28 de janeiro, de 2026 | 07:50

Abandono de cachorro à margem da BR-381 causa indignação em Timóteo

Uma cena de abandono de animal gerou indignação na manhã desta quarta-feira (28), em Timóteo. O condutor de uma caminhonete Ford Ranger preta, modelo antigo, deixou um cachorro no acostamento da BR-381, no trecho do contorno rodoviário no município. O animal foi abandonado à margem da pista e permaneceu no local, correndo risco de atropelamento.

Moradores que estavam nas proximidades registraram em vídeo o momento do abandono e as cenas seguintes, em que o cachorro aparece desorientado, tentando acompanhar o veículo antes de ser deixado para trás.

Denúncia e enquadramento legal

Uma das mensagens divulgadas junto às imagens relata a situação: “O cara acabou de abandonar esse cachorro na BR-381, próximo ao contorno, entre Alegre e Nova Esperança. O motorista seguiu no sentido a Ipatinga. Até agora o cachorro está lá, quase sendo atropelado, procurando o dono”.

O abandono de animais é crime no Brasil, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. O artigo 32 prevê punição para atos de maus-tratos, incluindo o abandono. Com a alteração promovida pela Lei Federal nº 14.064/2020, as penas para crimes cometidos contra cães e gatos foram ampliadas, com reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda do animal.

Além das sanções penais, o responsável pelo abandono também pode sofrer penalidades administrativas, como multas, que variam conforme a legislação municipal. Casos semelhantes têm sido registrados com frequência na região do Vale do Aço, gerando indignação entre moradores e entidades de proteção animal.



Maldade sem fim no caso do cachorro comunitário Orelha

O caso do abandono em Timóteo é denunciado na semana em que viralizou nas mídias sociais, o caso do cachorro Orelha, um episódio de maus-tratos contra um animal comunitário ocorrido em Florianópolis (Santa Catarina). Orelha era um cachorro comunitário de aproximadamente 10 anos que vivia no bairro Praia Brava, no Norte de Florianópolis. Sem um tutor formal, ele era cuidado de forma espontânea por moradores e frequentadores da região, que lhe ofereciam alimento, abrigo e atenção. Por ser dócil e interagir com a comunidade, Orelha era considerado um “mascote” local.

No início de janeiro, o animal desapareceu e, após alguns dias, foi encontrado em estado gravemente ferido. Moradores o levaram a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, os médicos decidiram pela eutanásia. O animal tinha pregos fincados na cabeça e sinais que teve um bastão introduzido em seu corpo.
Reprodução
Orelha, cão comunitário, foi brutalmente torturado por adolescentes e teve que ser sacrificadoOrelha, cão comunitário, foi brutalmente torturado por adolescentes e teve que ser sacrificado

A Polícia Civil de Santa Catarina iniciou investigação sob a suspeita de que adolescentes estariam envolvidos nas agressões que levaram à morte do cão. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados, com apreensão de celulares e outros aparelhos que poderiam ser analisados no curso do inquérito. Entretanto, uma juíza negou o pedido de quebra de sigilo dos celulares apreendidos na investigação, o que limita o acesso da polícia ao conteúdo dos aparelhos no âmbito de apurações específicas.

Segundo as apurações, pelo menos quatro adolescentes são apontados como possíveis envolvidos nas agressões. A investigação inclui também relatos de que o mesmo grupo pode ter tentado maltratar outro cão comunitário.

Repercussão pública

A morte de Orelha gerou comoção e revolta em redes sociais, manifestações de moradores locais e pedidos de justiça por parte de ativistas, entidades de proteção animal e influenciadores digitais. Em alguns locais ocorreram protestos pedindo responsabilização dos envolvidos.

O caso também provocou debates sobre a punição de menores de idade em atos de violência contra animais e sobre as formas de responsabilização previstas na legislação brasileira.

A apuração segue em andamento, com o inquérito policial e o acompanhamento do Ministério Público de Santa Catarina.

Dois dos adolescentes suspeitos de envolvimento no caso do cão Orelha viajaram para Orlando, na Flórida (Estados Unidos), para um passeio na Disney após a repercussão do crime.

A alegação da defesa é que a viagem estava programada pelas famílias antes das agressões e que os jovens devem retornar ao Brasil na próxima semana, quando a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente pretende intimá-los para prestar depoimento.
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