06 de janeiro, de 2026 | 16:30

De janeiro, gigantes e ''otras cositas mas''...

Nena de Castro *

Diaaa! E cá estou eu, nesse princípio de janeiro com a minha croniqueta! Quem quis, pulou 7 ondas, comeu romãs, usou roupa amarela e etc. e tal, para conjurar um ano-novo cheio de benesses! Todo início de ano, em Viseu, capital da Beira, em Portugal, grupos formados por homens e mulheres em trajes típicos saem às ruas com seus instrumentos musicais, cantando “as janeiras” músicas folclóricas de amor ou riso, entretendo o povo. Também eu tive vontade de cantar, mas foi a “Conceição” que ninguém sabe, ninguém viu e prossegue incógnita na sua marcha para... onde mesmo? Pasárgada, Trás-os-Montes, Montes Urais, Quixeramobim? Janeiro era, para os antigos romanos, o mês consagrado ao deus Janus, daí vem Ianuarius que significa “janeiro” em latim.

Na mitologia romana Janus é o deus de duas faces, dos começos e dos fins. Acho que o tal Janus nos enganou, deixou aparecer a face sorridente na passagem do ano e depois mostrou a carranca, eis que botas estranhas pisam na América do Sul, atrás de um petroleozinho, coisa pouca! Mas falemos dos deuses gregos: o gigante Órion, bonitão e poderoso caçador, era filho de Netuno, o deus que governava os oceanos e recebeu do pai o poder de caminhar pelas profundezas do mar.

Bom, nosso gigante amava uma moçoila chamada Mérope, filha do rei de Quios, um tal de Eunápio. Pediu-a em casamento, mas o pai da moça adiava seu consentimento, o que fez o apaixonado rapaz apelar para a violência.

Irritado, ainda mais quando ficou sabendo que o jovem torcia pelo fluminense e ele era flamenguista roxo, o rei chamou-o para tomar umas caninhas, que creio eu, continham metanol e o gigante ficou cego. Apesar disso, ele caminhou guiando-se pelo ruído do martelo de um ciclope; chegou até Vulcano que compadecido, arranjou um parça para lhe mostrar o caminho para o deus Sol que devolveu a visão do moço. Ele esqueceu a antiga paixão e passou a ser o caçador favorito de Diana, a deusa da caça, da lua e da natureza.

O irmão da deusa, o tal Apolo não queria gigantes na família e um dia, vendo que Órion vadeava o mar apenas com a cabeça sobre a água, chamou a irmã e apostou com ela um ingresso para o show de Zezé de Camargo dizendo que ela não seria capaz de alvejar aquele objeto negro sobre o mar. Foi pá e pum! - e as ondas trouxeram o corpo de Órion para a praia. Depois de chorar e comprar óculos de grau da Saint Laurent EyeWear em Paris ela colocou Órion entre as estrelas, inclusive com seu cão Sírius pra evitar que ele fosse acusado de abandono animal, ara! Posé, gigantes aparecem, desaparecem, fazem das suas invadindo a casa dos outros, esquecendo que tudo que vai, volta. Aguardemos. O tempo dirá...

* Escritora e Encantadora de Histórias
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