13 de fevereiro, de 2026 | 07:02

Cão Orelha: como a escola pode ajudar a prevenir a violência contra animais

Andréa Piloto *

A repercussão nacional do caso do cão Orelha gerou indignação coletiva e reacendeu um debate urgente sobre como educar crianças e adolescentes para respeitar e proteger os animais. O assunto se torna ainda mais relevante diante do crescimento dos registros de maus-tratos no país. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o Brasil registrou 4.919 processos por maus-tratos a animais em 2025, média de cerca de 13 casos por dia, número que evidencia a escalada desse tipo de violência e a necessidade de ações preventivas em diferentes frentes da sociedade.

Ao mesmo tempo, reportagens e pesquisas dos últimos anos - como a das pesquisadoras Beatriz Lemos, Letícia Oliveira e Tatiana Azevedo - apontam para o aumento de comunidades de jovens em redes sociais, especialmente Discord e Twitter, focadas em compartilhar e incentivar atos de violência e outros comportamentos criminosos.

Tanto familiares quanto educadores podem formar uma rede de proteção de crianças e adolescentes em relação a esse tipo de conteúdo, além de facilitarem a identificação e correção desses comportamentos quando necessário.

A escola pode observar mudanças de comportamento, falta de empatia, relatos de agressões ou brincadeiras violentas recorrentes. O objetivo não é punir, mas compreender e agir antes que situações mais graves aconteçam. Segundo ela, educadores também podem atuar em parceria com psicólogos e equipes pedagógicas para identificar possíveis sinais de sofrimento emocional ou comportamentos de risco.



“Tanto familiares quanto educadores podem formar
uma rede de proteção de crianças e adolescentes
em relação a esse tipo de conteúdo”



Outro processo sugerido pela especialista é utilizar o espaço escolar para desenvolver valores humanos essenciais. Quando ensinamos o cuidado com os animais, estamos ensinando responsabilidade, empatia e limites. A educação precisa ir além do conteúdo acadêmico e trabalhar a formação emocional e ética das crianças desde pequenas. A comoção social em torno de casos de violência pode ser transformada em aprendizado coletivo quando a escola promove projetos permanentes de convivência e respeito.

Entre as estratégias pedagógicas recomendadas estão projetos de educação ambiental e cidadania, rodas de conversa sobre empatia, atividades práticas de cuidado com animais e campanhas solidárias com abrigos. Essas ações ajudam a desenvolver habilidades socioemocionais, responsabilidade e consciência sobre o impacto de suas atitudes.


“O comportamento agressivo pode vir de
fatores ambientais até exposição à
violência e emocionais ou psicológicas”


É preciso ressaltar que o comportamento agressivo em crianças e adolescentes pode ter diferentes origens, desde fatores ambientais, como negligência e exposição à violência, até questões emocionais ou psicológicas que exigem acompanhamento. Em alguns casos, a criança pode apresentar dificuldades comportamentais desde bem cedo, o que reforça a necessidade de observação atenta por parte da escola e da família, sempre com acolhimento e apoio profissional, e nunca com rotulações ou punições isoladas.

* Diretora da Escola Vereda

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