19 de fevereiro, de 2026 | 07:00
Golpes digitais exploram falhas de conectividade e telefonia, e ampliam riscos para usuários e empresas
Jander César Albuquerque Faria *
Os golpes digitais avançam de forma acelerada no Brasil e passam a alcançar, com cada vez mais frequência, falhas na infraestrutura de conectividade e de telefonia. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários e dificultar o rastreamento dessas fraudes.Dados da Kaspersky's Threat Landscape, um site de levantamentos de ameaças cibernéticas, indicam que o Brasil enfrentou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing (incluindo SMS, e-mail e ligações telefônicas) entre 2024 e 2025. Isso indica que o avanço dos golpes acompanha diretamente a evolução da própria tecnologia de telecomunicações. Golpistas vêm se aproveitando de redes mal configuradas, equipamentos desatualizados ou até mesmo da falta de mecanismos de autenticação mais robustos.
"A falta de atualização de roteadores, centrais
telefônicas e sistemas corporativos ampliam o
risco de exploração e fragilidade"
Tecnologias como o spoofing permitem que o número exibido na tela não corresponda à origem real da chamada, o que facilita golpes como o falso suporte bancário, falsas cobranças e o chamado golpe do falso advogado”. Com isso, sem mecanismos de validação mais avançados e sem uma gestão adequada da infraestrutura, o usuário fica exposto e, na maioria das vezes, sem perceber.
Além disso, a falta de atualização de roteadores, centrais telefônicas e sistemas corporativos ampliam o risco de exploração e fragilidade, já que boa parte das fraudes poderiam ser mitigadas com práticas básicas, como atualização de firmware, segmentação de redes, autenticação em dois fatores e monitoramento do tráfego de voz e dados.
O combate aos golpes digitais passa por uma combinação de educação do usuário, investimentos em infraestrutura segura e maior atuação das operadoras e órgãos reguladores, com mecanismos mais eficientes de identificação e bloqueio de chamadas e mensagens fraudulentas. Porém, enquanto a conectividade não for tratada como um ativo estratégico de segurança, e não apenas como um serviço, os golpes vão continuar evoluindo. E a pergunta que fica é: até quando?
* Especialista em infraestrutura de redes e conectividade, com mais de 25 anos de experiência no setor
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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