11 de março, de 2026 | 15:45

Com simulacro de arma, adolescente ameaçou atacar escola e transmitir matança ao vivo no Tiktok

Apreendido em Ipatinga, jovem alegou que ameaça, na verdade, era uma brincadeira para “trolar” amigos

Wellington Fred
O subinspetor Robledo Karlily e a delegada regional, Talita Martins O subinspetor Robledo Karlily e a delegada regional, Talita Martins

Um adolescente de 16 anos foi apreendido pela Polícia Civil, em Ipatinga, após publicar, em uma transmissão ao vivo na rede social TikTok, que faria um ataque em uma escola na cidade. O caso foi descoberto na tarde de terça-feira (10) e pouco tempo depois, o jovem infrator estava identificado por policiais civis e apreendido. Ele assumiu tudo, mas alegou que era uma brincadeira.

Conforme já noticiou o Diário do Aço, o caso começou a ser investigado depois que a Coordenadoria Estadual de Prevenção à Criminalidade (CEPOLC), em Belo Horizonte, recebeu um vídeo circulando em redes sociais no qual um jovem aparecia em via pública, nas proximidades de uma escola, portando o que parecia ser uma arma de fogo e fazendo ameaças contra alunos.

Inicialmente, as informações indicavam que o possível ataque ocorreria em Guaxupé, no Sul de Minas. O alerta foi repassado pela inteligência da própria plataforma TikTok e encaminhado ao chefe do 18º Departamento de Polícia Civil, em Poços de Caldas, delegado Marcos Pimenta. No entanto foi identificado que o fato teria ocorrido em Ipatinga.

A delegada regional de Ipatinga, Talita Martins Soares, informou que tomou conhecimento da situação por volta das 18h de terça-feira e imediatamente acionou investigadores da unidade.

“Ele se posiciona próximo à escola, aponta e ameaça alunos durante a transmissão ao vivo”, explicou a delegada Talita Martins, acrescentando que por medidas de segurança não vai revelar o nome da escola que foi alvo das ameaças do adolescente.

Identificação e abordagem ao jovem


Os investigadores, inspetor Evaristo e o subinspetor Robledo Karlily, foram designados para apurar o caso e se deslocaram até o endereço onde o adolescente residia. No local, eles foram recebidos pela mãe do jovem, que colaborou com a ação policial. Segundo subinspetor Robledo, ao assistir ao vídeo apresentado pelos policiais, a mãe reconheceu imediatamente o filho e as roupas utilizadas por ele na gravação.

Ainda segundo o investigador, a própria mãe entrou em contato com o adolescente e pediu que ele retornasse para casa. Quando chegou à residência, o jovem ainda vestia as mesmas roupas usadas na transmissão.

Durante a abordagem, os policiais apreenderam os objetos exibidos no vídeo, incluindo um simulacro de arma de fogo, uma luva e as vestimentas. “O menor demonstrou surpresa e, posteriormente, arrependimento. Ele confessou prontamente ser o autor do vídeo e disse que a intenção era ‘trolar’ amigos”, afirmou o investigador.

Conteúdo com referências extremistas



Segundo a Polícia Civil, o simulacro apreendido imitava uma pistola do tipo Glock, de cor preta, com inscrições em branco. Entre as frases gravadas estavam referências a terrorismo, supremacismo branco e antissemitismo, como “Kebab Destroyer”, “Brenton Tarrant” e “Hate Jews”.
Reprodução de vídeo
O simulacro de pistola trazia referências ao terrorismo e supremacismo branco O simulacro de pistola trazia referências ao terrorismo e supremacismo branco

Durante a transmissão, o adolescente teria feito menção a um cenário semelhante a jogos eletrônicos de tiro em primeira pessoa, simulando estar em um jogo e mencionando o tempo para o término das aulas enquanto apontava o objeto em direção à escola.

Diante da situação de flagrante e da gravidade das ameaças, o adolescente recebeu voz de apreensão e foi encaminhado para a Delegacia Regional de Polícia Civil em Ipatinga.

Foram recolhidos o celular utilizado na transmissão, um computador, o simulacro da arma, as roupas e outros materiais que podem auxiliar nas investigações.



“Para nós é um fato grave, com consequências legais”, alerta delegada



A delegada da PCMG, Talita Martins Soares, informou que o jovem não possui antecedentes policiais e que não é aluno da escola citada no vídeo, nem reside no mesmo bairro da instituição.

As investigações também apontaram que o adolescente utilizava perfis na rede social, com diversas postagens relacionadas a violência, extremismo e terrorismo, além de conteúdos associados a jogos eletrônicos.

Segundo a delegada, é possível que os pais não tivessem conhecimento da existência desses perfis. “O adolescente alegou que se tratava de uma brincadeira, mas para nós é um fato grave, com consequências legais”, afirmou.

Alerta aos pais e adolescentes


A Polícia Civil ressaltou a importância da atenção ao comportamento de adolescentes nas redes sociais e alertou sobre os riscos e consequências legais de conteúdos que incitem violência.

“É fundamental que pais e responsáveis acompanhem o que os filhos publicam e consomem nas redes sociais. Atos como este são puníveis e geram consequências”, destacou a delegada.

O adolescente permanece à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário, que deverão decidir as medidas cabíveis no caso. O procedimento também será encaminhado às autoridades competentes para continuidade das investigações.

Falas do adolescente alertaram a inteligência da rede social



Na transmissão ao vivo feita na rede social TikTok, o adolescente de 16 anos aparece nas proximidades de uma escola em Ipatinga e faz diversas ameaças enquanto exibe o que parecia ser uma arma de fogo - posteriormente identificada pela Polícia Civil como um simulacro.

No vídeo, o jovem conversa com quem acompanha a live e faz referências diretas a um possível ataque contra estudantes que deixariam a escola no fim do período de aulas.

Em determinado momento, ele afirma: “Aí, rapaziada, estou perto da escola… Hoje tem. Só vou esperar só”. Em seguida, reforça a ameaça dizendo: “Rapaziada, hoje tem, viu… Daqui dá pra ver”.

Durante a transmissão, o adolescente continua narrando a situação enquanto observa a escola e comenta sobre a saída dos alunos. “Na hora que eles começarem a sair, só os pipoco… Será que dá para ver? Vamos esperar”, diz.
Em outro trecho, ele afirma estar preparado para cometer o ataque: “Estou trajadão, prontinho. Só esperar os neguim sair e os pipoco já vai rolar”.

O jovem ainda menciona o tempo que faltaria para o término das aulas e indica a porta de saída dos estudantes: “Daqui a 14 minutos eles vão sair naquela porta ali e eu já tô preparado aqui. No que eles saírem já dá para dar os tiros. Já vou esperar colocar minha arma aqui no coldre”.

No final da gravação, o adolescente também comenta sobre os itens que estaria usando, citando uma luva e o simulacro de arma. “O pior que ficou top: luvinha militar, glockzinha… Tá com os nomes também, dos cara, dos heróis do TCC”, diz.

Para a PCMG, as falas fizeram com que disparassem alertas automáticos pela Inteligência da rede social. O resultado do monitoramento foi parar nas mãos da polícia, que desvendou o caso.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Douglas

11 de março, 2026 | 16:10

“Boa tarde!

Domingo passado, muitos romantizando e comemorando as cenas lamentáveis do clássico mineiro entre Galo x Raposa, no outro dia, a vítima pode ser seu filho!”

Envie seu Comentário