02 de março, de 2026 | 14:59

Parceria apresenta obras que restauram prédio ícone de Diamantina

Divulgação/UFMG
Universidade apresenta a autoridades norte-americanas a primeira etapa da restauração da Casa da GlóriaUniversidade apresenta a autoridades norte-americanas a primeira etapa da restauração da Casa da Glória
Representantes da Embaixada dos Estados Unidos serão recebidos para uma visita técnica à Casa da Glória, em Diamantina, na próxima quarta-feira (4), quando a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai apresentar a primeira etapa das obras de restauração do espaço, iniciadas em 2022, com financiamento do Departamento de Estado dos EUA. Também está prevista a reexibição do documentário “Passos de uma casa”, lançado pela TV UFMG em 2025, que registra a importância cultural do monumento para a comunidade local.

Construída no século XVIII e reconhecida como ícone da cidade histórica de Diamantina, a Casa da Glória foi fechada para visitação pública em 2020, durante a pandemia da covid-19. Na mesma época, foi constatada a infestação de cupins na edificação. Desde 2022, o processo de restauro incluiu controle da praga, intervenção estrutural - mantendo-se as técnicas tradicionais usadas na construção (adobe e pau-a-pique) -, redesenho da estrutura elétrica e pintura. As obras são realizadas com o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nesta primeira etapa, já foram concluídos os espaços da biblioteca e alguns dormitórios. A previsão é que os trabalhos sejam finalizados até 2027, com a reabertura da visitação ao público.

“A Casa da Glória tem um peso cultural e histórico inegável, ela é o cartão-postal de Diamantina. A cidade inclusive ganhou portais na entrada que remetem ao passadiço. O monumento é a identidade visual de Diamantina”, destaca o professor da UFMG, Tiago Amâncio Novo, vice-diretor do Instituto de Geociências (IGC) da universidade. Desde 1979, a Casa da Glória foi incorporada como órgão complementar do IGC, depois que o conjunto arquitetônico foi adquirido pelo então Ministério da Educação e Cultura (MEC) para sediar o Instituto Eschwege, que passou a se chamar Centro de Geologia Eschwege (CGE), onde eram ministrados cursos na área de geologia de campo e mapeamento geológico para estudantes da área de todo o Brasil.

História
As construções que compõem a atual Casa da Glória são de épocas e estilos diferentes. A parte principal é uma construção setecentista, cuja data exata de edificação é desconhecida. Acredita-se que a Casa tenha sido construída entre 1775 e 1800. Não se sabe ao certo o responsável pela obra, mas ela é atribuída a Manuel Viana, marido de Josefa Maria da Glória, que morou no local até 1813, o que levou a residência a ficar conhecida como Casa da Glória.

No início do século XIX a Casa passou a ser administrada pelo Estado, servindo de residência para os intendentes. Ela recebeu visitas de grandes estudiosos como Auguste de Saint Hilaire, John Mawe, Barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, J.B. Von Spix, Von Martius, entre outros. Em 1864, foi transferida para o domínio da Igreja Católica e transformada em sede do Segundo Bispado de Minas Gerais, tornando-se residência oficial dos bispos de Diamantina. Por volta de 1867, com a finalidade de abrigar religiosas da ordem de São Vicente de Paulo, ocorreram algumas transformações na Casa, que passou a ser conhecida como orfanato e, posteriormente, como Educandário Feminino de Nossa Senhora das Dores.

Ícone da cidade de Diamantina, o chamado Passadiço da Glória foi construído para ligar as duas casas que funcionavam como educandário e orfanato. A obra, que causou polêmica à época, acabou se integrando à paisagem diamantinense e foi símbolo da campanha “Diamantina - Patrimônio Cultural da Humanidade”. O título foi concedido à cidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1999.

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