03 de fevereiro, de 2026 | 06:00

Bacia das almas

Fernando Rocha

A vitória por 1 X 0 sobre o Betim foi - pode-se chamar assim - na “bacia das almas”, no último lance da partida, em gol marcado por Matheus Pereira que devolve o Cruzeiro à briga pela classificação à semifinal do Campeonato Mineiro.

Contudo, não apaga o que foi outra má apresentação da equipe sob o comando do técnico Tite, muito abaixo do esperado, com altíssima posse de bola e pouca criatividade, abusando dos erros de passes e de finalizações.

O campo pesado e a bola molhada pela chuva prejudicaram o futebol mais técnico dos jogadores da Raposa, mas não serve de desculpa para o fraco futebol apresentado pelo time considerado até então favorito ao título estadual.

O destaque, além do resultado, foi a atuação do meio-campista Gerson, principal contratação para esta temporada, que jogou toda a partida e ocupou com desenvoltura todos os setores do campo dentro das suas características.

Vitória tranquila
O técnico Jorge Sampaoli cumpriu o planejado neste início de temporada e escalou um time misto, e mesmo assim conseguiu uma vitória tranquila, por 3 x 1, fora de casa, sobre o Pouso Alegre, no péssimo gramado do Estádio Manduzão.

No primeiro tempo, o time tomou um susto, ao sofrer o gol do Pouso Alegre, marcado por Gabriel Tota, em um belo chute de fora da área.

Mas, na segunda etapa, o “mistão” do Galo voltou ligado e empatou aos cinco minutos, com Reinier, de cabeça, após cruzamento de Scarpa. No minuto seguinte, o time virou, por 2 x 1, com gol de Cuello; aos 42 minutos, o zagueiro Ruan Tressoldi arrancou da defesa no contra-ataque e fez 3 a 1.

Com esta vitória, o Galo chegou aos 10 pontos, vice-líder do Grupo A, um ponto atrás da URT, mas é o melhor segundo colocado e encaminhará a sua classificação se vencer, no próximo sábado, o Athletic, na Arena MRV.

Nesta quarta-feira, o time se volta para o Brasileirão, onde vai buscar a primeira vitória fora de casa, contra o Bragantino, desta vez utilizando todos os titulares.

FIM DE PAPO

O gramado resistiu bem à chuva que caiu durante a partida, em Betim, não servindo de desculpa para o mau futebol apresentado pelo Cruzeiro. Prejudiciais foram as contusões do zagueiro Jonathan Jesus, que sentiu o joelho direito e foi substituído por João Marcelo, ainda no primeiro tempo; logo depois, o atacante Chico da Costa, que substituía o artilheiro poupado Kaio Jorge, sofreu contusão muscular e também pediu para sair, entrando o garoto Neyser Villareal no seu lugar. Chico da Costa teve, a meu juízo, um gol mal anulado pelo VAR.

Mas nada se compara à cena inusitada e hilária protagonizada pelo goleiro Cássio, logo aos três minutos do segundo tempo, ao abandonar o campo correndo, para ir ao banheiro, acometido de uma forte dor de barriga. O goleiro ficou por cerca de quatro minutos no vestiário e, quando retornou ao campo, recebeu uma “homenagem” dos torcedores adversários: “cagão! cagão!”, gritaram os torcedores do Betim.

Sempre me surpreendo com as coisas que acontecem no futebol e - caminhando para meio século de atuação no jornalismo, sendo quase todo esse tempo na cobertura esportiva - jamais tinha visto algo igual à esta cena do goleiro Cássio. Lembro-me que, em 2000, Cruzeiro e Flamengo fizeram um amistoso no Ipatingão, abrindo a temporada. O segundo tempo demorou para começar - cerca de dez minutos, além do intervalo normal - porque o atacante do Cruzeiro, Marcelo Ramos, ficou no banheiro do vestiário, às voltas com um “piriri gangorra”.

O saudoso técnico Luciano Pascoal dirigia o Ideal, na terceira divisão estadual, e estava ameaçado no cargo, pois os resultados eram ruins. Luciano sofria com problemas de hemorroida e teve uma crise no intervalo de uma partida no Ipatingão. Impedido de voltar ao gramado para o segundo tempo junto com os jogadores, no banheiro do vestiário, solitário, ouviu pelo sistema de som o anúncio de várias substituições que não tinham sido combinadas, coisa do auxiliar técnico fixo do clube que estava querendo derrubá-lo. Mesmo sofrendo com fortes dores, Luciano voltou no sacrifício até o gramado ainda a tempo de barrar as alterações e a trairagem do “mui amigo” companheiro de clube. (Fecha o pano)

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