27 de janeiro, de 2026 | 06:00
Clássico bom
Fernando Rocha
Antes de a bola rolar, o Cruzeiro era tido favorito para vencer o clássico contra o maior rival, mesmo sendo na Arena MRV, a casa do Atlético.Quando começou o jogo, o que se viu foi um equilíbrio e respeito mútuos até que, aos 25 minutos, o artilheiro Kaio Jorge aproveitou um vacilo da defesa atleticana e fez 1 x 0 para a Raposa.
O Atlético reagiu, empurrou o Cruzeiro para trás, criou várias chances e obrigou o goleiro Cássio a fazer defesas difíceis.
O time comandado por Jorge Sampaoli poderia ter ido para o vestiário com o empate, não fosse um erro grave da arbitragem de Davi Lacerda (ES) e de Daniel Nobre Bins (RS), responsável pelo VAR, que deixaram de marcar um pênalti claro de Kaíque em Bernard nos instantes finais do primeiro tempo.
O assoprador de apito capixaba cometeu outro erro gravíssimo ao não expulsar Gustavo Scarpa, após este dar uma entrada violenta de carrinho no adversário.
Virada alvinegra
Na segunda etapa, o Atlético aumentou a pressão e conseguiu o empate, aos 10 minutos, em boa jogada de Dudu pela esquerda que cruzou na medida para Bernard empurrar para as redes celestes.
O próprio técnico Tite reconheceu que, após sofrer o gol de empate, o time do Cruzeiro sentiu o baque e disso se aproveitou o Galo para virar o placar.
Aos 22 minutos, Fabrício Bruno errou feio na saída da defesa, Alan Franco roubou a bola e entregou para Scarpa, que passou a Hulk, na entrada da área.
O craque do Galo deu um drible desconcertante em Jonathas Jesus, para depois acertar chute certeiro e fazer um belo gol, que decretou a vitória alvinegra de virada: 2 x 1.
Mesmo inferior e mais perto de sofrer o terceiro gol, o Cruzeiro poderia ter saído com o empate não fosse o erro abissal de conclusão do jovem equatoriano Arroyo, que nos instantes finais apareceu livre, quase debaixo do travessão, mas chutou para fora.
FIM DE PAPO
A vitória do Atlético foi justa, pois o time jogou melhor que o rival, seus jogadores lutaram, se entregaram mais e, ao contrário de partidas anteriores, foram competentes nos momentos decisivos. A dupla de zaga, Juan e Alonso, continua fraca e o setor carece de reforços, assim como existe a necessidade de um primeiro volante. Daí para frente, o técnico Sampaoli tem um plantel farto de boas opções à sua disposição. Se mexer menos na equipe e mantiver a base titular deste clássico, o Galo pode finalmente virar a chave para obter bons resultados.
Ao Cruzeiro, cabe tirar algumas lições dessa derrota que trouxe de volta os erros do time no ano passado, que exigem uma correção imediata do técnico Tite. Quando enfrenta times que se fecham atrás e contra-atacam, como foi o caso do Atlético após alcançar a vantagem de 2 x 1, o Cruzeiro não consegue superar o bloqueio pela falta de variação de jogadas. Tite está em início de trabalho, mas precisa encontrar logo uma solução para este problema. A entrada de Gerson no lugar de Lucas Silva, aos 10 minutos do segundo tempo, nada acrescentou e, pelo contrário, o time piorou.
Sampaoli normalmente é comedido nas comemorações, mas após o gol de Hulk vibrou intensamente, como nunca se viu antes. Ganhar um clássico muda o ambiente, muda tudo, por isso o técnico argentino vibrou tanto, até porque sabia que em caso de derrota poderia mesmo ser demitido. Hulk também precisava de um gol decisivo como este, melhor ainda sendo marcado no clássico contra o maior rival. Espera-se agora que a relação, que não era boa entre eles, tenha uma considerável melhora.
Apesar de alguns danos registrados em banheiros no setor destinado aos torcedores cruzeirenses, o clássico teve como destaque positivo a presença das duas torcidas. A segurança foi feita em conjunto com a Polícia Militar, que não registrou casos graves de violência, principalmente brigas e confrontos entre torcedores dos dois clubes. A Federação Mineira será a responsável pela organização dos jogos das finais e informou que se houver outro clássico entre Galo e Raposa, este será no Mineirão com a divisão de torcidas ao meio. (Fecha o pano!)
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