19 de março, de 2026 | 07:20

Não há nobreza na tragédia da política de uma grande potência

Carlos Alberto Costa *


Esta semana assisti a um vídeo com uma entrevista com o professor de ciências políticas John J. Mearsheimer, da Universidade de Chicago, teórico das relações internacionais estadunidenses e autor do livro “A tragédia da política das grandes potências”, lançado em 2001. No vídeo, o renomado pesquisador cita o estudo “Efeitos das sanções internacionais na mortalidade por faixa etária: uma análise de dados em painel transnacional”, publicado na revista científica The Lancet, que analisou a política de sanções dos Estados Unidos de 1971 a 2021.

Vale a pena debruçar-se sobre esse estudo, no momento em que pseudo-patriotas andam a defender intervenções dos EUA no Brasil, sob argumentos absurdos. Acreditem ou não, essa defesa maluca inunda as bolhas de falsas informações no WhatsApp, Instagram e Facebook.

Nas palavras do professor e autor do best-seller A Tragédia da Política das Grandes Potências, os EUA não podem ser considerados um país nobre. Eu sei que virão pedradas por todos os lados, mas vamos às razões do pesquisador.

O próprio John Mearsheimer admite que os EUA se trata de um país incrivelmente inútil e que a quantidade de assassinatos e homicídios que os EUA criaram ao redor do mundo é assustadora. Ele se referia ao estudo do jornal científico The Lancet, que pode ser acessado na internet desde novembro de 2025. O artigo citado lança um olhar crítico sobre as sanções estadunidenses desde 1971 até 2021. Ao responder à questão sobre quais foram as consequências das sanções estadunidenses, chega-se à estimativa que foram mortas 38 milhões de pessoas.

“A quantidade de homicídios que criamos ao redor do mundo é incrível. Você pensa sobre as consequências da guerra no Iraque? O que fazemos em lugares como Venezuela, Cuba e Irã? Você entende que estamos usando esse grande poderio econômico que temos para, basicamente, matar pessoas, para fazê-las sofrer, para infligir uma grande punição a elas, para que se levantem contra seus governos? Você entende que isso é o que estamos fazendo na Venezuela e no Irã? Em busca de nossos objetivos, estamos infligindo uma enorme punição a essas pessoas. Então, diante disso tudo, acho muito difícil falar dos Estados Unidos como um país nobre”, sentenciou.

Mas, enquanto um homem de raro saber geopolítico enxerga essa realidade de seu próprio país, aqui no hemisfério sul temos que conviver com os lesa-pátria, que insistem em trair o Brasil e desejar a todo custo a invasão sob a batuta de Trump.


“Nas palavras do professor e autor do best-seller
A Tragédia da Política das Grandes Potências,
os EUA não podem ser considerados um país nobre”


É bom lembrar que a Constituição brasileira estabelece bases jurídicas para punir atos que comprometem a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional, frequentemente definidos na legislação penal e militar como crimes contra a Pátria.

A República Federativa do Brasil rege-se, nas suas relações internacionais, por princípios como independência nacional, não intervenção e defesa da paz. Atos que violam esses princípios podem ser considerados ofensivos à Constituição. O que se deve perguntar agora, nesse momento de extrema polarização e extrema ignorância, é quando os traidores da pátria passarão a ser punidos pelos delitos que insistem em cometer, ao clamar pela invasão de uma nação cuja especialidade histórica tem sido matar gente e destruir os países por ela invadidos.

* Professor aposentado

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