08 de janeiro, de 2026 | 20:10

O fenômeno das stablecoins no Brasil


Mais de R$ 74 bilhões em 2025. Este é o valor de transações que já ocorreram no país. Para ter uma comparação, estima-se que é R$ 70 bilhões superior ao valor transacionado com criptos. Porque, pergunta você? Essencialmente, porque é mais seguro... e simples. Mas não só. Existem outras razões que já lhe explicaremos de seguida. O que precisa de saber para já é que as stablecoins têm ganho cada vez mais espaço no país. Isto acaba por gerar interesse em tudo o que as rodeia diretamente.

Olhemos para o exemplo das P2P bitcoin. Este foi um upgrade no mercado que permite que os investidores comprem e vendam ativos entre si. Este tipo de plataformas estão a ficar populares e ajudam também a alavancar a popularidade das stablecoins. Tudo anda de mãos dadas neste universo. Antes de avançar, registe na sua memória que P2P significa peer-to-peer, ou seja, de "parceiro" para "parceiro".

Volume e adoção: Dados e estatísticas

O mercado brasileiro de stablecoins mostra um crescimento robusto em 2025. No primeiro trimestre do ano, o volume de negociações de moedas como USDT e USDC cresceu mais de 160% em comparação com o mesmo período de 2024, evidenciando uma demanda crescente por soluções digitais estáveis. O número de carteiras ativas aumentou 53% em um ano, passando de 19,6 milhões para 30 milhões entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, indicando que a população está cada vez mais familiarizada com o uso de stablecoins.

Outro dado relevante é que 91,8% dos investidores em criptoativos no Brasil possuem stablecoins em seus portfólios, confirmando que estas moedas se consolidaram como opção preferencial para armazenar valor em um contexto de volatilidade do real. Apesar do interesse, 85% dos jovens brasileiros afirmam que gostariam de usar stablecoins como meio de pagamento cotidiano, mas apenas 37% já realizam compras com elas, seja em lojas físicas ou em plataformas de e-commerce.

Em 2025, as stablecoins dominam 90% dos fluxos cripto no país, consolidando-se como o principal veículo para transações digitais seguras e eficientes. Este crescimento é impulsionado tanto por investidores individuais quanto por empresas que buscam formas mais rápidas e confiáveis de liquidar pagamentos internacionais ou transações B2B.

Perfil dos usuários: Quem usa stablecoins

A maior parte dos usuários de stablecoins ainda é composta por investidores em criptoativos que buscam proteção contra a volatilidade do real. Contudo, cresce o uso por empresas e pessoas físicas para pagamentos do dia a dia e remessas internacionais.

Empresas brasileiras utilizam stablecoins para pagar fornecedores, funcionários no exterior ou realizar operações B2B, convertendo os valores em reais instantaneamente via Pix, o que aumenta a liquidez e reduz custos operacionais.

Entre os jovens, a adoção é ainda mais significativa: 37% já utilizaram stablecoins para compras em lojas físicas ou online, e a maioria demonstra interesse em incorporar estas moedas em seu cotidiano financeiro.

Finalidades e casos de uso

O uso das stablecoins vai muito além do investimento. Entre as principais finalidades destacam-se:

Pagamentos internacionais e remessas transfronteiriças: possibilitam maior previsibilidade de caixa, eliminando atrasos e taxas elevadas em conversões cambiais tradicionais.

Liquidações onchain e pagamentos B2B: empresas conseguem pagar fornecedores ou funcionários no exterior e liquidar localmente via Pix, agilizando operações e reduzindo custos de transferência.

Investimento e reserva de valor: oferece proteção contra a volatilidade do real e estabilidade cambial.

Pagamentos do dia a dia: ainda minoritário, mas cresce o interesse, especialmente entre jovens que buscam praticidade e rapidez.

Inclusão financeira: integra cripto e bancos, permitindo acesso a serviços financeiros para populações não bancarizadas.

Esses casos de uso demonstram que as stablecoins não se limitam a um nicho de investidores, mas podem ser incorporadas de maneira estratégica em múltiplos setores da economia.

Regulamentação e desafios

O marco legal brasileiro para criptoativos, especialmente a Lei 14.478/2022, está em processo de atualização para incluir dispositivos específicos sobre stablecoins. Propostas de regulamentação indicam que apenas empresas autorizadas pelo Banco Central poderão emitir moedas digitais vinculadas a moedas estrangeiras, garantindo transparência sobre reservas e auditorias periódicas.

Os principais desafios incluem prevenção de fraudes, proteção do consumidor e manutenção da estabilidade do sistema financeiro. A regulamentação busca equilibrar inovação e segurança, criando um ambiente confiável para adoção ampla de stablecoins em transações do dia a dia e no comércio internacional.

O impacto das stablecoins na economia brasileira

O futuro das stablecoins no Brasil é promissor. Espera-se crescimento contínuo nos fluxos B2B e remessas internacionais, impulsionado pela integração com o Pix, open finance e soluções como o Drex. Plataformas P2P Bitcoin e carteiras digitais continuam a expandir, promovendo maior liquidez e eficiência em transações.

As stablecoins já estão a transformar o cenário financeiro no Brasil, oferecendo rapidez, segurança e estabilidade para investidores, empresas e consumidores. Com adoção crescente, regulamentação clara e integração com sistemas de pagamento instantâneos, estas moedas digitais consolidam-se como uma ferramenta estratégica de inclusão, eficiência e inovação no mercado financeiro nacional, sinalizando um futuro cada vez mais digital e descentralizado.
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