19 de fevereiro, de 2026 | 16:20
Álcool e drogas: quando o consumo deixa de ser escolha e vira doença
O consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas ainda é visto, muitas vezes, como algo socialmente aceito ou relacionado a momentos de lazer. No entanto, quando o uso deixa de ser ocasional e passa a interferir na saúde, nos relacionamentos e na rotina, o que parecia uma escolha pode se transformar em uma doença. O alerta ganha ainda mais relevância com o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, celebrado em 20 de fevereiro, que reforça a importância da conscientização, prevenção e busca por tratamento.Segundo o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha, Dr. Rafael Procópio, o impacto do consumo abusivo vai muito além do organismo físico e atinge diretamente a saúde mental. O consumo de álcool está diretamente ligado ao aumento de ansiedade, depressão, crises de pânico, alterações de humor, insônia e até quadros psicóticos. Além disso, pode piorar doenças psiquiátricas já preexistentes. Muitas vezes, as pessoas passam a usar a substância para aliviar o sofrimento emocional, mas acabam entrando em um ciclo ainda mais prejudicial”, explica.
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O psiquiatra destaca ainda que a intervenção nos estágios iniciais pode impedir o agravamento do quadro e favorece a reinserção social do paciente
O psiquiatra destaca ainda que a intervenção nos estágios iniciais pode impedir o agravamento do quadro e favorece a reinserção social do pacienteReconhecer o problema nem sempre é fácil. Em muitos casos, a dependência se instala de forma silenciosa e progressiva. De acordo com o especialista, alguns comportamentos funcionam como sinais de alerta para familiares e amigos. Entre os principais indícios estão a dificuldade em reduzir ou parar o consumo, o aumento da quantidade utilizada e a necessidade de usar a substância para se sentir bem. Também é comum o surgimento de irritabilidade quando a pessoa não consome, mentiras sobre o uso, isolamento social e queda no rendimento profissional ou escolar. Muitas vezes, a pessoa minimiza o problema e nega que precisa de ajuda”, destaca o psiquiatra.
A dependência química é reconhecida como uma condição médica e ocorre quando o indivíduo perde o controle sobre o consumo e continua utilizando a substância mesmo diante de prejuízos evidentes. O consumo passa a ser considerado uma doença quando a pessoa perde o controle sobre o uso do álcool ou de outras drogas e mantém o consumo mesmo enfrentando prejuízos na saúde, na família, no trabalho ou na vida social”, ressalta Dr. Rafael Procópio.
O uso abusivo de álcool e drogas pode desencadear uma série de complicações graves. Entre os principais impactos físicos estão doenças hepáticas, problemas cardiovasculares, alterações neurológicas e prejuízos ao sistema digestivo, além do enfraquecimento do sistema imunológico. Outro fator preocupante é o aumento do risco de acidentes e episódios de violência. O uso dessas substâncias eleva a probabilidade de acidentes, especialmente no trânsito, além de situações de violência que podem gerar danos tanto para a própria pessoa quanto para terceiros. Com o passar do tempo, o organismo vai se desgastando e as consequências podem ser graves e até fatais”, alerta o médico.
Apesar dos desafios, a dependência tem tratamento e quanto mais cedo ele é iniciado, maiores são as chances de recuperação e qualidade de vida. Quanto mais cedo a pessoa buscar ajuda, menores são os prejuízos e maiores as chances de recuperação. O tratamento precoce evita complicações físicas, emocionais e sociais, além de reduzir o risco de recaídas. A dependência não é fraqueza, é uma doença que precisa de acompanhamento profissional”, reforça o especialista.
O psiquiatra destaca ainda que a intervenção nos estágios iniciais pode impedir o agravamento do quadro e favorece a reinserção social do paciente. A dependência é uma condição médica que requer tratamento especializado e acompanhamento contínuo. Com suporte adequado, é possível retomar o equilíbrio e reconstruir projetos de vida”, conclui.
O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas surge como um convite à reflexão sobre o tema, reforçando que o acolhimento, o acesso à informação e o tratamento são passos essenciais para transformar histórias e salvar vidas.
Hospital Márcio Cunha
Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.200 partos realizados no HMC, cerca de 36 mil internações, mais de 18 mil cirurgias, mais de 60 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais e 27º melhor do país.
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