02 de fevereiro, de 2026 | 15:07
Timóteo alerta para sintomas e importância do diagnóstico precoce da hanseníase
A população de Timóteo recebe orientações sobre a hanseníase, doença infecciosa conhecida há séculos. O alerta inclui a confirmação de dois novos casos identificados em dezembro de 2025, informou o governo local.
A médica dermatologista Franceline Quintão Azevedo Penna, referência técnica do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) para pacientes com hanseníase, detalhou as características da doença e os desafios no diagnóstico e no tratamento. A hanseníase acomete a pele e os nervos com redução da força e perda da sensibilidade. É uma doença antiga que tem poucos investimentos em estudos e pesquisas.
Os pacientes reclamam de áreas dormentes no corpo, manchas que não melhoram, redução da sensibilidade em áreas comprometidas, dores nos membros superiores e inferiores, redução da força e acometimento neural. O tratamento é longo e não existem medicamentos novos ou exames atualizados. É uma das doenças mais desafiadoras da medicina, por causa da complexidade dos sintomas”, afirma Franceline.
A dermatologista relatou ainda que há pacientes que não apresentam manchas na pele, o que dificulta a identificação da enfermidade, e fez um alerta aos profissionais de saúde. No início, os sintomas são muito semelhantes ao de outras doenças, o que pode confundir e dificultar o diagnóstico. É importante que os médicos se lembrem de investigar a hanseníase buscando um diagnóstico diferencial”, recomenda. Ela também chama a atenção para o estigma associado à doença, que atinge majoritariamente pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. Existe ainda a dificuldade do paciente em não aceitar o diagnóstico”, conta a médica.
Transmissão e tratamento
O Brasil ocupa a segunda posição mundial entre os países que registram casos novos de hanseníase. Diante da elevada carga da doença, ela permanece como um problema de saúde pública, com notificação compulsória e investigação obrigatória.
A hanseníase é causada por uma bactéria conhecida como bacilo de Hansen e apresenta desenvolvimento lento. A transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores, por meio de espirro, tosse ou fala da pessoa infectada, e não por objetos utilizados pelo paciente. Para que haja contágio, é necessário contato próximo e prolongado, não havendo transmissão vertical da mãe para o bebê no momento do parto.
O tratamento varia de seis a 12 meses, conforme a forma da doença, e não exige isolamento social. Em Timóteo, o Centro de Saúde João Otávio, localizado na avenida 20, nº 136, no bairro Olaria II, por meio do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), disponibiliza testes rápidos, tratamento, medicamentos, exames clínicos e testes de sangue para familiares e pessoas que tiveram convivência com pacientes infectados.
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