10 de março, de 2026 | 17:40

Saritur quita salários atrasados, mas sindicato não descarta paralisação nos próximos dias

Débora Anício
Atualmente, a Saritur opera o transporte público em três cidades do Vale do AçoAtualmente, a Saritur opera o transporte público em três cidades do Vale do Aço
Por Matheus Valadares
Por ora, o transporte coletivo urbano nas cidades de Coronel Fabriciano, Ipatinga e Timóteo não irá parar. Mas uma greve repentina nas próximas semanas não está descartada. A empresa Saritur, que estava com os salários atrasados desde a última sexta-feira (6), fez um acerto com os funcionários nesta terça-feira (10), prazo final para que não houvesse paralisação a partir desta quarta-feira (11).

A informação foi repassada ao Diário do Aço por Marlúcio Negro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Coronel Fabriciano (Sinttrocel).

“Um dos problemas foi solucionado, que era o pagamento que deveria ter sido feito sexta-feira (6), e só foi feito hoje diante da decisão que os trabalhadores junto ao sindicato tomaram, que se não caísse o pagamento hoje, amanhã não teria transporte público circulando nas cidades. A empresa fez o depósito do pagamento, mas ainda tem alguns problemas internos que nós temos que resolver, e não está ainda descartado a qualquer momento ter uma greve no transporte público do Vale do Aço. Tem trabalhador que saiu de férias dia 20 fevereiro, e até agora não recebeu os valores”, afirmou o líder sindical na tarde de terça-feira.

Dívidas dos municípios com a empresa


Marlúcio Negro acrescentou que a situação de “desrespeito” com os trabalhadores se arrasta desde quando se encerrou o período crítico da pandemia da covid-19. “A empresa não têm conseguido mais cumprir suas obrigações com os trabalhadores. E o sindicato, sempre reunindo com a empresa, que alega que não está recebendo por parte pode poder concedente, que é a prefeitura. O município de Ipatinga deve mais de R$ 7 milhões, o município de Coronel Fabriciano deve mais de R$ 5 milhões e Timóteo tem uma dívida e está negociando, mas até o momento não a resolveu”, explicou Marlúcio. “O transporte público do Coronel Fabriciano, está há quase dois anos trabalhando sem contrato assinado, essa é a realidade do transporte público do nosso Vale do Aço”, explicou ao Diário do Aço.

O que dizem os governos


Em nota enviada ao Diário do Aço, a administração municipal de Timóteo informou que ficou sabendo da possível paralisação e entrou em contato com a Saritur, que por sua vez, alegou uma queda na arrecadação em fevereiro em comparação ao mesmo período do ano anterior.

“A Prefeitura de Timóteo reafirma seu compromisso de atuar com zelo, transparência e responsabilidade na fiscalização do transporte público, agindo sempre em defesa dos direitos do cidadão e dos usuários do sistema”, finalizou o documento.

O jornal também solicitou um posicionamento dos governos municipais de Coronel Fabriciano e Ipatinga, além da própria Saritur, mas até a publicação deste texto, não houve manifestação.

Vigentes


Atualmente, a Saritur tem contrato vigente com os municípios de Ipatinga e Timóteo. Além disso, a empresa faz parte do Consórcio FabriFácil (atendido pelas empresas Saritur, Acaiaca e Univale), que presta serviço em Coronel Fabriciano, e está com contrato vencido desde meados de 2023.

"Talvez a população não esteja sabendo o que está se passando e o sindicato deixou bem claro que o trabalhador não pode pagar essa conta. Se os municípios não estão repassando os valores devido para a empresa não é o trabalhador que é culpado. O transporte público do Vale do Aço está sucateado, está notório para todo mundo ver, ninguém fiscaliza nada, ninguém faz nada”, concluiu o presidente do sindicato.

Também há relatos de atraso no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O Diário do Aço também apurou com uma fonte, que preferiu não se identificar, que recentemente foi trocado o plano de saúde, e a atual operadora “não é aceita em lugar nenhum”. Os funcionários e familiares não conseguem agendar nenhuma consulta em consultórios e nem fazer exames em laboratórios.
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