais nós ainda estamos em busca de demonstrar quais eram utilizados”, pontua a delegada.
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