28 de fevereiro, de 2026 | 11:32
Leptospirose volta a crescer em 2025 e iguala pior índice desde 2007 na região
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Com os nove casos confirmados em 2025, o ano passa a figurar como um dos mais críticos da série histórica regional
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
Com os nove casos confirmados em 2025, o ano passa a figurar como um dos mais críticos da série histórica regionalO número de casos confirmados de leptospirose voltou a crescer na Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) em 2025. Conforme dados dos Painéis de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, extraídos pelo Diário do Aço, o ano fechou com nove confirmações e uma morte na região, volume que iguala 2014 como o pior resultado da série histórica iniciada em 2007.
Na RMVA, os nove casos confirmados em 2025 se concentraram no mês de janeiro, período marcado por forte chuva. Coronel Fabriciano lidera os registros, com quatro casos e uma morte. Ipatinga notificou dois casos; Santana do Paraíso um; e Timóteo dois.
O cenário representa aumento expressivo em relação aos anos anteriores. Em 2024 foram dois casos confirmados na região, ambos em Coronel Fabriciano, sem mortes. As notificações ocorreram em 14 e 17 de dezembro, também durante o período chuvoso.
Em 2023 foram dois casos, um em Ipatinga e outro em Timóteo, igualmente sem óbitos. As confirmações ocorreram nos meses de março e dezembro.
Já em 2022, entre janeiro e março, foram sete casos confirmados na região: um em Fabriciano, um em Ipatinga (com uma morte), um em Paraíso e quatro em Timóteo.
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Médico infectologista explica que período chuvoso é mais propício para o aumento de casos da doença
Médico infectologista explica que período chuvoso é mais propício para o aumento de casos da doençaA chuva intensa, especialmente quando ocorre enchentes e alagamentos, facilitam o contato direto das pessoas com a água contaminada pela urina dos roedores infectados. Esse contato é a principal forma de transmissão da bactéria para o ser humano. Os cuidados preventivos em época de chuva devem incluir o uso exclusivo de água potável para o consumo humano, evitar sempre o contato com água ou lama suspeitas, sempre usar EPI no manejo desses resíduos, combater a presença de ratos nos ambientes e sempre evitar condições que os atraem, como a presença de lixo no ambiente”, explica o médico infectologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Pedro Henrique Mendes. A susceptibilidade à leptospirose é universal, ou seja, todos os indivíduos podem adoecer, porém quem tem maior exposição a áreas de risco têm maior chance de se infectar”, continuou.
Sintomas e tratamentos
As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e subclínicas até quadros graves, associados a manifestações fulminantes.
São divididas em duas fases, a fase precoce e a fase tardia. Embora tenham sido confirmados 9 casos em Ipatinga, houve 75 notificações de possíveis casos.
Cerca de 15% dos pacientes com leptospirose podem evoluir para uma forma grave da doença. Esse quadro se caracteriza pela piora dos sintomas, além de 7 dias. Alguns fatores podem estar associados a maior risco de evolução adversa, como o atraso no início do tratamento, a presença de outras doenças e inundação. O período de incubação da doença, ou seja, o tempo a partir do contato com a bactéria e o início dos primeiros sintomas, varia normalmente entre 1 a 30 dias, com média de apresentação em torno de uma a duas semanas”, explicou o infectologista.
O diagnóstico específico é feito a partir da coleta de sangue no qual será verificado se há presença de anticorpos para leptospirose (exame indireto) ou a presença da bactéria (exame direto). O método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente.
O diagnóstico é baseado na história de exposição de risco associada à presença de sinais e sintomas sugestivos de leptospirose, e para confirmar é importante a coleta de exames de sangue que vão identificar a própria bactéria ou as defesas que o corpo produz contra ela. Existem exames específicos para cada fase da doença, por isso, em caso de suspeita de leptospirose, deve-se procurar imediatamente atendimento médico para o diagnóstico”, afirmou.
Por fim, o profissional frisa que a leptospirose pode se apresentar desde formas silenciosas até formas bastante graves. Os principais sintomas identificados na leptospirose são a presença de febre geralmente alta, dores musculares principalmente nas panturrilhas, dores nas juntas, dor de cabeça, enjoo, vômitos, perda de apetite, dentre outros”, concluiu.
Série histórica
Desde 2007, a RMVA acumula 64 casos confirmados de leptospirose. Coronel Fabriciano concentra o maior número de registros, com 24 casos. Em seguida aparecem Ipatinga, com 21; Timóteo, com 16; e Santana do Paraíso, com três. Em âmbito estadual, Minas Gerais registrou 191 casos confirmados da doença em 2025, com 17 mortes. Em 2024 foram 169 casos e 13 óbitos. Já em 2023 o estado contabilizou 204 confirmações e 12 mortes.
Período chuvoso provoca elevação do risco
A Secretaria de Saúde de Ipatinga informou que os casos na cidade têm relação direta com o temporal registrado no dia 12 de janeiro, quando foram contabilizados diversos pontos de alagamento e deslizamentos de terra.
De acordo com a nota da pasta, mesmo com o trabalho intensivo da Seção de Controle de Zoonoses, algumas pessoas tiveram contato com água contaminada pela urina de roedores, o que pode ter contribuído para o surgimento das infecções.
A Vigilância Epidemiológica mantém monitoramento constante, com investigações, coletas de amostras e acompanhamento das notificações. O município também informa que faz ações permanentes de prevenção, como controle de roedores, visitas domiciliares, limpeza urbana e campanhas educativas.
No atual período chuvoso, que iniciou em meados de novembro do ano passado, permanecerá até o fim de março deste ano, novos registros de enchentes e ruas alagadas já foram registradas, e o cenário é considerado propício para a transmissão da doença, exigindo atenção redobrada da população quanto às medidas preventivas.
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