27 de janeiro, de 2026 | 07:00

Quando tratamos adversários políticos como inimigos, a política vira guerra

Carlos Alberto Costa *

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Eu quero dar um recado aos nossos INIMIGOS: nós estamos apenas começando.” Assim terminou o discurso de um deputado que fez uma caminhada de 240 quilômetros entre Paracatu, no Norte de Minas, e a capital federal. Pouco depois de um raio cair e atingir dezenas de militantes que o aguardavam debaixo de chuva intensa, o político empunhou um microfone, não citou as vítimas feridas e vociferou por alguns minutos.

Mas atenho-me a essa palavra, “inimigo”, que o político usou. Isso diz muito sobre o tipo de país que queremos construir. Quando começamos a tratar adversários políticos como inimigos, a política deixa de ser debate e vira guerra. A democracia pressupõe visões diferentes de mundo: direita, esquerda, centro. Quando eu chamo quem pensa diferente de inimigo, não quero mais convencer o outro lado, quero eliminar.

A necropolítica é uma constante na ação dessa gente. E aí o diálogo cai por terra. Essa lógica do “nós contra eles”, que há anos se impõe no Brasil, não melhora a vida de ninguém; ela apenas cria cortinas de fumaça para inflamar emoções e fugir do que realmente importa. O que precisamos discutir é como fazemos para melhorar a vida das pessoas: melhorar a educação, a saúde, o transporte e a renda. E não ficar debatendo quem é o inimigo da semana.

Precisamos entender que a democracia não se constrói com guerra. Constrói-se com conflito civilizado, com argumento e com disposição real para o diálogo. Sem isso, não avançamos como país. E quanto antes entendermos isso, melhor.

* Professor aposentado

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Comentários

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Hj

27 de janeiro, 2026 | 11:25

“Um país onde as pessoas idolatram políticos, vamos esperar o que quantos anos lula está na política envolvido nos maiores esquema de corrupção do país temos que excluir da política brasileira lula e Bolsonaro, vamos dar a oportunidade de surgir novas ideias sem radicalismo.”

Rodrigo

27 de janeiro, 2026 | 11:13

“Mas faço aqui uma pergunta. Vcs pelo menos tentaram dialogar com um bolsonarista? Vcs já perguntaram pra algum deles se o bozo é culpado? O que de legado ele deixou para o Brasil? Se houvi uma pandemia no país? Se ele foi culpado por ter se omitido? Se ele pregou um golpe no Brasil? Se a Terra é plana ou redonda? Se ele e seus filhos não gostam de trabalhar? Se eles sonegam o IR? Se ele tentou ficar com as jóias sauditas? Se vcs conseguiram fazer pelo menos a metade dessas perguntas, mesmo sem terem a resposta sem serem agredidos,vcs são heróis.”

Rodrigo Gomes

27 de janeiro, 2026 | 10:28

“A questão é que vivemos em um país onde ter uma opinião conservadora se tornou todo tipo de fobia, onde as palavras da moda são "Fascista", "Genocida", e na esmagadora maioria das vezes aqueles que a declamam sem cessar se quer conhecem seu real significado.”

Leitor

27 de janeiro, 2026 | 07:46

“Pura verdade, estamos todos no mesmo barco. Temos que pensar como equipe. Buscar um norte que nos conduza a prosperidade. Valorizar quem vende sua mão de obra e quem empreende, no brasil não é fácil ser empreendedor. Temos um sistema que vê o empreendedor como inimigo e o trabalhador como um explorado, um não vive sem o outro e nem o governo sem os impostos gerados de circulo virtuoso.”

Pare o Mundo Que Eu Quero Descer

27 de janeiro, 2026 | 07:37

“Um dia desses assistia a uma entrevista de um cientista político, com a previsão que essa onda de radicalismo, essa polarização, vai sobreviver por uns 30 anos. Será que teremos uma guerra civil pela frente? Nos Estados Unidos ela já começou, pelo visto.”

Paulo

27 de janeiro, 2026 | 07:36

“Mas não dá pra dialogar com fascista.”

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