03 de fevereiro, de 2026 | 07:00

Vale do Aço perde 1,6 mil empregos em dezembro, mas fecha 2025 no azul

Divulgação
Indústria fecha vagas e serviços lideram empregos no Vale do Aço em 2025Indústria fecha vagas e serviços lideram empregos no Vale do Aço em 2025
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço

A Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) encerrou o mês de dezembro de 2025 com uma perda de 1.600 vagas com carteira assinada. Os dados são do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e levantados e enviados ao Diário do Aço pela Coordenação de Estatística e Pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço.

Somente Ipatinga perdeu 1.278 postos de trabalho no último mês do ano. Coronel Fabriciano fechou 205 vagas, Santana do Paraíso teve saldo negativo de 98 empregos e Timóteo encerrou dezembro com menos 19 vínculos formais.
O movimento acompanha a tendência observada em Minas Gerais e no Brasil. Em dezembro, o país fechou 618.164 vagas com carteira assinada, enquanto Minas perdeu 72.755 postos de trabalho. Ainda assim, no acumulado de 2025, o Brasil criou mais de 1,27 milhão de empregos formais, e o estado registrou saldo positivo de 79.008 vagas.

“O observatório das metropolizações vai continuar acompanhando o comportamento do mercado de trabalho no Vale do Aço e observando essa tendência da indústria para verificar se a indústria de fato entrou no momento na região de contração, no sentido de reduzir recursos humanos, reduzir mão de obra, reduzir empregabilidade, o que acaba repercutindo de maneira geral no conjunto da economia da região”, destacou William Passos, geógrafo e coordenador de estatística e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) campus Ipatinga.

Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, a região somou 751 novos postos de trabalho com carteira assinada. Fabriciano liderou o crescimento, com saldo de 362 vagas, seguido por Ipatinga, com 296. Santana do Paraíso fechou o ano com 47 novos empregos formais, enquanto Timóteo registrou saldo positivo de 46 vagas.

Na análise setorial da RMVA, o setor de serviços foi o principal responsável pela geração de empregos ao longo do ano, com saldo de 708 vagas. O comércio aparece em seguida, com 144 novos postos, e a construção civil soma 127 empregos formais criados. A agropecuária teve impacto reduzido, com saldo de 20 vagas.

“Vale destacar que em Fabriciano o setor de serviços é o mais forte, e gerou 352 empregos com carteira assinada, em Paraíso também gerou 65 novos empregos. Em Timóteo, a indústria continuou no ano de 2025 sendo muito forte, porque gerou 264 empregos, ajudando a explicar o resultado final do ano de 2025 no município”, analisou William.

A indústria, por outro lado, foi o único setor a encerrar 2025 com saldo negativo, acumulando fechamento de 248 postos de trabalho ao longo do ano. O resultado chama atenção em uma região historicamente marcada pela atividade industrial e ajuda a explicar parte da oscilação observada no mercado de trabalho local.

“Importante destacar que no ano de 2025 inteiro a indústria de Ipatinga exibiu um desempenho muito ruim e que o Vale do Aço é uma região altamente dependente da indústria, que demitiu mais de 500 funcionários, ou seja, foram mais de 500 demissões a mais do que admissões. É uma indústria que não vem gerando emprego com carteira assinada. Se a gente pegar o ano inteiro, é uma indústria que vem demitindo muito mais do que admitindo”, observou Passos.

Serviços assumem o protagonismo
William passos apontam dados, segundo os quais, o setor de serviços vem a cada ano assumindo o protagonismo na geração de empregos no Vale do Aço, enquanto a indústria, sistematicamente, deixa esse posto.

“O que a gente vem observando, não só considerando o ano de 2025, mas também os anos anteriores, é que a gente tem um Vale do Aço com cada vez maior participação dos serviços no mercado de trabalho, ou seja, o mercado de trabalho cada vez mais puxado pelo setor de serviços e o cada vez precisando depender menos da indústria, porque é uma indústria que contribui cada vez menos com o mercado de trabalho regional”, concluiu.

Os dados do Caged se somam aos indicadores da PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam taxa de desemprego de 5,6% no Brasil em 2025, informalidade de 38,1% e renda média do trabalho de R$ 3.560.
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