31 de janeiro, de 2026 | 14:30
Segurança pública não pode ser promessa de campanha
Ailton Cirilo *
Entramos em um novo ano eleitoral, e como ocorre a cada ciclo, a segurança pública volta ao centro do debate. Discursos se multiplicam, promessas surgem em profusão e, infelizmente, muitas delas se perdem logo após o fechamento das urnas. Falo com a tranquilidade de quem dedicou a vida ao serviço público e à proteção da sociedade: segurança não pode ser tratada como slogan, nem como instrumento de disputa política. Ela precisa ser compromisso permanente.
Ao longo de décadas de atuação, convivendo diariamente com policiais e bombeiros militares, aprendi que segurança pública se constrói com planejamento, continuidade e respeito. Não existe solução mágica, tampouco ações isoladas capazes de resolver problemas complexos que se acumulam ao longo do tempo. O que existe é trabalho sério, investimento consistente e valorização dos profissionais que estão na linha de frente.
Em anos eleitorais, é comum observarmos uma corrida por propostas fáceis, muitas vezes desconectadas da realidade das ruas. Fala-se em endurecimento de leis, em mais viaturas, em tecnologias milagrosas. Tudo isso pode fazer parte de uma política pública, mas nada disso funciona se não vier acompanhado de gestão eficiente, integração entre as forças de segurança, políticas sociais preventivas e, sobretudo, respeito ao cidadão e aos profissionais que atuam diariamente para protegê-lo.
Policiais e bombeiros militares conhecem como poucos os desafios da segurança pública. São eles que atendem a ocorrência de madrugada, que entram em áreas de risco, que socorrem vítimas, que enfrentam tragédias, incêndios e desastres. Ignorar essa experiência prática na formulação de políticas é um erro grave. Segurança pública não se faz apenas em gabinetes; ela se faz ouvindo quem vive a realidade todos os dias.
Outro ponto que me preocupa é a descontinuidade. A cada troca de governo, projetos são abandonados, programas são interrompidos e recursos são realocados sem avaliação adequada. Quem perde com isso é a população. Segurança exige visão de longo prazo. Exige políticas de Estado, não apenas políticas de governo.
A cada troca de governo, projetos são abandonados,
programas interrompidos e recursos realocados
sem avaliação adequada”
Também é preciso dizer, com clareza, que segurança pública não se resume à repressão. Ela passa pela prevenção, pela educação, pelo urbanismo, pela assistência social e pela geração de oportunidades. Cuidar das cidades, investir em iluminação, mobilidade e espaços públicos seguros também é fazer segurança. Reduzir desigualdades é, indiretamente, salvar vidas.
Em 2026, o eleitor precisa estar atento. Mais do que discursos inflamados, é fundamental analisar trajetórias, compromissos reais e propostas viáveis. Segurança pública é coisa séria demais para ser tratada com improviso ou oportunismo eleitoral.
Da minha parte, sigo acreditando que o caminho é o diálogo, a responsabilidade e o fortalecimento das instituições. Valorizar policiais e bombeiros militares, garantir condições dignas de trabalho e construir políticas públicas consistentes é o mínimo que a sociedade pode exigir. Segurança não é promessa de campanha. É dever permanente do Estado e direito de todo cidadão.
* Coronel da PMMG, especialista em Segurança Pública
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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