26 de fevereiro, de 2026 | 07:52

Polícia Federal apreende jatinho de deputado mineiro investigado por desvios no INSS

Reprodução de vídeo
Parlamentar é apontado como peça-chave em esquema que teria movimentado R$ 708 milhões por meio de convênio com entidade rural; defesa afirma que aeronave foi adquirida com recursos próprios e lícitosParlamentar é apontado como peça-chave em esquema que teria movimentado R$ 708 milhões por meio de convênio com entidade rural; defesa afirma que aeronave foi adquirida com recursos próprios e lícitos

A Polícia Federal apreendeu, nesta semana, um jatinho de propriedade do deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), em desdobramento da Operação Sem Desconto. A medida integra as investigações sobre supostos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Pettersen preside o diretório estadual do Republicanos em Minas Gerais e é investigado por suspeita de receber ao menos R$ 14.700.000 em propina para oferecer proteção política a um esquema que teria sido operado a partir de convênio entre o INSS e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

A fase anterior da operação foi deflagrada em novembro, quando o parlamentar foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Esquema investigado e valores apurados

Conforme relatório policial, o deputado era apontado como “figura essencial” para a manutenção do esquema. Segundo a investigação, ele teria viabilizado o acesso do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, a agentes com influência sobre indicações para a presidência do INSS.

A PF sustenta que esse trânsito político teria permitido a continuidade dos descontos considerados irregulares. O relatório indica que a Conafer recebeu R$ 708.000.000 do INSS entre o início do convênio e a deflagração da operação. Desse total, aproximadamente 90% teriam sido desviados para empresas de fachada e contas de operadores financeiros.

Os investigadores atribuem ao parlamentar o recebimento de ao menos R$ 14.700.000 por meio de transferências fracionadas - prática conhecida como “smurfing” - destinadas a empresas como a Fortuna Loterias, em Governador Valadares, e a Construtora VLH, em Inhapim, ambas no Vale do Rio Doce. A análise bancária, segundo a corporação, apontou que os repasses coincidiam com períodos de liberação de lotes de pagamentos do INSS ao convênio firmado com a Conafer.

Além das suspeitas relacionadas às propinas, o deputado também é investigado por ter vendido uma aeronave a uma entidade ligada às fraudes apuradas. A apreensão do jatinho, nesta segunda-feira, integra esse núcleo das investigações, que apura o uso de bens e empresas no fluxo financeiro do suposto esquema.

Manifestação do deputado

Em nota, o parlamentar afirmou que não pode comentar o caso em razão do sigilo judicial, mas declarou que a aeronave foi adquirida com recursos próprios e de origem lícita.

“O bloqueio atualmente vigente, o qual alcança, de forma indistinta, a totalidade dos meus bens, constitui medida cautelar prevista em lei, de caráter temporário, e não representa qualquer juízo sobre o mérito das investigações. Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo de justiça, não cabe tecer comentários adicionais”, afirmou.

O deputado também declarou confiar no trabalho das autoridades e reiterou estar à disposição para prestar esclarecimentos, além de negar a prática de irregularidades.

A investigação segue em curso para apurar a responsabilidade dos envolvidos e o destino dos recursos vinculados ao convênio firmado com o INSS. Veja, abaixo, vídeo da máquina do deputado, apreendida pela PF:


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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

26 de fevereiro, 2026 | 09:46

“"Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão '.
Na década de 1980, quando não tinhamos direito de votar ara Presidente, Governadores, Prefeitos de capitais e de algumas cidades consideradas de Segurança Nacional, um Pettersen foi Prefeito nomeado/indicado de Carangola, só porque no Distrito de Fervedouro, hoje emancipado, tem uma fonte de água mineral.
A pequena rodovia estadual, que liga Divino à Carangola, tem nome de Pettersen.”

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