27 de fevereiro, de 2026 | 15:40
Médico aponta que câncer de intestino avança no país e orienta para prevenção
Divulgação
Especialista alerta que rastreamento e mudança de hábitos são fundamentais para reduzir casos da doença
Especialista alerta que rastreamento e mudança de hábitos são fundamentais para reduzir casos da doençaO mês de março chega com um alerta importante para a saúde da população e convida à reflexão sobre um tema que, apesar de comum, ainda é cercado por desinformação e medo: o câncer de cólon e reto, também conhecido como câncer colorretal ou câncer de intestino. Considerado um dos tumores mais frequentes no país, a doença apresenta altas chances de prevenção e cura quando identificada precocemente, o que reforça a importância da adoção de hábitos saudáveis e da realização de exames de rotina, destaca a Fundação São Francisco Xavier (FSFX), gestora do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga.
Dados da publicação Estimativa 2026 Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgada em fevereiro, apontam que o país deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano entre 2026 e 2028, com risco estimado de aproximadamente 25 casos a cada 100 mil habitantes. Desse total, a previsão é de 26.270 diagnósticos entre homens e 27.540 entre mulheres. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes no Brasil, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste.
A doença se desenvolve no intestino grosso e pode surgir em qualquer parte do cólon ou do reto. Geralmente, tem origem em alterações genéticas decorrentes de lesões benignas, como pólipos. O tipo adenocarcinoma corresponde a mais de 90% dos casos diagnosticados, o que evidencia o alto potencial de prevenção por meio do diagnóstico precoce.
O gastroenterologista, hepatologista e endoscopista, coordenador do Serviço de Gastroenterologia do HMC, Rodrigo Lovatti, explica que o câncer de intestino costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, dificultando o reconhecimento da doença nas fases iniciais. O câncer de intestino pode não apresentar sintomas no começo, o que reforça a importância dos exames preventivos. Porém, existem sinais de alarme aos quais as pessoas devem ficar atentas, como presença de sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, seja por diarreia ou prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal frequente, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e anemia”, alerta o médico.
Segundo o especialista, compreender o desenvolvimento da doença ajuda a reduzir o medo e fortalece a prevenção. O câncer de intestino não surge diretamente como câncer. Ele começa como um pequeno pólipo, semelhante a uma verruga, que pode ser removido antes de se transformar na doença. Realizar a colonoscopia no momento adequado não significa procurar câncer, mas impedir que ele exista. A prevenção representa um ato de cuidado com você e com quem está ao seu lado”, orienta.
Prevenção
Apesar das possibilidades de prevenção, muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados, o que compromete o tratamento e a qualidade de vida do paciente. De acordo com o médico, o câncer colorretal está entre os três tipos mais frequentes no Brasil e figura entre as principais causas de morte por câncer, cenário que reforça a importância do rastreamento adequado.
A colonoscopia é considerada o principal exame para identificar precocemente a doença. Além de permitir a visualização do intestino grosso, o procedimento possibilita a retirada de pólipos antes que se tornem malignos. Na prática, a colonoscopia não apenas detecta o câncer, mas impede o seu surgimento. Trata-se de um dos poucos exames na medicina que atua, ao mesmo tempo, como diagnóstico e prevenção”, destaca o especialista.
A recomendação é que pessoas sem fatores de risco iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos. Já para quem possui histórico familiar de câncer de intestino, o acompanhamento deve começar 10 anos antes do diagnóstico do familiar de primeiro grau. Se um parente recebeu diagnóstico aos 50 anos, por exemplo, o rastreamento deve começar aos 40”, explica o médico.
Fatores de risco
Além da idade e da predisposição genética, hábitos de vida influenciam diretamente no risco de desenvolvimento da doença. Entre os fatores que aumentam a probabilidade de surgimento do câncer estão o consumo frequente de carnes processadas e ultraprocessadas, o baixo consumo de fibras, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e doenças inflamatórias intestinais.
Para reduzir os riscos, o especialista reforça que pequenas mudanças na rotina fazem diferença significativa. Consumir mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir alimentos ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, manter o peso adequado, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar exames preventivos no período correto são atitudes simples, mas extremamente eficazes. É o básico bem-feito”, conclui o médico.
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