30 de janeiro, de 2026 | 07:00

Quando o trabalho adoece, o pet pode ser parte da cura

Maria Inês Vasconcelos *

Após a pandemia, a rotina do trabalhador voltou ao normal. O home office deixou de fazer parte da vida de muitos trabalhadores. O que antes era trabalhar com conforto - pijama, chinelo e o pet do lado, agora é trabalhar de gravata, sapato, terninho, uniforme e copo de café. Em 2024, pesquisas apontaram que dentro das empresas houve quase meio milhão de afastamentos de empregados no ambiente de trabalho, por ansiedade e depressão, o maior número em pelo menos dez anos. A precarização e a pressão excessiva, adoeceu os proletariados. 

Com este aumento de afastamentos, algumas alternativas foram tomadas por várias empresas, como a companhia de animais domésticos, mais conhecidos como pets. No Japão, por exemplo, uma empresa integrou 11 gatos à rotina do escritório para reduzir o estresse. Além disso, pesquisas apontam que cães ajudam as pessoas a regular o estresse mais do que o esperado. No Brasil, país que ocupa a 4ª posição no ranking mundial de estresse, conforme dados do Ipos, práticas como estas, podem - e devem - ser mais comuns.

Atualmente, no Brasil, não há uma lei federal que proíbe ou obriga levar animais ao trabalho, mas, essa implementação seria uma boa opção para a saúde mental e bem-estar dos trabalhadores. É certo que as políticas pet friendly estão crescendo, mas são descentralizadas, variando por cidade e estabelecimento. O foco é incentivar a inclusão de pets em locais como shoppings, restaurantes e empresas, regulamentando o transporte aéreo e assegurando direitos aos cães-guia. Enquanto leis locais, como no Pará, criam-se selos de reconhecimento e estabelecimentos privados definem suas próprias regras de higiene e circulação.


“A adoção de políticas pet friendly exige cautela,
planejamento e normas claras para evitar riscos
trabalhistas e conflitos internos”


Um bom exemplo a ser citado, é no escritório da Nestlé, em São Paulo. A entrada de animais é permitida desde 2022. De lá pra cá, pesquisas internas mostraram que os funcionários perceberam o ambiente como mais acolhedor e relataram o maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ou seja, são benefícios para o trabalhador, que, muitas das vezes sofre com a precarização.

A pesquisa The Power of Pets, feita pelo National Institutes of Health, apontou que interagir com animais demonstrou reduzir os níveis de cortisol (um hormônio relacionado ao estresse) e diminuir a pressão arterial. Além disso, psicólogos informam que a interação com cães, gatos e outros pets favorece o equilíbrio emocional e fortalece a resiliência diante do estresse. Com a saúde mental em dia, o trabalhador mais saudável, diminui o afastamento do mercado de trabalho. 

Vale ressaltar que a adoção de políticas pet friendly exige cautela, planejamento e normas claras para evitar riscos trabalhistas e conflitos internos como alergias, fobias, higiene e segurança. Mas, com tudo feito dentro da lei, com regulamentação interna, com uma política opcional, a presença dos pets pode ser uma aliada na saúde do trabalhador. Ou seja, não é apenas um direito do empregado, passa a ser uma necessidade. 

* Advogada, pesquisadora e escritora

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