06 de fevereiro, de 2026 | 07:10
As lições que o caso Epstein apresenta
Carlos Alberto Costa *
Para os gregos antigos, ética (ethos) e moral não eram apenas conjuntos de regras, mas a busca do florescimento humano, alcançado não por prazeres efêmeros, e sim por uma vida virtuosa. A ética baseava-se no uso da razão para guiar as ações e tomar decisões conscientes, permitindo ao indivíduo distinguir o bem e afastar-se do mal, pois o entendimento era de que a moralidade não é inata, mas adquirida pelo hábito, pela educação e pela prática constante de boas ações. Lembrei-me da minha primeira aula de ética na UFMG ao ler as atualizações sobre o caso Jeffrey Epstein, um criminoso sexual condenado que cometeu suposto suicídio em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual nos Estados Unidos.Entre tudo o que se falou sobre esse caso, um vídeo do fundador da ONG Sou da Paz, do Rio de Janeiro, Antonio Carlos Costa, enviado por um amigo com quem discuti o assunto há alguns dias, chama a atenção pela precisão cirúrgica. O escândalo global tem um componente insólito: a hipocrisia, o atropelo da ética e da moralidade. Usar seres humanos como objetos passa longe de qualquer conceito de humanidade ou felicidade. Antonio Carlos observa que os chamados arquivos Epstein - contendo documentos, depoimentos e registros judiciais que vêm sendo divulgados - expõem uma rede de abuso sexual envolvendo homens riquíssimos, altamente escolarizados e politicamente influentes. Eles revelam algo que muitos prefeririam continuar negando: o mal não é privilégio dos ignorantes, dos pobres ou dos marginalizados.
Usar seres humanos como objetos
passa longe de qualquer conceito de
humanidade ou felicidade”
A primeira lição é um golpe frontal na fantasia da supremacia branca. A ideia de que o branco europeu, alemão, anglo-saxão, ou o que for, representaria um ápice moral da espécie humana é não apenas moralmente obscena, mas cientificamente risível. O caso Epstein mostra que o supremacista branco, além de comer, defecar, adoecer, envelhecer e morrer, como qualquer outro ser humano, é plenamente capaz de cometer atrocidades.
A segunda lição é clara: educação não é panaceia. Acesso às melhores universidades, às mais altas conquistas intelectuais e à informação refinada não produz automaticamente um mundo decente.
Terceira lição: caráter é mais importante do que talento. Apesar de toda a inteligência, de todas as habilidades e de todos os feitos profissionais, muitos destruíram tudo por falta de caráter.
O poder pode estar nas mãos de pessoas capazes
de determinar o curso da história enquanto vivem
na mais absoluta podridão ética”
Quarta lição: podemos ser governados por gente maligna. Poder econômico e poder político podem estar nas mãos de pessoas profundamente deformadas moralmente, capazes de determinar o curso da história enquanto vivem na mais absoluta podridão ética.
Quinta e última lição: o relativismo moral é cruel. Este caso desmonta a ideia de que todos os valores são apenas construções sociais. Há algo objetivamente errado em usar seres humanos para o prazer. Ao final, fica a impressão de que só aprendemos quando a vida golpeia com brutalidade aquilo que poderia ter sido aprendido por nós, mediante o uso da razão, uma razão esclarecida pela verdade.
* Professor aposentado.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

















Escandal
11 de fevereiro, 2026 | 06:25Ainda tem dúvidas do que seja esse caso? Preste atenção: É um dos maiores escândalos de crimes sexuais e tráfico humano da história recente, envolvendo a elite financeira, política e social de diversos países. Epstein era um bilionário americano do setor financeiro que circulava entre as pessoas mais poderosas do mundo - incluindo ex-presidentes, membros da realeza europeia e grandes empresários. Ele era conhecido por seu estilo de vida extravagante, possuindo mansões em Nova York, Palm Beach e uma ilha privada no Caribe (Little St. James), que ficou tristemente conhecida como "Ilha do Prazer". Ele foi acusado de operar uma vasta rede de tráfico sexual de menores e de usar seu poder financeiro para recrutar jovens, muitas vezes adolescentes, que eram submetidas a abusos sexuais e forçadas a prestar "serviços" para ele e seus convidados influentes. Preso Epstein apareceu "suicidado" numa cela. Só isso.”
Sergey Brin
06 de fevereiro, 2026 | 23:07O cofundador do Google e um dos homens mais ricos do mundo, visitou a ilha particular de Epstein e fez planos para jantar na casa do criminoso sexual em Nova York, de acordo com documentos divulgados na sexta-feira.
Ele também trocou mensagens com Ghislaine Maxwell, que escreveu a Brin em abril de 2003:
'Jantares na casa de Jeffrey são sempre aqradáveis, informais e descontraídos. Espero vê-lo em breve".
Em outro e-mail, Gislaine convidou Brin para acompanhá-la a exibição de filmes em Nova York.
As tretas do Jeffrey revelam que os comedores de criancinhas não são apenas os comunistas, talkey!?”