09 de fevereiro, de 2026 | 16:00

Peça em três atos  (ou quase!)

Nena de Castro *

1º ato - A cortina se abre. O palco contém um bolo de neversal, enorme, representando o planeta Terra com suas divisões políticas. Ao som da 5ª Sinfonia de Beethoven, entra o Pinto Calçudo, vestido como Luís XV. A ridícula cabeleira loura empoada, com o rabicho amarrado lhe dava um ar de Victor Mature interpretando Sansão naquele filmeco de mil novecentos e outrora. Na frente, à  direita  da plateia , ICES, apoiados pelos monitores cívico-militares de Sun Paulo, portavam cassetetes e armas de choque, dentre outras. Um deles inscrevia instrussões no quadro, egigindo  cilênssio pra se ter orde e pogressio. O quase impera - a- dor  segura o rabo da casaca dourada e toma assento na portrona real.

2º ato - Entra um mordomio, tombém de casaca e vai partir o bolo. Pinto Calçudo dá um pinote e toma-lhe a faca, substituída por um facão que tira do borso.           Avança até o bolo, contempla-o e começa a cortar o mundo. O primeiro a ser comido é a Venezuela, que o ogro devora vorazmente. Um dos monitores suspende uma placa onde se lê: “aprausos” e a pratéia bate parmas.  

O homi-ogro para um instante e toma das mãos de um cardeal uma coroa de oiro, brilhantes e águas-marinhas advindos da África e do Brasil , lavados inúmeras vezes para retirar o sangue. Aponta o facão pra Groelândia e lambe os beiços, mas não consegue o pedaço (ainda). Então o grão-lorão dá umas cutucadas na parte do bolo referente ao Irã, Iraque,  Síria, Afeganistão, Iêmen, Somália, Líbia, Níger, além de países caribenhos. Aponta o facão contra o Brasil, circunda-o com a ponta, mas resolve comê-lo depois. De repente, leva a mão à barriga, tá com indigestão. Um dos ICES grita pedindo um remédio! Uma mulher bugra, grita: “sabia que ele ainda ia dar um troço com tanta gula! Tomara que seja piriri-gangorra prolongada que não lhe permita sair do banheiro e fazer mais cagadas por aí!

3º ato - Esse fica a cargo dos meus queridos cinco leitores! Eu tô intojada com os erros crassos dos monitores e por saber que o governo paulistano vai gastar 17 milhões  para mantê-los, ao invés de remunerar condignamente os professores e oferecer-lhes cursos de atualização pedagógica, colocar psicólogos e assistentes sociais nas escolas e investir na compra de LIVROS ÀS MANCHEIAS.

Bão, pelo menos estive em BH semana passada e vi encantada, as catracas dos ônibus liberadas aos domingos e o Madrugão, que leva para casaos que largam serviço  de madrugada. Aí, famílias de trabalhadores de BH: vistam as roupas domingueiras, preparem a matula e como canta Chico Buarque em “Bom Tempo”: “mas finalmente é domingo, rapidamente me vingo, eu vou me espalhar por aí”.  Que tal catraca livre também no Vale do Aço? E nada mais digo...
 
* Escritora e Encantadora de  Histórias.
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