10 de março, de 2026 | 06:00

Jogo ruim

Fernando Rocha

Sob o ponto de vista técnico, o clássico que decidiu o Campeonato Mineiro, no último domingo, no Mineirão, pode ser definido em poucas palavras pela frase célebre atribuída ao ex-treinador Vanderlei Luxemburgo: "O medo de perder tira a vontade de ganhar".

Galo e Raposa demonstraram um receio excessivo da derrota e, com isso, ninguém quis correr riscos, sobretudo, no primeiro tempo, então o que se viu foi um jogo feio, picotado com faltas a todo o instante, sem lances de emoção.

Nesse contexto, o Cruzeiro foi “menos pior”, mostrou um pouco mais de vontade, ganhou a maioria das divididas, por isso obteve a vitória de 1 x 0 e mereceu o título que não ganhava desde 2019.

Enquanto Tite manteve a base da equipe titular, o treinador do Galo mexeu bastante na escalação inicial, tendo como principal novidade o jovem Cissé no lugar do contundido Maycon, mas errou feio ao escalar Bernard novamente titular e deixar Scarpa no banco.

Titulo merecido
Coisas do futebol, Tite estava prestes a sacar o meia Gérson, que reclamou de dores no joelho machucado na partida anterior, contra o Pouso Alegre, isso aos 13 minutos do segundo tempo. Antes de sair, porém, o meia cruzou a bola na medida para a cabeçada certeira do artilheiro Kaio Jorge, que abriu o placar e deu o título à Raposa.

A partir daí foram feitas alterações de ambos os lados e ficou nítida a maior entrega e vontade de vencer dos jogadores cruzeirenses.

O clima foi esquentando, muitas faltas duras sendo cometidas pelos jogadores, e nada do assoprador de apito paulista, o fraquinho Matheus Candançam, aplicar cartões para esfriar e conter os ânimos exaltados.

Até que, nos últimos instantes, o goleiro Everson agrediu o meia Cristian, dando origem à confusão e pancadaria generalizada, que terminou com 23 jogadores expulsos, um grande vexame protagonizado por quem deveria dar exemplo para desencorajar a violência entre os torcedores.

FIM DE PAPO

Desde 2022, o Mineirão não recebia as duas maiores torcidas do nosso estado em situação de igualdade. Foi um espetáculo à parte, que a Federação Mineira bancou, e merece elogios pela organização e segurança. Tirando alguns confrontos isolados, sem maior gravidade, em bairros da periferia na capital, no geral, o clima foi de normalidade. O publico presente não foi divulgado, mas 49.675 pessoas pagaram ingresso e proporcionaram uma arrecadação de R$ 7.316.605,00. Para garantir a segurança, a divisão das torcidas consome cerca de 20 mil lugares nas arquibancadas, o que acaba contribuindo para encarecer ainda mais o preço dos ingressos.

No Atlético, o único ponto positivo a ressaltar foi que a zaga esteve mais protegida e, ao contrário de jogos anteriores no comando de Sampaoli, a defesa não foi aquela “baba do boi cansado”. Lamentável foi a contusão do jovem Cissé, aos 15 minutos do primeiro tempo, quando vinha fazendo uma boa partida. Ficou nítida também a incapacidade ofensiva do time, que deu apenas quatro chutes a gol em toda a partida, nenhum deles no alvo, o que fez do goleiro Cássio um espectador privilegiado.

O Campeonato Mineiro vem perdendo prestígio e importância a cada ano, assim como os demais estaduais pelo país. Mesmo assim, os torcedores do time vencedor comemoram e zoam bastante os do rival perdedor. Isto agora não dura muito tempo, pois logo de imediato tem outro jogo, por outra competição. Amanhã, por exemplo, o Cruzeiro volta a campo para encarar nada menos que o Flamengo, no Maracanã, onde vai reencontrar o ex-técnico Leonardo Jardim, que estreou no Rubro-Negro ganhando o “Cariocão”.

Na Arena MRV, o Galo também volta a jogar, diante do Internacional, que também está ferido pela perda do título gaúcho para o rival Grêmio. Galo e Raposa vão se deparar com a realidade nua e crua do momento que atravessam no Campeonato Brasileiro, onde figuram na zona de rebaixamento. O alvinegro é o 17º colocado com 2 pontos ganhos, 2 empates e 2 derrotas, enquanto o time estrelado, com campanha semelhante e os mesmos 2 pontos, está em 19º, ficando atrás do rival pelo saldo negativo de 5 gols contra 3. (Fecha o pano!)


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