30 de janeiro, de 2026 | 06:00

Nipah: o alerta que o mundo não pode ignorar

Miguel dos Santos *


Um novo vírus voltou a preocupar autoridades sanitárias em diferentes partes do mundo. Surgido na Ásia, o vírus Nipah apresenta uma taxa de letalidade elevada - que pode variar de 40% a 75% dos infectados - e, até o momento, não conta com vacina nem tratamento específico. Para quem ainda não ouviu falar sobre ele, é importante buscar informação para não ser pego de surpresa. O risco de chegar ao Brasil é considerado pequeno, mas risco é risco.

O atual surto do vírus Nipah na Índia colocou países vizinhos em estado de alerta. Tailândia, Nepal e Taiwan já adotaram medidas sanitárias reforçadas em aeroportos, com o objetivo de evitar a entrada da doença. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, e agora volta a assustar a comunidade internacional.


“O risco de espalhamento do
vírus existe e não pode ser ignorado”


Na Índia, cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena após a confirmação de cinco casos de infecção, registrados no estado de Kerala - informação que exige precisão, já que esse é o principal foco recente da doença no país. Dois dos infectados são profissionais da saúde, contaminados durante o atendimento a pacientes. Esse dado reforça o potencial de transmissão de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares.

O Nipah é considerado altamente agressivo. A taxa de mortalidade varia conforme a capacidade de resposta do sistema de saúde local. Espero, sinceramente, que esse vírus não chegue ao Brasil. Depois do impacto devastador da pandemia de Covid-19, qualquer nova ameaça sanitária deveria nos deixar em alerta. Ou será que já esquecemos aquele período? Eu não esqueci. Perdi familiares, amigos e também enfrentei complicações de saúde. A experiência foi dura demais para ser ignorada.

Os principais hospedeiros do vírus Nipah são porcos e morcegos frugívoros. Os animais não adoecem, mas eliminam o vírus pela urina, fezes e saliva. Os morcegos, por exemplo, podem contaminar frutas ao se alimentarem delas. Quando esses alimentos são consumidos sem a devida higienização, o vírus pode chegar ao ser humano. A transmissão também pode ocorrer de pessoa para pessoa, principalmente em contato próximo e prolongado.

O período de incubação do Nipah varia de quatro a 15 dias. Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma gripe comum, mas a evolução do quadro pode provocar complicações neurológicas graves, como encefalite - inflamação do cérebro que pode levar à morte. Atualmente, não há vacina nem medicamentos específicos contra o vírus. O tratamento se limita ao controle dos sintomas, como ocorreu no início da pandemia da Covid-19.


“A prevenção continua a ser a
principal arma contra doenças”


A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o Nipah em uma lista de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de vírus como Ebola, Zika e o próprio coronavírus, devido ao potencial de causar surtos de grande impacto. Ainda assim, especialistas explicam que o Nipah não apresenta, até agora, o mesmo potencial pandêmico da Covid-19. Isso porque, após os primeiros sintomas, o paciente tende a evoluir rapidamente para um quadro neurológico, o que dificulta a circulação e a disseminação silenciosa do vírus.

Apesar disso, o risco de espalhamento existe e não pode ser ignorado. A prevenção continua sendo a principal arma. Cuidados básicos, como lavar bem as mãos, higienizar frutas antes do consumo e usar equipamentos de proteção em ambientes hospitalares, seguem indispensáveis. O sistema de saúde também precisa estar preparado para identificar e lidar com possíveis casos.

Quem pretende viajar para regiões onde há registros da doença deve redobrar a atenção. É fundamental evitar o consumo de alimentos crus ou mal higienizados. Em aeroportos, locais de grande circulação de pessoas, o uso de máscara continua sendo uma medida prudente. Lavar bem as mãos antes de comer ou beber também nunca é demais.

Depois de tudo o que vivemos recentemente, subestimar um alerta sanitário seria um erro grave. Informação, prevenção e preparo ainda são os melhores caminhos para evitar novas tragédias.

* Economista


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Comentários

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Sobrevivente da Covid

30 de janeiro, 2026 | 07:46

“Assustador. Eu fico realmente impressionado com a quantidade de coisas que existem nesse planeta e que atingem somente os humanos.. Vejam que esse vírus convive normalmente no organismo de vários animais, mas somente o homem não resiste. É impossível não perceber que o planeta Terra tem criado recursos e parece que quer expulsar os humanos da sua face.”

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