25 de janeiro, de 2026 | 11:22
Após sete anos, tragédia de Brumadinho será examinada na Justiça
Informações da Agência BrasilEra uma sexta-feira, Nayara Porto, então com 27 anos, preparava um pudim para o fim de semana, sobremesa preferida do marido Everton Lopes Ferreira, de 32 anos. Após colocar o doce no forno, escutou a vizinha conversando com uma tia sobre a barragem que havia rompido, em referência à barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).
Eu fiquei um pouco sem entender. Depois ela me chamou e perguntou se meu marido estava em casa. Eu falei que não estava, estava trabalhando, aí ela foi e me contou o que tinha acontecido”, lembra Nayara em entrevista. Aí foi um desespero total”, recorda Nayara.
Comecei a tentar falar com ele várias vezes, mas o telefone nem chamava mais. [Depois] fui tentando falar com alguns amigos dele que eu sabia que estavam lá, até que consegui falar com um que correu da lama, que se salvou por um milagre de Deus. Ele falou comigo assim: oh Nayara, ora, pede a Deus. O armazém onde meu marido trabalhava, o almoxarifado, foi embora, não havia mais nada lá.”
2.557 dias
O acidente ocorreu por volta de 12h30 do dia 25 de janeiro de 2019. Duzentas e setenta e duas pessoas foram mortas. Passados 2.557 dias neste domingo, ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo ocorrido.
Sete anos após o episódio, abre-se possibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justiça. Dia 23 de fevereiro começam as audiências de instrução na 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte. Até maio de 2027, vítimas não letais, testemunhas e réus serão ouvidos.
Ao fim das audiências, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá decidir levar o caso para julgamento em júri popular. Quinze pessoas poderão ser responsabilizadas criminalmente.
Para a jornalista Cristina Serra, é possível associar o caso de Brumadinho com outros episódios de graves acidentes e consequências ambientais. Entre eles o rompimento da barragem de Mariana (MG), em novembro de 2015; e o afundamento do solo em Maceió (AL), desde fevereiro de 2018. Nos três casos, até o momento, não há nenhum responsável punido criminalmente.
Cristina Serra lembra que são três incidentes relacionados à mineração e que operam com muita irresponsabilidade, sem levar em conta aspectos essenciais da segurança”.
Ela também assinala outra ponta dessa história”: órgãos públicos de fiscalização, que não exercem de fato seu papel”.
Memória
Neste domingo, às 11h, será promovido ato dedicado à memória das 272 pessoas mortas. O evento será no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade, na rodovia MG-40.
Se quiser, eu ajusto o nível de negrito ainda mais seco” para padrão de portal policial/jornal local.
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